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Eleições 2022

Vamos escolher um presidente ou derrotar uma ideologia?

Parece que estamos vivendo um tempo de “muito calor e pouca luz”, como realçou o entrevistador Pedro Bial no seu programa de entrevistas e conversas há um tempo atrás

Publicado em 29 de Setembro de 2022 às 00:15

Públicado em 

29 set 2022 às 00:15
Vinicius Figueira

Colunista

Vinicius Figueira

viniciusfigueira18@gmail.com

Hoje é quinta. Estamos a 3 dias das urnas. Parece que estamos vivendo um tempo de “muito calor e pouca luz”, como realçou o entrevistador Pedro Bial no seu programa de entrevistas e conversas há um tempo atrás. A frase, que se encontra entre aspas, pode ser uma lente para lermos os contextos eleitorais que estamos vivendo nos últimos dias, semanas e meses.
Já falávamos neste espaço que este ano o processo eleitoral seria, de fato, bastante tenso e intenso. Dizíamos ainda que poderia ser um processo, não para escolher um presidente, mas para derrotar o bolsonarismo.
As eleições estão de fato mais aquecidas que iluminadoras. Aquecidas de ódios, mortes, agressões, intolerâncias, vídeos de campanha falando mal de um e de outro. Pouco iluminada de projetos de país, de Estado, de governo, de ideias, de lideranças. Pouco se discute de programas, projetos e caminhos, mas ideologias, pessoas e seus estigmas.
Recentemente, eu encontrei uma pessoa que me perguntava: "Em quem você vai votar? Estou sem candidato. Não consigo decidir por ninguém". Para ela eu não respondi em quem votaria, mas com outra pergunta: "Por que a senhora não conseguiu decidir ou escolher?" Ela me disse: "Porque é um falando mal do outro e, desse modo, eu não sei em quem confiar".
Interessantes essas frases ou respostas. Podemos lê-las tirando conclusão que vivemos e estamos vivendo, campanhas destiladoras e arruinadoras. São campanhas pessoais. Não está sendo possível decidir, via campanha, pelo que o candidato vai fazer pelo Estado ou país, mas pela pessoa. Não que isso não seja importante, mas parece que estamos apenas nisso.
Domingo vamos às urnas, lugar sagrado da democracia. O que nela vamos depositar: um voto? Uma esperança? Um projeto de país? Um presidente? Ou uma derrota ideológica? Ou uma confirmação daquilo que cremos e estamos vivendo? Já dizia o poeta que a pergunta tem poder de nos salvar mais que a resposta.
Parece que estamos chegando ao final da campanha com a sensação da senhora citada acima. Vazios? Gosto de pensar e de crer que a eleição e a campanha política equivalem a um tempo de discernimento ou ainda uma chama – a chama pode iluminar e pode eliminar. Que sentido ela tem para mim neste momento? Meu voto será iluminador (vamos escolher um presidente) ou eliminador (vamos derrotar uma ideologia)?
Talvez as respostas venham domingo, ou venham no final de outubro, ou venham daqui quatro anos, apenas.

Vinicius Figueira

É publicitário. Uma visão mais humanizada dos avanços tecnológicos e das próprias relações sociais tem destaque neste espaço. Escreve às quintas

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