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Brasil

O século 21 e os seguidores da ignorância e do negacionismo

Passados quase dois anos de pandemia, as narrativas insustentáveis seguem fazendo sentido para muitas pessoas e, agora, ao redor da vacinação

Publicado em 22 de Julho de 2021 às 02:00

Públicado em 

22 jul 2021 às 02:00
Vinicius Figueira

Colunista

Vinicius Figueira

viniciusfigueira18@gmail.com

Pessoa fecha os olhos em negacionismo e ignorância
A palavra ignorância carrega em si um sentido próprio: estado de quem não está a par da existência ou ocorrência de algo Crédito: kues/Freepik
Desde que a pandemia surgiu no Brasil, surgiu com ela a narrativa e os mestres do negacionismo e da proliferação da doutrina da ignorância. Se por um lado o mundo buscou se escorar na ciência, o Brasil teve uma minoria de discípulos que preferiu seguir a ignorância. A palavra ignorância carrega em si um sentido próprio: estado de quem não está a par da existência ou ocorrência de algo.
A ignorância é parente do negacionismo, andam juntas e se encarregam de fazer seguidores. Alguns chegam a comparar a ignorância com um vírus que infesta e se instala nas camadas celulares da sociedade, gerando consequências drásticas a ponto de colapsar o sistema político e mental das pessoas. Durante toda a pandemia assistimos, embora a ciência tenha mostrado a importância do uso da máscara, imagens que mostravam radicais xingando pessoas que usavam o item para se proteger do coronavírus. As cenas são retrato perfeito do mal que a ignorância é capaz de fazer com um país.
Passados quase dois anos de pandemia, as narrativas insustentáveis seguem fazendo sentido para muitas pessoas e, agora, ao redor da vacinação. Volta e meia, ouvimos ou lemos depoimentos de quem diz: "não tomo essa vacina, o vírus não existe, isso é invenção para ganhar dinheiro", ou ainda "eu tenho fé em 'Deus' e por isso o vírus não me pega".
A onda que atinge uma minoria não é pequena, ela começou lá atrás e segue fluindo sobre o mar da sociedade. Há mais ou menos três meses eu acompanhava uma notícia em que um homem graduado se convencia de que não precisava tomar vacina, usava máscara no queixo, e questionava o comércio híbrido. Há uns 15 dias chegou a notícia de que ele veio a falecer por complicações da Covid-19.
Esse homem (faço questão de não citar nomes, não só por ética, mas porque muitos podem se identificar a partir dos comportamentos, personalidade e crenças desse sujeito), embora graduado, preferiu seguir a ignorância, preferiu ignorar a realidade e a ciência, e colheu as consequências da forma mais brutal possível: a morte.
A ignorância nasceu com o ser humano. Se pararmos para olhar o enredo da História, iremos perceber isso. No tempo da pedra lascada, a ignorância predominava. Os conhecimentos eram escassos. Matar, devorar e usar da força, era defesa. No coliseu de Roma, gladiadores produziam espetáculos de morte e eram ovacionados.
Passados milhares de anos, cá estamos nós. Mesmo com um acesso renomado à ciência, há quem prefira a ignorância. Mesmo tendo recursos de proteção à vida, há quem prefira a morte. Mesmo que tenhamos possibilidade de tocar o real, há quem prefira negar e continuar navegando no mar das convicções sem sentido.
Passados milhares de anos, há quem siga a ignorância e frequente coliseus contemporâneos, aos gritos de indiferença com a morte. O que fazer quando o país chega nesse estágio de loucura em pleno século 21?

Vinicius Figueira

É publicitário. Uma visão mais humanizada dos avanços tecnológicos e das próprias relações sociais tem destaque neste espaço. Escreve às quintas

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