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Ano novo

Como fazer a virada para 2021 sem a tradição e o simbólico?

De hoje para amanhã, vamos ter que ser ritualistas. Se você não vai à praia, pode ser que dê um jeito de ao menos usar branco. Se você não vai pular ondas, pode ser que dê um jeito de guardar caroços de uva na carteira

Publicado em 31 de Dezembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

31 dez 2020 às 05:00
Vinicius Figueira

Colunista

Vinicius Figueira

viniciusfigueira18@gmail.com

Data: 01/12/2015 - ES - Vitória - Queima de fogos durante a virada de ano na praia de Camburi - Editoria: Cidades - Foto: Vitor Jubini - GZ
Queima de fogos durante a virada de ano na praia de Camburi  Crédito: Vitor Jubini
Para um publicitário, os símbolos, as cores, as formas são a mais nobre expressão de comunicação. Algumas vezes, só utilizamos de cor e texto, mas a redação precisa ser “a redação”, como forma de impactar, persuadir e reter atenção. Pois é, neste ano, a linguagem dos fogos estourando no céu, os champanhes explodindo na praia, pular as sete ondas, enfim, tudo nos foi “tirado” devido à pandemia. Logo, como faremos a travessia de um ano para o outro? Vamos dormir e acordar, e logo será 2021? Ou não vamos dar conta e faremos algo em nossas casas, ainda que a dois, três ou quatro pessoas?
Os infectologistas estão implorando para não haver aglomeração, para não ir à praia, para não se reunir, enfim. Mas muitos estão se desfazendo desses comentários, outros estão se reinventando, muitos outros ainda buscando o que fazer na virada. A verdade é que nós precisamos de algo para fazer a virada. No fundo, estamos buscando símbolos, ritos para fazer uma travessia, senão parece que continuaremos no ano que terminou, e vamos combinar: ninguém quer 2020 de novo.
A pergunta é: como fazer essa travessia? Não tem jeito, vamos ter que arranjar símbolos. Garanto que este ano, sobretudo, amanhã, não vamos trocar o calendário da parede ou da mesa da mesma forma que antes. Nossos relógios serão atualizados, mas as agendas não serão renovadas como antes. Aliás, minha sugestão seria “criar um rito” para isso. Quando digo rito, estou dizendo que a nossa consciência precisa ver significado no descarte da agenda, e na troca da folhinha.
O símbolo é sempre a expressão do sentimento, é o externo que exprime o interno. Não damos conta de viver sem ver o que sentimos. Quando vemos algo estourar no céu, é porque algo está estourando dentro de nós, pode ser que se não há o que estourar dentro, não saímos para fora para ver. O movimento de fora é sempre o de dentro. Quando falta o simbólico, nossos sentimentos perdem a fisionomia, e por isso, não são tão compreendidos e nem, tampouco, vividos.
De hoje para amanhã, vamos ter que ser ritualistas. Se você não vai à praia, pode ser que dê um jeito de ao menos usar branco. Se você não vai pular ondas, pode ser que dê um jeito de guardar caroços de uva na carteira. Se não vai ter churrasco, pode ser que  busque comer carne de porco. Alguma coisa vamos buscar para fazer a travessia, aliás, não damos conta de fazê-la sozinhos e, ainda assim, é interessante que, de uma forma ou de outra, a tradição e os símbolos sejam linguagens que falem a você que o ano mais terrível da história passou, e que agora vem um novo. Pode ser que seja igual ou até pior, mas na travessia sempre cultivamos a esperança, e é sempre ela que renova tudo. Feliz ano novo!

Vinicius Figueira

É publicitário. Uma visão mais humanizada dos avanços tecnológicos e das próprias relações sociais tem destaque neste espaço. Escreve às quintas

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