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Eleições 2022

Entre o silêncio de Bolsonaro e a fala das urnas

As urnas desenham um desafio para o presidente eleito. Seu trabalho será de reconquista da confiança e da identificação dessas pessoas para que o país volte a ter governabilidade

Publicado em 03 de Novembro de 2022 às 00:15

Públicado em 

03 nov 2022 às 00:15
Vinicius Figueira

Colunista

Vinicius Figueira

viniciusfigueira18@gmail.com

Jair Bolsonaro faz primeiro pronunciamento após eleições
Jair Bolsonaro faz primeiro pronunciamento após eleições na terça-feira (1) Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Era domingo. O relógio já marca vinte horas quando Lula é proclamado eleito presidente do Brasil, após o resultado das urnas. Vitória acirrada, bastante dividida. Era a maior votação da história. Lula fala à nação, Bolsonaro apaga as luzes do Alvorada e se recolhe em silêncio. Silêncio de luto, de raiva, de angústia, de frustração. Mas esse silêncio comunicou bastante coisa, ele manteve e sustentou os caminhoneiros que ainda obstruem as estradas pedindo intervenção militar e golpe.
Mas, além de tudo isso, as urnas emitiram mensagens: a maioria dos que votaram não viram em Bolsonaro democracia, valores cristãos, sensibilidade e capacidade de governabilidade. Uma outra grande parcela da sociedade não conseguiu ou consegue se identificar com Lula e Bolsonaro. Se abstiveram. E por outro lado, a fração dos que votaram em Bolsonaro, é expressiva. Dá músculo para a direita, e fortalece a narrativa do presidente derrotado.
Não é novidade que Bolsonaro “morreu” pela boca. Sua linguagem, quase sempre na ofensiva, criou um Brasil paralelo. Seus ataques à democracia, sua incompatibilidade com os valores cristãos, seu “Deus acima de tudo”, sua insensibilidade e desumanização, sua incapacidade de sentir, sua displicência com as vítimas da pandemia, sua incapacidade de governabilidade, sua autossuficiência capaz de isolar o Brasil do mundo: fatores que o levaram a derrota. Ao não ser reeleito, o Brasil deu o recado que neste país não tem espaço para esse “projeto político”.
Por outro lado, mais de 30 milhões de brasileiro não foram às urnas. Toda campanha eleitoral e todo método de escolha de liderança passam por um processo de identificação, de identidade da persona e do líder candidato. Nem Lula nem Bolsonaro criaram essa empatia. Isso faz com que, independentemente de quem fosse eleito, sairia das urnas tendo mais oposição que situação. As urnas desenham um desafio para o presidente eleito. Seu trabalho será de reconquista da confiança e da identificação dessas pessoas para que o país volte a ter governabilidade.
Por fim, nas urnas, também vimos o tamanho do bolsonarismo, ou da direita. Quase metade dos votos válidos confirmam e autorizam o discurso de Jair Bolsonaro. Alguns cientistas políticos chegam a dizer que bolsonarismo e direita são espectros diferentes na régua da política, mas, independentemente de tudo isso, dada a história recente da democracia do nosso país, podemos dizer que Bolsonaro saiu da urna maior do que entrou. Agora, resta saber o que ele fará com seu capital político.
Em meio à mensagem das urnas, e ao silêncio do presidente (do qual saiu nesta terça-feira (1), todo processo eleitoral deve plantar em nós um desejo de utopia. Em meio a esse Brasil divido, o sonho pode nos unir. Sonhar em ver um Brasil com igualdade, sem corrupção, com mais gente cobrando que idolatrando seus políticos, com pão em todas as mesas, com mais pontes que muros, com mais pessoas buscando a verdade do que crendo em vídeos editados, fake news. Com mais gente vendo e conversando com o diferente, com pessoas de partidos opostos trocando ideias. Com Deus mais no meio de nós que acima de todos.

Vinicius Figueira

É publicitário. Uma visão mais humanizada dos avanços tecnológicos e das próprias relações sociais tem destaque neste espaço. Escreve às quintas

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