Ao longo do atual mandato, o governador Renato Casagrande (PSB) frequentemente colide com declarações e posicionamentos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). As discordâncias e críticas têm se aprofundado desde a chegada ao Brasil da pandemia do novo coronavírus, há pouco mais de um ano. A coluna compilou 20 momentos emblemáticos em que o governador do Espírito Santo criticou frontalmente o presidente da República. Neste domingo (28) iniciamos a série, publicando aqui os dez primeiros. Abaixo, você confere os outros dez, com a reprodução das frases de Casagrande sobre Bolsonaro:
"Nunca tivemos tanto desmatamento e tantas queimadas como agora. O Dia da Árvore é hoje, mas não temos muitos motivos para se comemorar. Sei que é difícil controlar focos de incêndio e desmatamento em um país do tamanho do Brasil. Mas a minha crítica é ao negacionismo. A falta de reconhecimento sobre o que está acontecendo assusta."
"Bolsonaro não lidera o país. Só lidera os seus seguidores. Só governa e fala para a sua facção política. Não quer nem sequer participar da coordenação de esforços contra o coronavírus. Nós, governadores, já perdemos a esperança nele. E estamos na linha de frente."
"O Bolsonaro está falando para seus seguidores, não está falando para a população brasileira. Não tem sido um líder do Brasil, mas dos seus seguidores. É diferente dessa função nobre que tem que exercer um presidente da República."
"Não podemos tratar todos os temas do Brasil no confronto. Tudo que foi discutido até agora foi tratado dessa forma. O governo federal confronta a decisão dos governadores, isso é muito ruim. O que nós queremos é uma coordenação nacional. Um trabalho conjunto para diminuir o impacto do vírus, que, se não for controlado, vai gerar um aprofundamento da crise. Não podemos viver eternamente em confronto. O presidente tinha que liderar esse trabalho."
"A palavra do presidente tem força, mas traz dúvidas para a sociedade. Mostra que estamos sem liderança e dificulta nosso trabalho. O problema é que a palavra dele pode estabelecer um relaxamento nas pessoas. Ele menospreza a pandemia e faz com que as pessoas deixam de ter os cuidados necessários."
"Meus decretos continuam em vigência. Nós não podemos relaxar. Esse é o problema da fala do presidente, ela gera dúvidas nas pessoas. [Elas se perguntam] posso sair ou não posso sair? Posso me reunir ou não posso me reunir? Essa fala é irresponsável, porque ela deixa dúvida na cabeça das pessoas."
"Pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro foi desconectado das orientações dos cientistas, da realidade do mundo e das ações do Ministério da Saúde. Confunde a sociedade, atrapalha o trabalho dos Estados e municípios, menospreza os efeitos da pandemia. Mostra que estamos sem direção."
"O presidente está sendo convencido por ele mesmo ou sendo convencido pela realidade e por isso, nos últimos dias, passou a tomar algumas medidas de redução do impacto dessa crise. Mas ele dá declarações muito contraditórias. Ao mesmo tempo que ele tem um ministro [Mandetta, da Saúde] que diz que o Brasil entrará em colapso, que nós temos que nos preparar para o pior, ele dá declarações de que essa crise não tem tamanho e que não é preciso ter preocupação com ela."
"Teve uma demora no convencimento de algumas autoridades do governo federal e esta semana parece que a ficha caiu. Pedimos ao governo federal que monte uma coordenação de assistência à saúde, proteção social e assistência econômica para conversar com os governadores."
"[A redução do ICMS] é um blefe. Se alguém tem que tomar a iniciativa, então ele que comece. Bolsonaro sabe que não tem como executar esse corte tributário e por isso cria uma discussão superficial, sem amparo nos números reais. Não podemos produzir factoides para enfrentar factoides. Temos que ter responsabilidade com a população."