Três herdeiros do tráfico, duas facções e uma briga que aflige bairro do ES
Trajetória no crime
Três herdeiros do tráfico, duas facções e uma briga que aflige bairro do ES
Os conflitos se intensificaram nos últimos meses em região de Vila Velha, com registro de trocas de tiros e mortes
Publicado em 24 de Janeiro de 2025 às 00:30
Públicado em
24 jan 2025 às 00:30
Colunista
Vilmara Fernandes
vfernandes@redegazeta.com.br
Crédito: Imagens Notaer/ES
Por trás dos conflitos do tráfico que afligem os moradores do bairro Guaranhuns, em Vila Velha, está a disputa entre integrantes de uma família, com destaque para três irmãos, e duas facções criminosas que querem obter o controle das bocas da região. Um deles, aponta a polícia, foi morto por impor novas regras à comercialização de drogas.
Uma das detenções, no final do ano que se encerrou, foi a de José Brito Reis Júnior, o Berreu. Segundo a Polícia Civil, ele e Renan Vinicios de Jesus Nascimento, foragido, integram um grupo chamado "Bonde do Berreu". Os dois são suspeitos de invadir a casa de dois homens e uma mulher, disfarçados de policiais, e torturarem as vítimas em busca de informações sobre drogas e armas. Uma delas foi executada. O crime foi em junho de 2024.
Ocorre que Berreu é irmão de Fernando de Oliveira Reis, o Fernando Cabeção, condenado pela morte do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, em 2003. Ele liderava um grupo criminoso em Guaranhuns, e era ligado ao Primeiro Comando de Vitória (PCV), cujo batismo foi feito pela cúpula da facção.
Nove pessoas foram denunciadas à Justiça estadual. O grupo era composto por amigos de infância e por outro irmão da vítima, Hudson Fernando de Oliveira Reis. Segundo a polícia, ele teria ligações com o Terceiro Comando Puro (TCP) e assumiu o controle do tráfico na região. Mas acabou sendo detido em 2021, em Colatina e se e encontra no Centro de Detenção Provisória da cidade. A defesa dele contesta as informações (veja abaixo).
Entre os que teriam auxiliado Hudson no crime estão Cassio Lorencini Martins, o “Cassinho”, 35 anos, e Rafael Barcellos do Nascimento, o “Mariposa”, de 41. Ambos foram denunciados e estão foragidos no Complexo da Maré, em Bonsucesso, Zona Norte do Rio, sob a proteção dos chefes do tráfico ligados ao TCP. As informações são do Disque Denúncia do Rio, que os incluiu na lista dos procurados, com divulgação de suas fotos.
Cassinho e Mariposa teriam sido os responsáveis por expulsar Berreu de Guaranhuns após a morte de Cabeção. Motivos que o levaram a se insurgir contra a liderança de seu irmão, Hudson.
Considerado um criminoso violento e de alta periculosidade pela corporação policial, Berreu é apontado como um dos responsáveis pelos confrontos armados da guerra do tráfico no bairro Guaranhuns.
Há informações de que no período foragido ele teria se aliado a traficantes do PCV, do bairro Santa Rita, em busca de apoio para retomar o poder perdido no passado com a morte de seu também irmão, Cabeção.
Mas há quem relate que ele estaria vinculado ao TCP, e que suas ações são contra seus desafetos Cassinho e Mariposa, o que representaria uma disputa interna na facção criminosa.
Informações no site do Tribunal de Justiça revelam que há anos os irmãos, que hoje brigam, também aparecem em outros processos na área criminal ao lado de outros familiares e até de outro irmão.
O que diz a defesa
A defesa de Hudson é realizada pelo advogado Ricardo Luiz de Oliveira Rocha Filho. Ele destaca que o processo que trata da morte de Fernando Cabeção ainda está na fase de instrução, etapa em que são ouvidas as testemunhas e autoridades.
“Com os elementos presentes no processo, a Justiça estadual não tem provas de que Hudson tenha participado do crime para levá-lo a julgamento. O crime aconteceu em um domingo, durante o dia, em frente a um shopping, e não há imagens, vídeos, como também não há interceptações telefônicas, quebra de sigilo bancário ou a arma apreendida”, relata
Acrescenta que Hudson estava preso até setembro de 2017, quando foi liberado e permaneceu morando em Colatina. “Ele não assumiu a liderança do tráfico de Guaranhuns, como dito pela polícia, porque continuou morando em Colatina desde que deixou a prisão”.
A defesa de Cássio é realizada pelo advogado Rafael Iraha. Informa que seu cliente tem uma vida estruturada no Rio. “Ele não tem interesse em participar de nenhuma gangue de bairro. Assim como não houve motivação para que participasse da morte de Cabeção”, relata.
Ele é outro que afirma que no processo não há provas que apontem a sua participação do seu cliente no assassinato de Cabeção.
E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.