Com pandemia ou sem pandemia, as eleições acontecerão no próximo mês de novembro. Moral da história: não há tempo a perder. A pergunta que fazemos, principalmente em tempos de distanciamento social e num período de tanto uso das redes sociais, como será esse novo corpo a corpo? Se de um lado temos um TRE de olhos arregalados nos rastros dos candidatos pelas redes, do outro temos políticos sedentos e já organizados ou organizando suas estratégias para um corpo a corpo nas novas residências digitais (perfis).
Andamos um pouco traumatizados com essa narrativa política, tendo em vista que assistimos de longe um Donald Trump, nos Estados Unidos, totalmente engajado nas redes e fazendo e desfazendo dos algoritmos de forma estratégica e pontual. Depois, vimos de perto um Bolsonaro, quase igual, com verdadeiros embaixadores nas redes, mas que responderam a vários processos, e ainda assim diversas páginas foram subtraídas da rede devido às fake news.
O termo “Fake News”, podemos assim dizer, nasceu na política, e junto dele o termo “pós-verdade”. O cenário político sempre possibilitou o reinado de gladiadores de ideias que trocam farpas no coliseu da ignorância ao invés de uma defesa e debate plausível de projetos de Brasil, Estado e município.
Em meio a tudo isso, e já escrevi por aqui, existe a “Cultura da Metade”, ou seja, esse novo comportamento social de pessoas que estão nas redes sociais, para ver notícia, mas se sentem satisfeitos lendo apenas a manchete ou ainda a manchete e a descrição. Esse mesmo público é o responsável por discutir, agredir e sustentar com inverdades uma opinião que deve a todo custo ser engolida. Esse público vive numa bolha, como diria Bauman. Vive flertando e não se fartando de conteúdos relevantes, e sustentáveis.
O que esperar das eleições de 2020? Ora, penso que viveremos o tempo de ferro e fogo. A intolerância que reina em cenários de extremismo não funcionará como corpo a corpo, mas talvez um bate boca. Seria utopia dizer, mas diremos: as redes são ótimas ferramentas para a democracia, elas são o contato direto e reto com o público. Quiçá, elas possuem a força necessária para transformar cenários municipais e gerar uma cidade mais engajada, mais participativa, um plano de governo ou de município envolvente.
O que mais esperamos, no mínimo, é que os eleitores ou, se assim preferir, usuários das redes, sejam respeitados e não invadidos. Que os contatos sejam protegidos e que não sejamos vítimas de disparos de mensagens. Que sejamos tratados como humanos, eleitores, e com empatia.
Uma verdade: no terreno da política no Brasil, já somos assaltados o tempo inteiro: nos impostos, na corrupção, nos mandos e desmandos, nos desvios, portanto, que não nos seja roubada a privacidade.