As notícias falsas têm, de certa forma, “conquistado” nossos dias e nosso cotidiano. Elas representam ideias, ideologias, convicções, crenças e estão presentes, sobretudo, no universo digital, pela força do algoritmo, com seu mecanismo de busca e de indicação. As fake news moram nas bolhas que habitamos, a partir do que mais curtimos, mais desejamos e mais compartilhamos.
Hoje, trago o resultado de um estudo recente apontando que o uso do TikTok como ferramenta de busca por conteúdo noticioso vem aumentando e, com ele, a abrangência da desinformação: de acordo com um levantamento conduzido pela empresa de segurança NewsGuard, as buscas feitas no aplicativo de vídeos curtos acabam recomendando material cheio de desinformação – ou “fake news”, no termo popular – cerca de 20% do tempo.
De acordo com o relatório divulgado, a NewsGuard analisou 540 vídeos, dos quais 105 foram classificados por ela como “conteúdo contendo informações falsas”. O grupo desempenhou a pesquisa ao buscar, no mecanismo do próprio TikTok, por vídeos que tratassem de assuntos de proeminência nos veículos de imprensa em setembro.
Executivos do próprio Google reconheceram recentemente que o TikTok vem se tornando o mecanismo de busca padrão da geração Z (pessoas nascidas entre 1995 e 2005, na transição da era digital) – efetivamente atrapalhando a hegemonia do próprio Google no campo de informações da internet em todos os aspectos: Busca, YouTube, Maps, Notícias…o TikTok conta com algum resultado em qualquer um destes pilares, razão pelo qual a situação se torna problemática.
O que isso significa? Essa é a pergunta. Recentemente eu dizia em artigo, aqui em A Gazeta, que hoje, existem influencers para tudo e para todos, e isso é crescente. Todos viram na internet um espaço de exposição de si mesmo, das suas ideias, das suas crenças e suas carências. Assim, nota-se em gênero inúmeras pessoas gastando energia para defender a suas verdades frente às outras para ganhar likes, engajamentos e envolvimento. Nunca na história tantas pessoas gastaram tanta energia para terem razão.
A questão é que danças, humor, sátiras, estão a serviço da desinformação. Estamos falando de um público bastante jovem que se informa (e não se forma) a partir das redes sociais. Por outro lado, não é de hoje que o marketing digital, voltado para o engajamento de apoiadores nas redes sociais, está no centro da estratégia política.
Carecemos de regulamento? Carecemos de legislação? Carecemos de consciência?