Quando pequeno, me recordo dos adultos que sempre diziam: cuidado, tudo que fazemos tem uma consequência, ou boa ou ruim. Depende do que fazemos. Bom, Newton já dizia isso na terceira lei da física: toda ação tem uma reação. Pelo que parece, é isso que estamos vendo no Brasil, nas últimas cenas e narrativas da história. Todos nós estamos, de certa forma, comovidos com os atentados que estamos vendo nas escolas. Sim, atentados. A expressão está no plural.
Foi no norte do nosso Estado tempos atrás, recentemente Blumenau, São Paulo, Maquiné no Rio Grande do Sul e por aí vai. A impressão é que o efeito parece ser cascata. Os estudiosos no assunto já dizem que quanto mais proliferação de imagens, cenas, mais apetitosa se torna para os extremistas a reprodução dos atos. Nesse caso, entram o poder das redes sociais e o cuidado para com o compartilhamento das mensagens.
A socióloga Carolina Ricardo, diretora do Instituto Sou da Paz, avalia que a mudança na forma de socialização dos jovens, que agora é intensamente intermediada pelas redes sociais, aumentou o contato de alguns com comunidades que propagam ideologias criminosas. Ela realça: "Não necessariamente todos os casos estão ligados a isso, mas sabemos que tem acontecido uma radicalização crescente do uso das redes com o surgimento de grupos de ódio".
Nesse sentido, a sequência de mesmo fato vem justamente posteriormente a um período de endossamento do discurso de ódio, ataques extremistas, valorização de símbolos e de momentos fascistas. Não necessariamente todos os casos estão ligados a isso, mas sabemos que tem acontecido uma radicalização crescente do uso das redes com o surgimento de grupos de ódio. Recentemente, em Aracruz, o jovem responsável pelo episódio de violência usava sobre a manga da roupa uma braçadeira com um emblema que era usado por nazistas alemães.
Até então, esse discurso e narrativa estavam autorizados e o preço dessa autorização está saindo muito caro. Muitas vidas estão sendo ceifadas, inocentes estão pagando, famílias dilaceradas e um país inteiro refém do efeito cascata. Ainda nesta semana, temos acompanhado vários movimentos, em diversos estados do Brasil, pedindo mais segurança nas escolas. Vejam a que ponto chegamos!
O discurso de ódio não é/era apenas uma falácia política, era uma autorização (inconsciente?) para que tudo isso que estamos vendo se tornasse possível. A fórmula que se aplica à fisiologia humana se aplica para as circunstâncias da vida: nossa força e nosso vigor dependem da nossa nutrição. Quanto mais o ódio for nutrido, mais violência e mais eventos sangrentos veremos. O culpado pelos ataques nas escolas não pode ser apenas quem assassina, mas quem autoriza o pensamento e discurso odioso.