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Indiferença da sociedade

Do absorvente ao saneamento básico, o Brasil precisa mudar

Números divulgados por pesquisas surpreendem e ao mesmo tempo exigem uma atitude concreta sobre os dois temas

Publicado em 28 de Outubro de 2021 às 02:00

Públicado em 

28 out 2021 às 02:00
Vinicius Figueira

Colunista

Vinicius Figueira

viniciusfigueira18@gmail.com

Falta de saneamento básico e absorventes: problema no Brasil
Falta de saneamento básico e de absorventes é um problema na sociedade brasileira Crédito: Montagem/Fernando Madeira e Freepik
Recentemente, entrou em pauta um tema que, até então, parecia estranho para boa parcela da população. Uns chegaram a achar inconcebível, em pleno século XXI, ver meninas necessitadas de absorventes, por exemplo. Ver meninas que sacrificam dias de aula por não ter um absorvente em função da menstruação. Mas isso não é o bastante, tem mais uma manchete a nos chocar: 70% dos brasileiros não conhecem a realidade de saneamento básico. Esse dado, divulgado pelo "Meio&Mensagem", faz parte de uma pesquisa realizada pela marca Neve em parceria com a Grimpa, e integra uma nova etapa do projeto global "Banheiros Mudam Vidas", da Kimberly-Clark.
Estamos diante de duas questões que tocam a higiene da população, bem como a saúde. A pesquisa sobre o desconhecimento do saneamento básico evidencia que 7 em cada 10 brasileiros não têm a real dimensão sobre a parcela da população desprovida de acesso a saneamento seguro e, inclusive, 25% não sabem nem se o esgoto de sua própria casa é tratado. Grifo: 25% não sabem nem se o esgoto de sua própria casa é tratado.
A pesquisa entrevistou, em agosto de 2021, 1.002 pessoas das classe ABC1 acima de 18 anos por todo o país e buscou entender como a população encara o problema do saneamento básico, o que espera de marcas e lideranças, e como enxerga possíveis soluções – inclusive com o envolvimento direto da sociedade civil, destaca o "Meio&Mensagem".
Agora, temos um outro número publicado pela revista "Exame" em que a Always diz: 1 a cada 4 mulheres faltou à aula por não poder comprar absorvente. A ONU estima que 1 em cada 10 meninas falte a escola durante a menstruação, e no Brasil esse índice é ainda pior. Segundo a pesquisa, no Brasil, 1 em cada 4 mulheres já faltou à aula por não poder comprar absorventes. Quase metade destas (48%) tentou esconder que o motivo foi a falta de absorventes e 45% acreditam que não ir à aula por falta de absorventes impactou negativamente o seu rendimento escolar.
Os números surpreendem e ao mesmo tempo nos interpelam, exigem uma atitude concreta sobre os dois temas. Desse modo, pelo que se vê, além de uma temática sobre higiene e sobre saúde, temos uma questão congruente que se chama educação. Não me refiro apenas a uma educação que é amputada das meninas, por não ter um absorvente, mas de uma educação que faz a diferença em meio a tanta indiferença, em meio a tanto descaso e desconhecimento de temas fundantes do nosso país.
Precisamos combater com todas as forças a pobreza menstrual, pois é sobretudo uma questão de dignidade humana. Precisamos combater com todas as forças a pobreza educacional. Precisamos combater a indiferença. Precisamos tantas coisas. O governo (a sociedade) precisa distribuir absorventes e absorver esses números dramáticos que evidenciam o Brasil da desigualdade, da ignorância e do caos.

Vinicius Figueira

É publicitário. Uma visão mais humanizada dos avanços tecnológicos e das próprias relações sociais tem destaque neste espaço. Escreve às quintas

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