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Eleições 2020

A tropa do coronel Nylton Rodrigues na eleição a prefeito de Vitória

Em entrevista à coluna, candidato a prefeito pelo Novo alveja Gandini (candidato de Luciano) e os ex-prefeitos Luiz Paulo e Coser, que querem voltar à prefeitura: “Projetos de poder”. Também elenca seus colaboradores, entre os quais Hartung, e define ex-governador como “grande conselheiro”. Ainda promete que, se eleito, não disputará reeleição

Publicado em 28 de Agosto de 2020 às 05:00

Públicado em 

28 ago 2020 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Coronel Nylton mira em adversários eleitorais
Coronel Nylton mira em adversários eleitorais Crédito: Amarildo
Neste estágio da pré-campanha, nenhum pré-candidato a prefeito de Vitória tem chamado mais a atenção que o coronel Nylton Rodrigues (Novo) no quesito “críticas à gestão de Luciano Rezende”. Em suas redes sociais, à medida que calibra o seu discurso de campanha, o ex-secretário estadual de Segurança Pública tem intensificado a artilharia sobre o prefeito e a atual administração. E não só sobre eles.
Na entrevista abaixo, reeditando seus mais recentes posts, Nylton dispara também em outros alvos: sobra para os ex-prefeitos Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) e João Coser (PT) – potenciais concorrentes de Nylton, já que ambos pretendem retornar à Prefeitura de Vitória a partir de 2021. Para o ex-comandante-geral da PMES, tanto os dois ex-prefeitos como o deputado estadual Fabrício Gandini (Cidadania), candidato de Luciano, representam “projetos de poder” e “ciclos já encerrados em Vitória”.
Ao mesmo tempo, Nylton elenca seu rol de principais colaboradores na campanha, tanto na elaboração do plano de governo como na definição de estratégias políticas. Dos nomes citados pelo pré-candidato, surge uma certeza muito clara: nessa disputa pelo comando da Capital, o time do ex-comandante é o “time Paulo Hartung”.
Entre os auxiliares mais próximos, estão figuras com perfil técnico e político com passagens pelo primeiro escalão de governos de Hartung em Vitória e no Estado, como Anselmo Tozi, Haroldo Corrêa Rocha e Regis Mattos. Os dois últimos foram colegas de Nylton no secretariado do último governo de Hartung (2015/2018).
Nylton também cita a colaboração informal que vem recebendo por parte de um grande coordenador de campanhas, também bem relacionado com PH: o ex-secretário estadual de Planejamento Robinho Leite, um dos cérebros da campanha de Hartung contra Renato Casagrande (PSB) em 2014 e um dos grandes responsáveis por seu retorno ao Palácio Anchieta.
Todos são muito elogiados pelo pré-candidato do Novo. Mas o elogio maior é reservado ao próprio ex-governador. Definido por ele como um “grande conselheiro político”, Hartung é chamado por Nylton de “melhor prefeito de Vitória nos últimos anos” (então filiado ao PSDB, ele governou a Capital de 1993 a 1996).
Até por conta de sua relação tão estreita com Hartung e com tantos hartunguistas, perguntamos ao pré-candidato se também ele não representaria outro “grupo de poder” nessa disputa. Nylton argumenta que são coisas diferentes e ressalta o seu perfil técnico, bem como o fato de essa ser a sua primeira eleição. Para reforçar seu argumento, lembra que também deu contribuições importantes a Casagrande em seu primeiro governo (2011/2014) e ao prefeito da Serra, Audifax Barcelos (Rede).
Na entrevista exclusiva, o coronel ainda assume um compromisso em primeira mão:
"Eu não venho para a reeleição. […] Pode publicar. Não virei para a reeleição porque acredito que essa é a política moderna de que Vitória precisa, com líderes que tenham projeto para a cidade, e não projeto de poder, para querer ficar oito anos e depois ficar mais oito anos. Essa história de ficar 16 anos no poder, a gente já viu esse filme antes no país."
Nylton Rodrigues (Novo) - Pré-candidato a prefeito de Vitória
Confira abaixo a entrevista completa de Nylton Rodrigues:

Os partidos costumam realizar suas convenções no limite do prazo legal (que, no caso desta eleição, vai até 16 de setembro). Fazem isso para buscarem firmar alianças e avaliar os melhores “encaixes” até o último momento. O Novo em Vitória, no entanto, marcou a sua para 1º de setembro. Vocês não pretendem se coligar com ninguém?

O Novo virá numa chapa puro-sangue, sozinho. Minha vice já está definida: será a professora, pesquisadora e executiva Patricia Bortolon. O Novo não utiliza recursos do Fundo Partidário para campanhas políticas. Não utilizamos dinheiro público. Para se coligar conosco, o outro partido também tem que ter essa postura. Como somos os únicos que não utilizamos, não tem ninguém para nos coligarmos. Seria totalmente incoerente. Então a coerência faz com que não façamos coligações.

E como você pretendem financiar a sua campanha a prefeito?

Com recursos próprios, do suor do meu trabalho. E com a doação de pessoas físicas que acreditam em nosso projeto. Apenas assim. Será uma campanha humilde em recursos financeiros, mas rica em ideias, para melhorar a qualidade de vida dos moradores de Vitória. Tenho compromisso moral que possuo com minha cidade, por minha trajetória, de abrir mão dos recursos públicos para financiar minha campanha. Não dormiria tranquilo ao saber que estava usando, em benefício próprio, político, para minha campanha, uma verba que deveria estar sendo usada em creches, hospitais e outras ajudas para quem perdeu tudo na pandemia. Então o não uso do dinheiro público na minha campanha foi uma das razões que me fez escolher o partido Novo. Devolvermos R$ 36 milhões a que teríamos direito por meio do Fundo Eleitoral.

Isso nacionalmente, não é?

Sim. Desses R$ 36 milhões, o Novo tem candidato a prefeito em 35 cidades do país. Então viriam aqui para Vitória pelo menos R$ 1 milhão, de acordo com o tamanho da população.

O que você estão fazendo para atrair doações voluntárias de pessoas físicas?

Já temos uma vaquinha online ativada e estamos fazendo a divulgação entre os amigos e nas redes sociais. Essa é a única estratégia. Abrimos a vaquinha online na semana passada e fizemos uma divulgação muito humilde. Após a convenção, vamos fortalecer isso.

Falando em “fortalecer”, gostaria de passar pelos seus parceiros e colaboradores na construção dessa candidatura. Foi divulgado na imprensa, há poucos meses, que dois ex-secretários estaduais no último governo de Paulo Hartung, por sinal colegas do senhor no 1º escalão, estão colaborando em sua campanha: Haroldo Corrêa Rocha e Regis Mattos. Eles estarão de fato na campanha?

Estão comigo na confecção do nosso plano de governo. Além dos dois, um terceiro nome que está ajudando muito na elaboração do plano é o Anselmo Tozi, que também, historicamente, faz parte das equipes do governador Paulo Hartung.

Em que áreas, respectivamente?

O nosso Regis Mattos é o coordenador geral do plano de governo. O Haroldo na área da educação. E o Anselmo na área da saúde.

E na segurança, que é sua área, tem alguém encarregado?

Tem meus colegas de trabalho, que estão me ajudando. Mas eu lidero pessoalmente essa área.

E quanto ao professor e empresário Aridelmo Teixeira, da Fucape? Ele abriu mão de ser candidato pelo Novo em Vitória para apoiá-lo. Que papel ele desempenhará em sua campanha?

O Aridelmo está com um papel de fortalecimento do partido Novo no Espírito Santo. Estamos buscando abrir novos diretórios municipais em outras cidades. Então o Aridelmo está escalado e empenhado no partido com essa missão. Está muito focado no fortalecimento do partido Novo em outros municípios do Espírito Santo.

O senhor confirma que Robinho Leite, coordenador da campanha de Hartung ao governo estadual em 2014, também se integrou à sua campanha?

Não. Só temos conversas informais, mas ele não está integrado a esse esforço do plano de governo. De vez em quando converso com ele através de grupos de WhatsApp, mas tudo muito informal e nada mais do que isso.

E o chamado marqueteiro? O senhor terá essa pessoa para coordenar a parte de TV e a comunicação da campanha em geral?

Não. Nós não teremos um marqueteiro, justamente por ser uma campanha humilde em recursos financeiros. Teremos um tempo pequeno de TV.

E o ex-governador Paulo Hartung? O senhor tem ou terá o apoio dele?

Olha, o governador Paulo Hartung é um amigo que a vida me deu. Todos sabem disso. Nós temos um relacionamento de amizade muito forte. Para mim, o governador Paulo Hartung é um gestor público de referência. É uma inspiração para mim como gestor. Diga-se de passagem, não apenas para mim, mas para muitos brasileiros que conhecem a história dele e do Espírito Santo, antes de 2003 e depois de 2003. Outra coisa que ouso dizer é que o governador Paulo Hartung foi o melhor prefeito de Vitória dos últimos anos. Então é claro que eu tenho juízo e não sou bobo, então me aconselho com o governador Paulo Hartung.

O senhor o tem como um conselheiro político?

Eu o tenho como um grande conselheiro político. E recorro a ele para me orientar nas decisões e no plano de governo, com certeza.

E ele terá alguma participação efetiva, de alguma forma, em sua campanha, mesmo que a distância?

A participação dele será essa, com certeza, como um conselheiro. E já funciona assim: como um amigo que torce por mim e que está disponível sempre que eu necessitar para eu beber da água e me aconselhar com ele.

O senhor diria, então, que conta com a apoio eleitoral dele?

Não, aí não. Aí são coisas distintas. O governador Paulo Hartung hoje está na área privada. Tem a vida dele. A única coisa que tem feito para me ajudar é, realmente, atender aos meus pedidos de conselho. Acho importante isso, sabe por quê? Nos últimos oito anos da atual gestão, do prefeito Luciano, qual foi a grande obra que a prefeitura fez? Não fez. Vitória parou no tempo. Então, temos que buscar evoluir. Vitória não pode viver só das belezas naturais. “Vitoríssima”, como se fala aí, precisa sair da propaganda e ir para ações concretas. E isso acontece por meio de um plano de governo. E, para esse plano de governo, busco ajuda no governador Paulo Hartung, para que seja um plano que contemple as necessidades de todos os moradores, sem exceção. As melhorias devem ir para as periferias também, atendendo às especificidades de cada um. Se você for à Ilha das Caieiras, por exemplo, e eu fui nesta semana, você vai ouvir as pessoas falando do total abandono por parte da prefeitura. Então as coisas não estão indo bem. E tenho que buscar conselhos de pessoas experientes, para que a gente faça um plano de governo acertado.

Nas redes sociais, o senhor está calibrando seu discurso de campanha e tem intensificado a artilharia de críticas à atual gestão de Luciano. Será esse o tom da campanha? Um tom propositivo, mas dosado com um tom mais crítico, apontando problemas que enxerga na atual administração?

Sim. O meu calibre será propositivo, com certeza, mas sempre falando a verdade e expondo os erros e os problemas, porque é isso que a população quer. A população quer que a gente olhe no branco dos olhos dela e fale a verdade. Eu tenho andado todos os dias pela cidade. É de domingo a domingo. E uma coisa que posso te garantir é que, se eu for eleito, Vitória terá um prefeito presente. Vitória hoje se ressente da ausência do líder da cidade. Eu serei presente. Tenho escutado muito. A conclusão a que chego é que a população está com medo do vírus e da violência. Não podemos perder mais tempo nisso. É hora de cuidar do futuro, mas não relaxar com o presente. Temos visto a criminalidade se aproveitando da dispersão do poder público durante a pandemia e tocando o terror em regiões mais vulneráveis. Após 33 anos servindo à população nessa área, eu me sinto preparado para fazer de Vitória a capital mais segura do Brasil. Não deveria existir ninguém mais preocupado e mais interessado na segurança dos seus munícipes do que o próprio prefeito. O prefeito não pode se acovardar. O prefeito deve liderar a cidade estando presente nas comunidades. E é isso que vou fazer.

O senhor diria que a segurança é sua principal bandeira de campanha?

Sim, com certeza. A segurança pública terá um enfoque especial, porque enxergo que o prefeito precisa assumir o protagonismo no enfrentamento à violência. Hoje esse é o maior problema de Vitória. Então o prefeito tem que levantar a mão assim, bater a mão no peito [bate no peito] e dizer assim: “Esse problema é comigo”. E trazer para dentro do gabinete dele. Aí sim chamar as polícias e demais instituições para juntos resolverem o problema. Mas ele não pode lavar as mãos e transferir a responsabilidade apenas para o poder do Estado. Isso é postura de quem não quer ter problemas.

E, sem trocadilho, o que é que o senhor propõe de novo nessa área, se eleito for?

O papel do município no enfrentamento à violência é dar foco no ambiente social: educação básica de qualidade, uma educação em tempo integral principalmente nas áreas mais vulneráveis, para que as nossas crianças e adolescentes não fiquem à mercê de exemplos ruins nas ruas, além, é claro, de infraestrutura. Não teve cidade nenhuma no mundo que evoluiu na segurança pública sem investir em infraestrutura nas áreas com os piores indicadores de violência urbana. Então precisamos investir em infraestrutura e na criação de uma rede de oportunidades para os nossos jovens nesses bairros com violência crônica, nas áreas do empreendedorismo, da cultura, do esporte... Mas sempre com a certeza de que tudo começa com uma boa aprendizagem. Não podemos mais conviver com a escola pública em Vitória oferecendo um ensino básico de péssima qualidade e a escola privada oferecendo um ensino básico de ótima qualidade. Isso com base nos resultados mais recentes do Ideb. Essa é a fonte da desigualdade social. Vitória deixou de ser referência em educação.

Nas redes sociais, o senhor tem criticado “projetos de poder”...

Em minhas andanças, tenho ouvido a indignação das pessoas com um projeto de poder. Vitória, há décadas, tem vivido nas mãos de grupos políticos. Esses grupos estão mais preocupados em manter-se no comando do que com a população propriamente. Um exemplo disso são os ex-prefeitos João Coser e Luiz Paulo, que pretendem voltar a comandar a cidade. Isso não é saudável. Quando estiveram com a máquina pública em mãos, não mostraram a eficiência necessária.

Na sua campanha, então, o senhor vai mirar neles também?

Vou deixar bem claro que Vitória precisa avançar. A cidade não pode estar nas mãos de projetos de perpetuação no poder. Você vê do outro lado: Fabrício Gandini é o candidato do prefeito Luciano. Ele vem com uma proposta frágil de ser novidade. É frágil porque todos sabem que ele é apenas um representante da atual gestão, com o objetivo de dar continuidade ao projeto de poder do prefeito Luciano e do seu grupo político. Todos temos acompanhado no Brasil os desvios de conduta devido a esse modelo de perpetuação no poder. Os políticos de carreira não podem querer impedir o surgimento de novas lideranças. Tudo na vida tem começo, meio e fim. O ciclo deles se encerrou. Para além disso, é apego ao poder. Política não é negócio. É missão.

Coronel, embora não seja um “político de carreira”, como diz, e embora de fato se apresente como uma “nova liderança”, também o senhor não representa, de certa forma, um grupo e um projeto de poder?

Não. Não represento. Eu sempre fui um técnico, na área de segurança pública. Trabalhei com vários políticos. Trabalhei com Audifax [Barcelos] na Serra. Trabalhei com o governador Casagrande! Eu era o diretor do Ciodes no primeiro governo de Casagrande [2011/2014]. E, quando a Serra despontou como a cidade mais violenta do Brasil, em 2010 para 2011, o governador Casaarande me colocou para comandar o Batalhão da PMES na Serra. Foi o governador Casagrande quem me colocou lá. Então, trabalhei com Casagrande e trabalhei com Paulo Hartung no momento mais marcante da minha vida militar: assumi a PMES no 3º para o 4º dia da greve [de fevereiro de 2017], às 2h da manhã, atendendo a um pedido de socorro do governador Paulo Hartung. Então não represento um grupo de poder. Inclusive, se a população de Vitória me der a oportunidade de ser prefeito, eu terei apenas um mandato de quatro anos. Eu não venho para a reeleição. Nunca falei isso para ninguém.

Compromisso garantido desde já?

Desde já. Pode publicar. Não virei para a reeleição porque acredito que essa é a política moderna de que Vitória precisa, com líderes que tenham projeto para a cidade, e não projeto de poder, para querer ficar oito anos e depois ficar mais oito anos. Essa história de ficar 16 anos no poder, a gente já viu esse filme antes no país.

Então só para deixar claro: o senhor não considera que pertença ao grupo político liderado pelo ex-governador Paulo Hartung? É isso?

Aí é diferente. Eu tenho Paulo Hartung, como disse, como conselheiro e até como referência. E eu convivi com a equipe dele. Vi ali pessoas técnicas, comprometidas e capazes. É claro que vou aproveitar essas pessoas. É claro que vou aproveitar um Haroldo Rocha, um Regis Mattos, essas pessoas que trabalharam com Paulo Hartung. Mas isso é compromisso com o grupo? Não. É compromisso com quem tem competência. Pronto, achei a resposta: eu tenho compromisso com quem tem competência. Então, se essas pessoas competentes são do grupo político do Paulo Hartung, é claro que elas vão trabalhar comigo, pois tenho consciência de que tenho que montar uma equipe experiente, qualificada e que tenha capacidade de liderar.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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