Há algum tempo, neste espaço, conversamos sobre os "influencers" e seu papel social no mundo digital. Falamos ainda do quão importante essas figuras se tornaram ou ainda como o digital ascendeu pessoas comuns a personalidades. Se antes a TV produzia ícones contáveis, hoje, no digital, essa produção se dá em larga escala. Assim, a proposta é pensar de forma mais ampla sobre esse tema no que tange a duas palavrinhas bem comuns a essas figuras: exposição e saúde mental.
A primeira palavra vai ao encontro de umas das frentes das redes sociais: lugar de exposição. Exposição de ideias, de dicas, de vida, de realidade, de cotidiano. Exposição exige duas coisas: lidar com o tempo e lidar com as expectativas. O universo dos influencers é bastante desafiador. Passar o dia sendo guiado por uma câmera e, por vezes, guiado por uma pergunta: o que os outros vão pensar disso ou daquilo? A exposição exige saber lidar com os olhos de uma câmera e com os olhos dos que o seguem. Como gerir esses dois olhares?
Talvez tenhamos chegado ao miolo da nossa conversa de hoje. Gerir o tempo, as expectativas e os olhares. Recentemente, eu ouvia de uma psicanalista esta frase: “A pergunta 'o que os outros vão achar disso?' é a pergunta que mais compromete a nossa liberdade”. Deixar de fazer o que desejamos com medo do que o outro vai pensar, do que o outro vai julgar, ou fazer, é escravidão (emocional).
Mas precisamos admitir que todos nós, não só os influencers, permitimos que a opinião do outro ocupe um lugar em nós, talvez, até porque tenhamos a atitude de julgar ou ainda tenhamos aprendido isso com nossos pais: "Meu filho, precisamos fazer as coisas para sermos reconhecidos depois ou sermos reconhecidos lá fora". Talvez não tenhamos sido educados para “bater palmas para nós mesmos”.
Nesse Setembro Amarelo, tanto nós, como publicitários, tanto as marcas e seus gestores, precisamos, sobretudo, incentivar os embaixadores das nossas marcas a lidar com as perdas, lidar com as fragilidades e lidar com os limites, ou melhor, estabelecer limites.
Aos influencers, que possam usar das suas redes para conversar e plantar uma cultura de imperfeição, de humanização e de reconhecimento que o mundo ideal não é o da maquiagem, mas das marcas, das expressões; que o mundo ideal não é mundo de ter que ser forte o tempo inteiro, mas respeitar os momentos de fraqueza, se permitir cair, ficar na sua.
Quanto aos seguidores: que possamos viver um processo de “desconstrução de expectativas” e aceitação do outro como tal. O que nos incomoda em um influencer não diz respeito ao outro, mas a nós, por isso só nos cabe aceitar e acolher o outro da forma como ele é. Agindo dessa forma, estamos influenciando o influencer a viver a sua liberdade, e a ter mais saúde mental em meio a tamanha exposição.