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Eleições 2022

Que falta nos faz um Brasil no divã

O resultado das urnas é o resultado do Brasil que nenhuma pesquisa deu conta de mostrar. Há um Brasil escondido? Pode ser que sim, pode ser que não. As urnas mostraram uma fotografia de tudo aquilo que vivemos nos últimos 20 anos

Publicado em 06 de Outubro de 2022 às 00:30

Públicado em 

06 out 2022 às 00:30
Vinicius Figueira

Colunista

Vinicius Figueira

viniciusfigueira18@gmail.com

Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e Jair Bolsonaro, do PL, candidatos a Presidente nas Eleições 2022
Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro Crédito: Renato Pizutto / Band e Marcelo Camargo / Agência Brasil
Acabou o primeiro turno. Sufoco? Angústia? O que você mais sentiu? Bom, os sentimentos foram múltiplos, mas um único permeou a todos: o bolsonarismo é bem maior que o Bolsonaro. As pesquisas erraram porque foram atrás dos votos em Bolsonaro e não nos votos bolsonaristas. Isso sugere que aqueles e aquelas que querem ver Bolsonaro fora do Planalto precisarão ir além, não se trata de erradicar um presidente, mas um movimento que tende a continuar ainda que Bolsonaro não exista em Brasília.
Por outro lado, temos Lula, que se imaginou maior? Pode ser, mas até mesmo as pesquisas mostraram que o lulismo é do tamanho de Lula. Nesse momento, o tamanho do Bolsonaro mete certo medo no lulismo e faz com que seus militantes tomem agulha e linha para costurar apoiadores. Se antes da política, ilustramos a corrida eleitoral de 2022 como um cabo de guerra, agora tem quem já a ilustre como uma guerra, somente.
O resultado das urnas é o resultado do Brasil que nenhuma pesquisa deu conta de mostrar. Há um Brasil escondido? Pode ser que sim, pode ser que não. As urnas mostraram uma fotografia de tudo aquilo que vivemos nos últimos 20 anos no Brasil. O petismo deu espaço para o bolsonarismo e ambos, aos extremos, dividiram país em norte e sul, literalmente.
Se é que podemos analisar essa fotografia, diríamos que tanto a esquerda como a direita, quando governam, deixam o outro lado com um buraco (que podemos nomear de carência), razão pelo qual estamos hora indo pra um lado e hora para o outro. Alguém me perguntava recentemente: como sair disso? Eu respondia que talvez, pudéssemos sair disso colocando o Brasil no divã para dar conta de ver seus vazios, dar sentido para suas queixas e ressignificar sua história.
Por não se conhecer, “o Brasil está matando o Brasil”, frase escrita recentemente por Mariliz Pereira Jorge. “Depois deste 2 de outubro, percebi que sei pouco do país onde vivi quase 50 anos. Domingo me deparei com um lugar mergulhado num estado de decadência moral, distante daquele com o qual sempre me identifiquei”, destacou ela.
Vamos ao segundo turno. Esse momento começou sendo marcado pelo uso exagerado da religião e de Deus. Mas que Deus? A direita tenta fazer de tudo para dizer que Lula não é cristão. A imagem dele está no satanismo, nisso ou naquilo. Quanto à esquerda, tenta impulsionar a imagem de Bolsonaro na Maçonaria e faz com que ele percorra porta a porta de templos evangélicos (mesmo que ele sempre tenha feito isso).
Há muitos políticos usando o nome de Deus, mas pode não ser o Deus de Jesus Cristo. A política já revelou para a teologia que Deus não é um só. Há Deus inventado, projetado, ensimesmado.
Que falta nos faz um Brasil no Divã.

Vinicius Figueira

É publicitário. Uma visão mais humanizada dos avanços tecnológicos e das próprias relações sociais tem destaque neste espaço. Escreve às quintas

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