A campanha começou na semana passada, mas já tem comitê festejando. Festejando o quê? Bom, no marketing uma palavra rege o fluxo: estratégia. Elas existem internamente, por meio de planejamento, mas também no âmbito externo, aquelas que não estão no papel, mas no olho de águia de quem está de frente e sacando tudo, cores, posturas, abraços e daí por diante.
Nesta semana, o comitê do Bolsonaro já começou a ficar feliz, porque saiu na imprensa uma fala embaraçada do candidato Lula. Ele diz: “Quer bater em mulher? Vá bater em outro lugar”. O ex-presidente cometeu uma gafe ao falar sobre a Lei Maria da Penha no ato de campanha organizado pelo PT, no Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo, no último sábado (20).
“Nós fizemos a Lei Maria da Penha. E eu dizia ‘mão de homem foi feita para trabalhar, para fazer carinho na pessoa que ele ama e nos seus filhos. Mão de homem não foi feita para bater em mulher’. Quer bater em mulher? Vá bater noutro lugar, mas não dentro da sua casa ou no Brasil porque nós não podemos mais aceitar isso”, declarou no discurso.
Sim, o candidato falhou, e falhou feio. Mas o centro do artigo de hoje diz respeito às estratégias de oportunidades, quando uma gafe política vira estratégia do adversário. Interessante analisar que a comemoração dessa gafe pode significar muito para a campanha de Jair. Ele é um dos candidatos que mais enfrenta rejeição entre as mulheres, quando Lula se apresenta como o mais querido por esse público, conforme revelam pesquisas eleitorais recentes.
Por outro lado, em gafes como essa, Lula pode se revelar (em ato falho), como deve esboçar estratégias para reverter o quadro que podem colocá-lo em saia justa. Mais do que fazer com que tudo seja estrategicamente pensando, é não se tornar estratégia de quem joga no campo adversário. Em campanha eleitoral, uma vírgula fora do lugar pode custar caro.
Nesta quinta-feira (25), teremos Lula no Jornal Nacional. Uma praça enorme para conversar com seu público, reposicionar e posicionar seus argumentos. Tempo é amigo e inimigo do político e da política. Em 40 dias, muitas coisas podem mudar. Mas tempo é voto na situação e na oposição.