Uma liderança criminosa da região da Ilha do Príncipe, em Vitória, aparece em operações realizadas desde o ano passado como o elo entre pelo menos 18 policiais militares e civis e supostos esquemas criminosos.
As investigações e denúncias já apresentadas à Justiça estadual apontam para crimes como tráfico, apropriação e comercialização de drogas apreendidas, corrupção, agiotagem, lavagem de dinheiro.
Trata-se do traficante Yago Saib Bahia da Silva, conhecido como Passarinho ou Pardal. Ele mantinha contato próximo com os investigados e denunciados, com quem falava com frequência por mensagens e vídeos.
Informações presentes em denúncias do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) revelam que a suposta “parceria” incluía pagamento de propinas para garantir segurança e acesso a dados sigilosos e direcionamento de ações policiais. Um detalhe: era um criminoso que tinha contra ele um mandado de prisão.
Sua prisão desencadeou várias investigações e operações — Pardal, Argos e Turquia — e a prisão de integrantes das forças de segurança.
Também foi apontada a cobrança periódica pela “liberação” de áreas específicas para atuação do tráfico. Em contrapartida, garantiam a não intervenção policial e a repressão de grupos rivais. Valores que seriam “lavados” por meio de agiotagem.
Foram acusados de organização criminosa, corrupção passiva militar, tráfico de drogas, com apropriação e venda dos entorpecentes, lavagem de dinheiro e agiotagem, com extorsão de dinheiro sob ameaças e simulações de abordagens policiais.
Outra leva de investigações mostra que o processo se repete na Polícia Civil, na área destinada à investigação e repressão ao tráfico ilícito de drogas e crimes relacionados, o Departamento Especializado em Narcóticos (Denarc).
Três policiais que atuavam no local foram afastados de suas funções, um deles foi preso, durante a realização da Operação Turquia, realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), em parceria com a Polícia Federal.
A suspeita é de que os três, usando da função, faziam parte de um núcleo criminoso que fornecia drogas e armas para integrantes da facção.
Um cenário que também contaria com o apoio do traficante Yago, com quem mantinham contato direto, confirmando até se os detidos eram de fato os indicados e se o material a ser apreendido tinha sido encontrado.
Há suspeita de que drogas apreendidas, que não eram registradas oficialmente, estariam sendo desviadas para a própria organização criminosa, com o traficante novamente intermediando a comercialização e partilhando o lucro com os integrantes da corporação.
A coluna tentou obter informações sobre o responsável pela defesa de Yago, sem retorno. O espaço segue aberto a manifestação.