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Crime em Barro Vermelho

Segurança de shopping vira réu por morte de morador de rua no ES

Assassinato aconteceu em setembro após morador de rua tentar furtar uma bicicleta em um shopping; denunciado  foi preso em São Mateus

Publicado em 23 de Outubro de 2024 às 13:04

Públicado em 

23 out 2024 às 13:04
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

vfernandes@redegazeta.com.br

Feminicídio
Crédito: Arte - Sabrina Cardoso com Microsoft Designer
A Justiça estadual aceitou a denúncia contra o chefe de segurança patrimonial de um shopping, que se tornou réu em ação penal, após ser apontado como o autor da morte de um morador de rua. O crime aconteceu em Vitória, no Barro Vermelho, no dia 8 de setembro. A vítima dormia na rua quando foi morta por tiros.
José Cosme Amorim Tavares, 26 anos, segundo o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), executou Luiz Carlos Basílio Oliveira, e de uma forma que “resultou em perigo comum, diante da possibilidade concreta em atingir um número indeterminado de vítimas, eis que outros indivíduos em situação de rua dormiam ao lado da vítima”.
E acrescenta que a vítima foi surpreendida enquanto dormia. “O crime foi praticado mediante recurso que dificultou a defesaa, eis que fora surpreendida pela abordagem inesperada do denunciado enquanto dormia, diminuindo as chances de esboçar qualquer reação em ato de defesa.
Ao receber a denúncia, o juiz Carlos Henrique Rios do Amaral Filho, que preside o Tribunal do Júri de Capital, manteve a prisão de José Cosme.
“A inicial narra que a vítima estava dormindo quando o denunciado supostamente teria efetuado disparos que ceifaram sua vida, o que demonstra a necessidade de sua custódia preventiva do mesmo, como forma de garantir a ordem pública e pela aplicação da lei penal”, disse.

Motivos do crime

Um furto de bicicleta no estacionamento do shopping foi a motivação para o crime, segundo relatado à Justiça. Ao perceber a ação de Luiz Carlos um dos seguranças interveio, o que gerou conflito e troca de agressões e a vítima conseguiu fugir.
O segurança relatou o ocorrido a José Cosme, que era o chefe da equipe, por meio de mensagens de texto. Ao ser informado dos fatos, ele reconheceu Luiz Carlos como a pessoa que já havia cometido outros furtos no local.
Segundo a denúncia, Cosme procurou o local onde Luiz Carlos costumava dormir. “Após encontrar a vítima, aproveitando-se da vulnerabilidade de Luiz Carlos, que estava dormindo e indefeso, efetuou disparos de arma de fogo, causando-lhe a morte”, é dito no texto.
É acrescentado que José Cosme “agiu como um justiceiro, movido por um desejo de vingança”. E que isto teria ocorrido após ser informado de que houve uma nova tentativa de furto no estabelecimento. “Restando claro que José Cosme decidiu punir Luiz Carlos de forma brutal e desproporcional, demonstrando desprezo pela legalidade, pelas normas de convivência social e pela vida alheia”, informa a denúncia.

Fuga para Pedro Canário

José Cosme acabou sendo preso pela Polícia Civil em São Mateus, no dia 22 de setembro, junto com outra pessoa, por porte ilegal de arma de fogo. Na audiência de custódia, a segunda pessoa presa foi liberada com o pagamento de fiança. Cosme não pagou o valor de R$ 2,5 mil e permaneceu detido.
No último dia 3 de outubro, o Juízo da 3ª Vara Criminal liberou Cosme da fiança e determinou a sua soltura. Mas ele  não foi liberado  por haver contra ele um mandado de prisão referente à morte do morador de rua.
Segundo o seu advogado, Flavio Marx Bernardo Silvestre, ele seguia para Pedro Canário, onde mora a sua família. “A arma estava registrada em seu nome, como foi confirmado pela polícia, mas ele não tinha o porte, a autorização para transportar a arma e por isto foi detido”, relatou.
Segundo Marx, seu cliente vinha sendo ameaçado por Luiz Carlos. “O rapaz era autor de vários furtos no shopping e que sempre agia era o Cosme, que passou a ser ameaçado. No dia do crime a vítima disse ao meu cliente que sabia onde ele morava e que mataria a esposa dele”.
O advogado acrescenta que Cosme levou a arma para o Norte do Estado por medo. “Ele temia por sua vida. É uma pessoa que não tem antecedentes, nenhum tipo de registro criminal ou passagem policial”, disse, acrescentando que já solicitou a libertação dele. “Já está sendo analisado pelo MPES”.

Vilmara Fernandes

E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.

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