Essa pergunta pode estar lhe acompanhando há algumas semanas. Aliás, acho que nunca refletimos tanto sobre “como será o depois” como nesses tempos de pandemia. Pensar no futuro pode não ser só uma prática de ansiosos, mas de estrategistas, empreendedores, idealistas e por aí vai. Podemos dizer que o novo mundo que está sendo fermentado nesse momento vai gerar uma nova massa social, com comportamentos, estilos e modo de ser totalmente diferentes.
Acompanhando um pouco dos noticiários nesses dias, pude ver como está sendo difícil para alguns casais ficarem em casa, juntos, confinados nessa quarentena. Fala-se até de um alto número de divórcio nesse período. Sinal que as relações humanas estão passando por mutações desde já. Nunca nos encontramos tanto com a gente, como nesse tempo. Nunca tivemos tantos incômodos.
Digo ainda que o momento de confinamento, além de evidenciar a força motriz da internet, como já tratamos na quinta-feira passada, também está explicitando o valor das relações humanas, o valor da presença, do tato, do contato, do cheiro dos amigos, vizinhos, parentes, enfim.
Para mim, o coronavírus, embora esteja gerando uma sociedade ainda mais virtual, por outro lado revela que não dá para viver somente tocando na tela, isso gera patologias. Precisamos do contato das pessoas muito além daquelas salvas na agenda do telefone. Precisamos da presença delas. Se olharmos a resposta das pessoas em função da pergunta: "o que você vai fazer depois da quarentena?”, é unânime: vou fazer cabelo, vou ver minha mãe, vou sair, vou jogar bola. Veja: a resposta é para além do digital. Talvez, usemos o celular para registrar esse momento e compartilhar nos stories, mas o contato entre as pessoas vai ser outro.
Assim percebo que o novo normal que desponta vai mudar a nossa relação com o digital. As festas com os amigos, com os colegas de trabalho, o abraço... Tudo isso será mais que um valor, vai ser necessidade gerada nesse momento. Não será mais suportado uma comunicação engessada e simplesmente disparada. Vamos ter que encontrar uma forma da comunicação, ter cheiro de gente, ter textura humana, ou seja, minha comunicação vai precisar assumir uma fisionomia ainda mais humana.
Em paralelo, vamos ver novos formatos de comércio emergindo. O comércio digital já está se fortalecendo e a praticidade vem ocupando o seu lugar nas relações de compra e de comportamento do consumidor. Também veremos que os dados serão ainda mais necessários. É chegado o tempo das marcas saberem decifrar essas tendências para responder com campanhas à altura. Ainda assim, imagino que a grade lição que podemos tirar nesse momento é que as mudanças são constantes e as estratégias não podem ter formato de “para sempre”.
É um novo mundo que desponta. Não temos realidade, temos hipóteses, cenários. Dentro de cada um nasce um novo ser e não sabemos como ele vai andar, como ele vai conversar, como ele vai ser. Estamos todos renascendo, inclusive deve renascer uma nova comunicação, uma nova forma de mensagem, para conversar com esse mundo.