Já tem dias que os capixabas vêm sofrendo com os ataques por hackers a provedores de internet. Pior: diferentemente dos ciberataques, isto é, aqueles cujos objetivos é extrair ou apagar dados, este tem uma única função: deixar empresas, organizações e residências sem internet, parcialmente ou totalmente fora do ar.
Ao gerar esse apagão, o atacante provoca uma onda insatisfação dos usuários que leva ao cancelamentos do provedor concorrente para atrair para si novos clientes. Traduzindo: é um ataque de sabotagem.
De acordo com levantamento (Netscout Systems), foram realizados cerca de 9,75 milhões de Ataques Distribuídos (DDoS) no mundo em 2021. Esse total é resultado do volume registrado no primeiro semestre do ano passado com o que foi levantado pela empresa sobre os ataques no segundo semestre. Em junho deste ano, a Cloudfare concluiu que o Brasil foi base para maior ataque DDoS já registrado pela empresa. A empresa afirma ainda ter mitigado um ataque de 26 milhões de solicitações por segundo — o maior já registrado pela companhia.
Todavia, não é novidade para ninguém que a internet hoje representa o fio condutor de tudo que compreende o mundo do comércio, da comunicação, da existência, da globalização, logo, esses ataques representam um atentado a tudo aquilo que a internet possibilita e viabiliza. Por outro lado, os ataques lançam desafios para a legislação e legisladores, para a segurança e para o Estado de direito. O mundo digital não pode ser terra de ninguém.
Na sessão ordinária da nossa Assembleia Legislativa no dia 6 de julho de 2022, foi apresentada uma denúncia à Comissão Parlamentar de Inquérito de crimes cibernéticos da assembleia pelo deputado Bruno Lamas (PSB), já que o Estado é um dos que vem enfrentando uma elevada incidência desse tipo de crime. Como se trata de um problema nacional, afetando outros Estados, é crucial que provedores de outras unidades da federação engajem seus parlamentares para que comissões semelhantes se formem em todo país antes que as evidências que apontem a autoria desses crimes sejam destruídas. Sem mobilização, esse crime continuará impune e a internet para diversos brasileiros continuará instável.
É urgente que o Estado através da lei e do efetivo civil se debruce sobre essas verdadeiras "milícias digitais” que atuam em nome do lucro pela via da indecência e da imoralidade quanto a tudo que tange à concorrência e à liberdade de comércio. O crime precisa ser tratado como crime e, por isso, não ficar impune.
Como vimos, aquilo que estamos vivendo há dias aqui no Estado compromete e acontece em quase todos os Estados do nosso país e no mundo. Por aí se nota, em meio à ilegalidade e à criminalidade, o tamanho do problema. Se as empresas de internet precisam cada vez mais investir em tecnologia pesada para contornar a situação e controlar os ataques, o Estado precisa investir em lei, em investigação e em pena para quem coloca a digital em crimes digitais.