Os dois são suspeitos de planejar vários crimes, incluindo um esquema para matar um preso dentro da unidade e que seria rival do traficante. Eles contaram com a possível ajuda de uma terceira pessoa, uma mulher que também é policial penal, que não foi detida.
Foi na casa deste traficante que foi localizado o corredor blindado, visto nas imagens pouco após dele descer um lance de escadas. O espaço fica entre dois portões, um deles blindado, como explicou Weleson Vieira, diretor de Operações da Polícia Penal do Espírito Santo. Ele relatou que as equipes que cumpriram os mandados de prisão e busca e apreensão foram surpreendidos ao chegarem à casa.
“Na frente você se depara com um portão de metal e na sequência um pequeno corredor. Logo depois tinha um outro portão, blindado, e atrás dele tinham dois tocos de madeira que impediam a sua abertura por fora. O primeiro portão era um disfarce para o segundo e a pessoa que entra fica presa neste corredor, no meio dos dois portões”, relatou o diretor.
As ações fazem parte da segunda
fase da Operação Trash Bag, foi conduzida pelo Grupo Especial de Trabalho em Execução Penal (GETEP) do Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), com apoio da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), responsável pela gestão das unidades prisionais, e da Polícia Penal.
Foram cumpridos dois mandados de prisão e três de busca e apreensão nas cidades de Viana e Vila Velha, com apreensões de celulares, notebooks, armas de fogo na casa dos suspeitos.
Foi a arma ilegal encontrada na casa dele a chave para a realização da segunda fase. As investigações apontam que ela seria entregue a um detento, dentro da Máxima II, para que executasse um outro prisioneiro ou até uma fuga. A morte encomendada era de um rival do traficante, e que o tinha antecedido na liderança na região de Viana.
As investigações apontam que o policial penal que era chefe de segurança, envolvido no suposto esquema para matar um detento da Máxima II, teria sido cooptado pelo traficante. E ainda teria, supostamente, recebido valores mensais para deixar entrar na unidade objetos ilícitos, como aparelhos celulares, drogas e materiais cortantes, além de repassar informações e fazer “vista grossa” durante as revistas das celas onde se encontram aliados do traficante, o que poderia indicar a realização de outros eventos criminosos.
Há ainda indícios de que o policial penal vinha ameaçando possíveis testemunhas dos crimes praticados por eles com o objetivo de ocultar provas.
Por nota a Sejus informa que "os trabalhos desta sexta-feira (9) foram conduzidos pelo Grupo Especial de Trabalho em Execução Penal (GETEP), com apoio da Subsecretaria de Inteligência Penitenciária da Sejus e com execução das ações pela Polícia Penal".
A coluna tenta contato com a defesa dos acusados. O espaço segue aberto para a manifestação.