A pandemia, entre tantas mudanças, fez nascer uma série de conteúdos, alguns interessantes e inusitados. Todavia, fomos expostos ou nasceu em nós (num intuito de preencher a lacuna da existência humana, ou se preferir pode chamar de vazio), a proliferação de muitos conteúdos. No fundo, criamos a necessidade de mandar tudo, para todos. Talvez esse artigo, nessa quinta-feira (25), te leve a parar e pensar sobre isso. Talvez, até mesmo você que me lê nesse momento seja um autor desse comportamento sem perceber. Bom, então é hora de pensarmos sobre.
Os criadores de conteúdos, empreendedores, artistas e influenciadores estão se virando nos trinta, gastando energia para conseguir a atenção de quem está em casa. São conteúdos que vão de vídeos novos, lançamento de músicas, lives, cursos compartilhados. Até mesmo as plataformas de streaming, como Netflix e GloboPlay, disponibilizaram conteúdos gratuitos no Brasil. Há também casos de antecipação da chegada de filmes nos catálogos, devido à impossibilidade de abertura dos cinemas.
Há uma lógica tangível e imutável na comunicação que ultrapassa o compasso da teoria, e que diz: uma comunicação para cada público. A pandemia parece ter desconcebido essa máxima, sobretudo nas redes sociais. Tudo que recebo, preciso compartilhar. A eficácia da comunicação não passa por aí, de modo algum. Já vinha falando e não me canso de dizer que o combustível da comunicação não é a mensagem em si, mas a empatia que nela há.
Não dá para tratar o ser humano que é único como “todos”. Acredito e propago, sempre fundado na experiência de trabalho e de mercado, que cada um gosta de ser tratado como único. Isso muda o sentido e eu diria: transforma o mundo.
Então, como lidar com tanta coisa sobre tudo? A resposta está em nós. A decisão está em nós. Aliás, dentro de nós, e se chama “limite”. Se sentimos necessidade de consumir tudo, precisamos nos perguntar por quê? Uma resposta concreta seria dada pela psicologia: talvez, você vê tudo, para não se ver, ou ainda, busca preencher com tudo o vazio e o silêncio que por vezes lhe incomoda. Saiba que o objetivo do conteúdo não é os entupir, ou roubar-lhes a sanidade mental. O objetivo do conteúdo é nos alimentar. Quem come demais, passa mal, não consegue fazer digestão, e por aí segue.
Então, pare para pensar: o que você tem compartilhado? Por que tem feito isso? Será mesmo necessário mandar tudo para todos? Será que você não está atirando para todos os lados, e menos no alvo? Enviar a comida certa, para a pessoa certa, pode gerar muito mais satisfação e saciedade. Nem todos consomem o seu prato: há comidas que provocam alergia, outras indigestão, outras ainda não combinam com seu paladar. Quem trata a informação ou a comunicação como alimento, garanto que faz isso chegar diferente.
Conhecimento é revolução, inovar é revolução, e isso é fato. O mundo não gira ao contrário. Estamos rumando para uma mega revolução que não diz respeito ao coronavírus. Teremos que conviver com as redes sociais todos os dias e de uma maneira sempre nova. Aliás, as redes são mais uma de tantas mudanças que já aconteceram e que vão acontecer.