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Eleições 202

A guerra de farpas entre Gandini e Pazolini na eleição em Vitória

Nas entrelinhas, Pazolini está insinuando que Gandini nunca precisou trabalhar de verdade porque sempre esteve à sombra política de Luciano, enquanto Gandini sugere que o oponente é ameaça para Vitória por só fazer brigar com Casagrande

Publicado em 18 de Outubro de 2020 às 13:00

Públicado em 

18 out 2020 às 13:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Gandini e Pazolini travam guerra de indiretas farpadas
Gandini e Pazolini travam guerra de indiretas farpadas Crédito: Amarildo
Os deputados Fabrício Gandini (Cidadania) e Lorenzo Pazolini (Republicanos) estão com um olho no eleitorado e o outro no adversário. Enquanto buscam amealhar mais votos, cada um está marcando o outro. Nos primeiros dez dias de propaganda eleitoral em larga escala no rádio e na televisão em Vitória, os dois postulantes ao cargo de prefeito da cidade têm protagonizado uma autêntica guerra de farpas, no seu televisor, computador ou celular, para quem quiser ver e souber ler nas entrelinhas.
Subliminarmente, Pazolini insinua que Gandini nunca precisou trabalhar nem se esforçar de verdade profissionalmente porque sempre viveu à sombra do prefeito Luciano Rezende, padrinho político e principal apoiador do candidato do Cidadania. Enquanto isso, Gandini insinua que, se virar prefeito, Pazolini vai prejudicar Vitória porque até hoje só fez brigar com o governo Casagrande. Se você perguntar diretamente a qualquer um dos dois, ambos vão negar que a intenção seja atingir o adversário. Só que é.
Vamos a alguns exemplos, com algumas considerações críticas sobre fragilidades de cada estratégia.

PAZOLINI: “SEI O VALOR DO TRABALHO”

Uma das maiores estocadas de Pazolini em Gandini até agora, por sinal bem sutil, veio logo em seus primeiros programas, quando ele destacou o seu currículo: 14 anos como delegado concursado da Polícia Civil, antes dos quais também foi aprovado em concurso para auditor do Tribunal de Contas do Estado (TCES): “Eu tenho uma profissão, assim como você. Sei o valor do trabalho. Não sou político de carreira.”
Aqui o alvo certo é Gandini. Informações de dentro da campanha de Pazolini dão conta de que o candidato buscará colar no adversário a pecha não de preguiçoso, mas de político profissional, carreirista e, acima de tudo, de alguém que nunca precisou batalhar de verdade para vencer numa profissão, pois sempre esteve “à sombra de Luciano”, emendando um mandato no outro com o apoio do atual prefeito.
Com efeito, Gandini exerce mandatos consecutivos há 12 anos, desde os 28 de idade: como vereador por uma década, de 2009 a 2018; e, desde 2019, como deputado estadual. Antes disso, foi assessor de gabinete do próprio Luciano na Câmara de Vitória.

CRÍTICA: O FATOR MADUREIRA

O ponto cego dessa crítica de Pazolini é: ok, com idade muito próxima (38), ele tem bem menos tempo de política que Gandini e só foi disputar o seu primeiro mandato em 2018. Mas, se nos concentrarmos no presente (que é o que mais importa), os dois estão querendo fazer rigorosamente a mesma coisa agora: abandonar pela metade o mandato de deputado estadual para o qual se elegeram em 2018. Ou seja, pular de um mandato para o outro antes do fim do atual.
Por esse ângulo, a carapuça de “político profissional” que Pazolini tenta colocar em Gandini também serviria a ele próprio: de certo modo, está fazendo o mesmo que atribui aos “políticos profissionais”, logo no início da sua trajetória política. E, no caso dele, com um agravante:
Se Pazolini vencer a eleição a prefeito de Vitória, quem assume a princípio o lugar dele na Assembleia, como 1º suplente, é ninguém menos que o ex-conselheiro do TCES Marcos Madureira (PRP), a antítese da ideia de renovação política que o delegado procura encarnar. Afastado do cargo pela Justiça em fevereiro de 2012, Madureira se aposentou do tribunal no ano seguinte e agora tenta retomar a atividade política
É claro que, pessoalmente, Pazolini não tem nada a ver com a votação obtida por Madureira em 2018 nem com o fato de ele ser o seu 1º suplente (o deputado se elegeu pelo PRP, na chapa de Madureira, e depois trocou de partido). Mas, caso esse cenário se confirme, o retorno do ex-conselheiro e ex-deputado à Assembleia será consequência direta de sua decisão de interromper o mandato parlamentar para o qual foi eleito, para poder se tornar prefeito. Será efeito colateral da decisão de Pazolini, pessoal e intransferível.
Pelo fato de o PRP ter se fundido ao Patriota em 2019, poderá haver alguma contestação judicial quanto à suplência de Pazolini. Já a suplente de Gandini é a ex-deputada Eliana Dadalto (PTC), candidata a prefeita de Linhares e, politicamente, uma figura bem mais leve que Madureira.

GANDINI: “NÃO ME PEÇAM PRA BRIGAR”

Subliminarmente, Gandini também já cutucou Pazolini (e, de quebra, Capitão Assumção) com a exibição, repetida por mais de um dia, de trecho de um discurso dele num evento de campanha, no qual ele destaca seu excelente relacionamento com o governo do Estado (é aliado de primeira hora de Casagrande), listando obras, sobretudo viárias, que começam a sair do papel graças a parcerias do Estado com o município:
“Não queiram que a gente brigue com o governo do Estado. Não peçam para a gente brigar com o governo do Estado. Nós não vamos brigar. [...] Por que nós vamos brigar com o governo do Estado? Essa tese está errada. Nós não temos que ter candidato contra A ou contra B. E não me peça para brigar com o governo federal também não.”

O QUE ISSO TEM A VER COM PAZOLINI?

Por um lado, há precedente muito recente na história política de Vitória que comprova a tese de Gandini sobre o quanto uma briga política entre chefes do Estado e do município pode ser danosa para esse último (o lado mais fraco da corda): de 2015 a 2018, Luciano governou com Paulo Hartung ocupando o Palácio Anchieta. A relação entre eles era péssima – para não dizer inexistente. Vitória já provou desse remédio amargo: por causa dessa briga política, passou quatro anos no purgatório, praticamente sem investimentos do Estado.
Com o retorno de Casagrande ao Palácio Anchieta, a boa relação da administração de Luciano com o governo estadual foi retomada. E Gandini afiança que, com ele na prefeitura, isso se manterá. Em Vitória, cumpre lembrar, predomina a avaliação positiva acerca do governo Casagrande, de acordo com a pesquisa Ibope/Rede Gazeta publicada na última terça-feira (13)
De fato, Pazolini moderou o tom na Assembleia nos últimos meses pré-campanha e, por óbvio, não vai brigar com o governo estadual em plena eleição municipal. Mesmo na Assembleia, ele sempre insistiu em se definir como deputado “independente”.
Mas não é tão fácil sustentar isso quando se passou os últimos dois anos na Assembleia votando contra o governo praticamente em todos os projetos mais importantes do Executivo, além de episódios em que ele e outros deputados bateram de frente mesmo com o governo, como na “visita técnica” ao hospital Dório Silva em 12 de junho, ápice da pandemia no Espírito Santo, tratada sem meio-termo oficialmente como “invasão” pelo governo do Estado.
Se Pazolini vencer a eleição e chegar à prefeitura, ele e Casagrande, como homens públicos, poderão cultivar uma produtiva relação institucional. Mas aliados políticos eles estão longe de ser.

CRÍTICA: CHEIRO DE SUBMISSÃO

O grande senão, ou vulnerabilidade, desse discurso de Gandini, é que pode transmitir um ar de subserviência, ou no mínimo uma inclinação para isso. Um prefeito não tem amigos em outras esferas administrativas. O que ele tem são interesses. No caso, os interesses da cidade governada por ele. Hoje Gandini e Casagrande são aliados políticos, mas e se amanhã, com ele eventualmente prefeito, o governo Casagrande contrariar de modo flagrante os interesses da cidade de Vitória? Ele nunca brigará em defesa do município?
E outra: o governo Casagrande tem prazo de validade: vence em 31 de dezembro de 2022. E se Casagrande não se reeleger e for substituído por um governador de outro campo político, adversário de Gandini e que faça com ele, na segunda metade de sua gestão (2023/2024), mais ou menos o que Hartung fez a Luciano em 2015/2018? Ele não vai se erguer contra isso? Ou esse discurso só se aplica aos amigos políticos?

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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