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Recado para “milicianos”

Amor e ódio: o "jeito Euclério de ser" na Prefeitura de Cariacica

Prefeito eleito diz que seu coração mudou. Prega a paz e a união de todos. Rende elogios a Juninho e a Casagrande… Mas mostra muito rancor contra o PT e, especialmente, contra Helder Salomão

Publicado em 20 de Dezembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

20 dez 2020 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Euclério Sampaio rende muitos elogios a Juninho e a Casagrande, mas está muito irritado com Helder Salomão
Euclério Sampaio: só elogios a Casagrande e Juninho, mas poço de mágoas com Helder Salomão Crédito: Amarildo
Por muitos motivos, a entrevista de Euclério Sampaio (DEM), concedida na última quarta-feira (16) ao podcast Papo de Colunista, foi a melhor da série de sabatinas que fizemos com os quatro prefeitos eleitos no 2º turno na Grande Vitória. No seu estilo sincerão, dando uma prévia do “jeito Euclério de ser” que irá com ele para a Prefeitura de Cariacica, o prefeito eleito afirmou que, nos últimos dois anos, Deus mudou muito o seu coração (tornando-o muito mais calmo e mais pacífico).
Assim como ao longo de sua vitoriosa campanha eleitoral, “união” foi a palavra mais usada por ele na entrevista. Euclério pregou a paz, o amor e a junção de forças de todos pelo bem de Cariacica. Rendeu elogios ao atual prefeito, Juninho (Cidadania), mesmo negando ter sido apoiado por ele. Jurou lealdade ao governador Renato Casagrande (PSB), que ele espera ter como principal parceiro para o sucesso de sua administração e que, segundo ele, poderá contar “mil por cento” com seu apoio na muito provável campanha à reeleição em 2022.
Por outro lado, na mesma entrevista, Euclério mandou alguns recados, diretos ou oblíquos, para adversários políticos. Um deles, sem citar nomes, foi endereçado a possíveis milicianos (“Se tiver [algum] em Cariacica, vai ter que sair”) e, textualmente, “para algumas pessoas que acham que se combate um crime cometendo outro”.
E, de modo bem mais direto, em muitos pontos da entrevista, mostrou um enorme rancor (ou mágoa, para usar uma palavra mais leve) com o PT e, acima de tudo, com o deputado federal Helder Salomão (PT), principal articulador e apoiador da candidatura da adversária derrotada por ele no 2º turno, Célia Tavares (PT). O prefeito eleito se disse vítima de ataques com fake news por parte dos petistas liderados pelo ex-prefeito, antes, durante e depois da eleição municipal.
E foi assim que transcorreu nossa entrevista, entre o amor e o ódio, entre o perdão e a mágoa, como um pêndulo entre esses extremos: alternadamente, houve momentos em que o prefeito eleito pregou a união de todos e outros em que ele detonou o PT e Helder. Confira, abaixo, as melhores respostas de Euclério:

SEGURANÇA PÚBLICA

Cariacica é, em 2020, o município recordista de homicídios no Espírito Santo. Nessa área, o “machão” Euclério Sampaio (como o prefeito eleito costuma chamar os amigos) adotou discurso linha dura contra a bandidagem, mas também contra quem defende que se pode praticar outros crimes e agir à margem da lei a pretexto de se combater o crime. Disse Euclério para o colunista Leonel Ximenes:
“Quando lancei minha candidatura e me filiei ao DEM, você ainda brincou: ‘eu não posso prometer o que eu não cumpro’. Mas eu tenho que ser ousado e acreditar naquilo que eu faço. E o que eu falei que o bandido pode começar a correr a partir do dia 1º de janeiro, ele pode começar mesmo a correr. Eu vou agir com muito rigor. E não tenho medo de bandido! Em Cariacica, ando sozinho em qualquer morro alto”, afirmou o prefeito eleito, emendando o seu recado:
“Vamos virar essa página [dos homicídios]. [Mas] você não pode combater o crime cometendo um crime. Isso é um recado para algumas pessoas que acham que se combate um crime cometendo outro. Você pode não entender, mas pode ser que alguém que esteja ouvindo vai entender isso.”
A colunista Beatriz Seixas perguntou a Euclério, então, se ele é contra uma polícia altamente violenta. O prefeito eleito respondeu: “A polícia tem que jogar com rigor. Eu só sou contra milicianos. Polícia tem que jogar com rigor. E, no confronto, entre morrer um policial e 100 bandidos, morrem 100 bandidos. O policial, não. Agora, o policial tem que agir dentro da lei.”
Leonel perguntou-lhe, então, se Cariacica tem milicianos. “Eu estou dizendo que, se tiver, vai ter que sair", respondeu o prefeito eleito. “Vou agir com rigor, não dando colher de chá para bandido, mas agindo dentro da lei. A lei tem que ser cumprida, doa a quem doer.”

CASAGRANDE E PAULO HARTUNG

Perguntei a Euclério se Casagrande contará com seu apoio, como prefeito, em sua provável campanha à reeleição daqui a dois anos. “Mil por cento!”, foi a resposta dele. Em contrapartida, como leal deputado da base e candidato a prefeito apoiado por articuladores políticos de Casagrande, ele espera ter no governador um parceiro de todas as horas para alavancar o seu governo em Cariacica:
“Como indivíduo e cidadão, sou direita. Sou defensor da família tradicional. Estou sendo honesto. Sou de direita, mas, como prefeito, vou respeitar o pensamento de cada um. Preciso de todos para governar. É por isso que preciso de Bolsonaro, preciso de Renato [Casagrande]. Renato vai ser um dos principais parceiros de Cariacica. Pode ter certeza disso.”
E ele não está fazendo cerimônia:
“Estou perturbando o governador quase todos os dias. Ele já me prometeu muitas novidades para janeiro em Cariacica. E eu tenho certeza de que juntos Cariacica vai avançar e deixar de ser o patinho feio da Grande Vitória.”
Instado a escolher entre Casagrande e Paulo Hartung, Euclério não titubeou em ficar com o primeiro. Mas também deixou um grande elogio para o ex-governador: “Ele é tinhoso. É muito inteligente. Ele é um dos maiores estadistas que eu já vi. E um dos poucos que sobreviveu [a ele] fui eu.”

JUNINHO

O prefeito eleito também reservou alguns elogios para seu antecessor no cargo. Questionado por Beatriz Seixas sobre os seus planos para incrementar a receita per capita de Cariacica (hoje a 54ª pior do Estado), enalteceu Juninho: “Quero parabenizar a equipe atual e o prefeito atual, porque eu tomei conhecimento de que mais de 30 mil imóveis vão receber [o carnê do] IPTU pela primeira vez em 2021. Isso nos dará um incremento na arrecadação de IPTU.”
Euclério também elogiou muito a organização das finanças municipais que ele diz ter sido deixada por Juninho para ele. Quanto a ter sido ou não apoiado pelo prefeito (uma das grandes polêmicas da eleição municipal em Cariacica), Euclério nega que isso tenha ocorrido, mas indica que Juninho já o ajudou o bastante ao não fazer nenhum movimento eleitoral explícito (na linha “muito ajuda quem não atrapalha”):
“No primeiro mandato de Juninho [2013/16], fui opositor ferrenho dele. Nessa campanha, ele não se meteu em nada. Ficou quieto. E, quando ele ficou sem tomar uma posição, a maioria dos servidores da prefeitura começaram a vir para mim, porque acreditavam em mim. E os adversários começaram a dizer: ‘Euclério é o candidato do Juninho’. Para quê? Para as pessoas virem me bater. Rapaz, eu fiquei um ano sendo atacado 24 horas por diversos pré-candidatos, inclusive maciçamente pelo PT. Então foi muita história. Mas não falam que Euclério é corrupto, que Euclério responde a processo... E no final a verdade venceu. Juninho simplesmente não foi contra nem a favor. E, quando ele fez isso, eu me senti ajudado, porque ele poderia ter obrigado as pessoas a ficar com outros candidatos. Na verdade, no início ele tinha uma certa rejeição a mim porque eu fui oposição a ele. Já me senti privilegiado, porque eu sabia que a tendência de 50% dos servidores era migrar para o meu lado.”
Entre os nomes já anunciados por Euclério para compor sua equipe de governo, constam dois atuais secretários de Juninho. Ele explica: “Não foi pedido dele não. Ele simplesmente abriu as portas. Primeiro por manter quem vai ser bom para a coletividade. E ele realmente está deixando as finanças saneadas. E eu quero construir com união. Olhar para a frente”.
Nosso apanhado dos "melhores momentos" da entrevista de Euclério Sampaio continua ainda neste domingo (20), com o que disse o prefeito eleito de Cariacica sobre o PT, sobre Helder e sobre a participação da ex-petista Lúcia Dornellas em sua campanha. Não perca!

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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