Hoje é o dia do professor. Dia desse profissional que, como dizia Cora Coralina: “transfere o que sabe e aprende o que ensina”. Neste ano, a pandemia do coronavírus modificou muitas coisas, e uma delas foi a forma de fazer educação. Se antes o pai não participava tanto da vida do filho na escola, agora ele foi obrigado, e daí o professor passou a ser mediador do ensino, e os pais, aplicadores da didática. Nessa transformação educacional, o professor foi reposicionado no seu lugar.
Esta nova realidade, ou então (como estamos chamando) este "novo normal", ressignificou a vocação desse profissional que antes educava sozinho na sala, agora educa com a família dentro de cada casa. Antes tomava conta da criança a sós, enfrentava as faltas de limites, a indisciplina e as debilidades; agora, no dia a dia, os pais precisam enfrentar tudo isso, sem a chance ou condição de transferir nada para o professor.
Aqui mora o conceito e o trunfo da mensagem sobre a qual estamos refletindo: o professor não como disciplinador, educador de regras, mas transferidor de conteúdo, sabedoria, mestre da crítica construtiva. Professor que faz papel de professor e não de pai ou mãe, ainda que o carinho deles, seja como carinho de mãe ou de pai.
Por outro lado, o grito desses profissionais sobre os quais a pandemia nos força a refletir ainda não é ouvido o suficiente, quer quando o grito expressa um clamor por salário digno, quer um grito que diz: "ainda não é hora retomar às carteiras das salas de aula, estaremos expostos aos riscos, à morte".
Hoje, recordamos essa figura de valor. O papel do professor é, contudo e sobretudo, a base da conquista de todas as outras profissões. É um clichê? Sim. Mas, deve ser repetido mais e mais. Um médico só é o melhor médico da clínica porque teve professores, o escritor só é bom escritor porque teve um professor, e assim com todas as profissões. Portanto, o professor é degrau que nos conduz ao máximo possível. Porém, como todo degrau, ele serve para subir, mas logo fica para trás.
É hora de voltar o nosso olhar para a “escadaria” de professores que nos fizeram chegar onde chegamos e sermos gratos porque, além da disciplina, nos ensinaram a pensar, a compartilhar sabedoria, nos ajudaram a ser mais gente. E hoje, com a luz desse artigo, que é, sobretudo, uma homenagem aos professores do nosso estado, eu diria que quando olhamos para trás dessa escada, tiramos a conclusão que a maior lição que cada professor pode nos dar é a da humildade. É a profissão que se contenta em ser degrau, mas é também o profissional que se enche de gratidão e não de inveja quando vê aquele aluno no topo. Humildade.
Precisou uma pandemia nos mostrar o valor de um professor? A resposta é no singular e cabe ao pai, à mãe e a todos nós. E esperamos que também as lideranças políticas comecem a ouvir os gritos dessa classe que, como outras, também teve que se reinventar sempre movida pela paixão de ensinar, de ser degrau, de em meio a uma pandemia ver o seu aluno ir mais longe. Parabéns, professores!