Talvez essas sejam as duas imagens da semana: um cortejo e um enterro. Na terça-feira (10), o Congresso Nacional se tornou pauta nessas duas situações, do lado de fora um cortejo de blindados, do lado de dentro, o sepultamento do voto impresso. Do lado de fora, Bolsonaro se mostrou blindado, mas do lado de dentro fracassado, por ter tido uma pauta aspirante para o próximo ano, que é ano eleitoral. Parece que a justificativa do presidente, bem como sua linha retórica para uma possível derrota nas temidas urnas, pode está montada.
O Brasil assistiu nesta semana às imagens um tanto quanto simbólicas, que podem fazer muito sentido através da mais pura realidade do governo Bolsonaro: por fora militar, blindado, mas, por dentro, as limitações, as intransigências, as incompreensões, as frustações se encapsulam na couraça militar. Muitos parlamentares viram no ato do desfile uma intimidação por parte do governo ao parlamento e às lideranças políticas. E até uma intimidação à democracia, justamente pelo casamento das datas: um desfile de blindados com a votação de pautas requeridas e sustentadas pelo governo.
Todavia, parece que o cenário vai além e muito além. O governo que pela manhã foi telespectador de um desfile, à noite tomou um cálice amargo servido pelo seu “Centrão”. Seis partidos mais identificados como componentes desse grupo deram 69 votos a favor do texto, mas deixaram de dar outros 73 apoios à matéria.
A conta leva em consideração os 46 votos contrários provenientes de deputados de Progressistas, PL, PTB, Republicanos, Avante e Pros. E ainda as 27 ausências, que significaram votos não concedidos. Sendo que os votos não entregues contribuíram para que os 308 necessários para aprovação da PEC não fossem alcançados.
Concluindo: o cortejo de blindados terminou a semana assumindo muito mais a fisionomia de um cortejo fúnebre. Bolsonaro segue remoendo em luto. Ele segue na luta por sustentar um Centrão que a princípio o blindaria, mas ele já viu que não é bem assim.
Por outro lado, podemos dizer que Bolsonaro segue firme com seu poder de dividir. O plenário não estava muito convencido pelo "sim" ou pelo "não". A votação terminou com deputados fracionados ao redor do tema que, passado algum tempo, poderá ressurgir e ganhar vida nova na pauta política. Bolsonaro soprou a brasa, acendeu a lareira, mas o fogo não foi adiante.
O Brasil segue convivendo com seu governo encouraçado e “armado” para justificar os medos e os fracassos. Para um militar, fracassar em uma guerra é se deixar vencer. Imagina para um militar como o Bolsonaro...