De tempos em tempos, o mundo se reúne para sentir o clima do clima, no mundo, na política e no meio ambiente e, assim, traçar rumos, nortes e caminhos para garantir a sustentabilidade, existência e sobrevivência do planeta. Para transformar os rumos do clima do globo, não será uma COP apenas, mas a mudanças de clima na política, na sociedade e na educação.
Falar de meio ambiente, de clima, de sustentabilidade, é quase sempre mexer no calcanhar de Aquiles do capitalismo, da política e dos grandes, no mundo. Por que é tão difícil pisar no freio, virar o volante e mudar a o caminho pelo qual está indo o mundo? Primeiro porque o mundo foi constituído na esteira do consumo, da não preservação, da exploração do que se tem ou possui. A frase de maior efeito talvez pode ser essa: o mundo foi constituído na esteira do consumo. Mudar significa transformar os alicerces do mundo.
A Organização Mundial da Saúde declarou que, até 2025, metade da população mundial viverá em áreas com escassez de água, e as questões relacionadas à água estão intrinsecamente ligadas às mudanças climáticas. E mais: Segundo a ONU, a Terra ainda aquecerá cerca de 2,5 ºC neste século, superando, portanto, a meta do Acordo de Paris de manter o aquecimento global bem abaixo de 2 ºC. Segundo a Organização Meteorológica Mundial, as temperaturas na Europa aumentaram mais que o dobro da média global nos últimos 30 anos – as mais altas de qualquer continente do mundo.
Transformar os alicerces do mundo significa transformar o alicerce de onde o próprio sistema político está apoiado. Eis a questão! A Agência Internacional de Energia projetou, há poucos dias, que a receita líquida dos produtores de petróleo e gás dobrará em 2022 “para US$ 4 trilhões sem precedentes”, ganho inesperado de US$ 2 trilhões! Enquanto quem explora lucrar e financiar o sistema, padeceremos. Enquanto o lucro da exploração foi maior que da preservação, padeceremos. Enquanto o clima da política e da mentalidade não mudar, padeceremos.
Alguns já antecipam que da COP 27 não podemos esperar nada. Greta Thunberg puxou a fila. O que sabemos é que na COP deste ano, pela primeira vez, há o pavilhão das crianças e juventudes. Parece que a juventude transporta uma primavera e segue confiando que ações climáticas mais ambiciosas, que colocam as pessoas no centro ao invés do lucro, são possíveis.
Durante a conferência, os países devem definir aspectos centrais para a implementação do Acordo de Paris, falar sobre os compromissos que estão sendo trabalhados por eles e dar previsibilidade ao financiamento climático.
Esperança: esse é o clima!