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Ascensão e queda

Após boa fase em 2018, Manato perde espaço político no ES

Ex-deputado saiu das eleições de 2018 com inédita força política e acumulando cargos no PSL, no Sebrae-ES e no governo Bolsonaro. Em dois anos, cenário mudou bastante e ele perdeu todos os cargos

Publicado em 22 de Fevereiro de 2021 às 02:00

Públicado em 

22 fev 2021 às 02:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Após chegar ao ápice em 2018, Manato iniciou trajetória descendente
Após chegar ao ápice em 2018, Manato iniciou trajetória descendente Crédito: Amarildo
Logo após as últimas eleições estaduais, o ex-deputado federal Carlos Manato estava na crista da onda. Tanto que, no dia 19 de dezembro de 2018, classifiquei-o nesta coluna como o capixaba que mais havia adquirido musculatura política naquele ano. A ideia foi traduzida visualmente pelo nosso cartunista, Amarildo, no desenho que ilustrou a coluna, representando Manato com os trajes e os músculos do Super-Homem.
Apesar de ter sido derrotado por Renato Casagrande (PSB) na eleição ao governo do Estado, Manato teve uma votação muito acima do esperado por todos (perto dos 30% dos votos válidos), impulsionado pela onda Bolsonaro, e por muito pouco não chegou ao 2º turno. De quebra, nos embalos da mesma onda, conseguiu eleger sua esposa, Soraya Manato (PSL), até então desconhecida politicamente, para “seu lugar” na Câmara dos Deputados.
Além disso, mesmo sem mandato eletivo, Manato passou a acumular cargos em vários espaços de poder: em novembro de 2018, durante a transição de Temer para Bolsonaro, foi confirmado em cargo comissionado no governo do presidente eleito com o seu apoio: secretário especial para a Câmara Federal, na Casa Civil, comandada pelo ministro Onyx Lorenzoni (DEM) no início do governo Bolsonaro (2019).
Em 13 de dezembro de 2018, Manato foi eleito presidente do Conselho Deliberativo Estadual do Sebrae-ES – em votação marcada por um inédito racha entre as federações estaduais de empresários e por acusações de traição e manobras nos bastidores.
De quebra, pouco tempo depois, assumiu a presidência estadual do Partido Social Liberal (PSL), legenda pela qual Bolsonaro se elegeu e que, na Assembleia Legislativa do Espírito Santo, fez a maior bancada em 2018, com quatro deputados estaduais.
O crescimento político de Manato não passou despercebido pela coluna, que na já citada data registrou: “Chamado por Bolsonaro de ‘Baixinho’ [tem 1,62m], deputado adquire nova estatura política, ganha cargo no próximo governo, vence eleição no Sebrae-ES e admite já trabalhar para emplacar dois aliados no próximo governo: Marcos Guerra e Amarildo Lovato, ambos do PSL”.*
Sim, Manato estava na crista da onda. Da onda Bolsonaro, para ser mais específico. E ingressou em 2019 com um capital político inédito em sua longa carreira política, iniciada em 2002 com a primeira de suas quatro eleições seguidas para a Câmara dos Deputados (pelo PDT).
Passados cerca de dois anos, porém, o cenário mudou radicalmente. A onda pode não ter se tornado marola, mas a maré virou. Em um intervalo de dois anos, todo esse poder minguou e, um a um, esses cargos evaporaram. A interpretação óbvia – contradita por Manato, como veremos mais à frente – é a de que o ex-deputado, que tão forte saiu de 2018, perdeu muito espaço político no Espírito Santo. E que alguma coisa deu errado para ele no meio do caminho. Senão vejamos:
Manato havia ganhado muita musculatura política em 2018
Manato havia ganhado muita musculatura política em 2018 (publicada em 19/12/2018) Crédito: Amarildo

FOI-SE O CARGO NO GOVERNO

O primeiro espaço perdido por Manato foi o primeiro que ele conquistou após a vitória de Bolsonaro nas urnas em 2018. O ex-deputado não completou cinco meses como secretário especial para a Câmara Federal. Em junho de 2019, foi exonerado do cargo. Saiu criticando Onyx Lorenzoni e afirmando que iria para outra função, a de assessor parlamentar do Ministério da Educação (MEC), a convite do então ministro Abraham Weintraub – algo que, a bem da verdade, jamais se concretizou.

FOI-SE A PRESIDÊNCIA DO PSL

Em fevereiro de 2020, Manato deixou a presidência do PSL, devolvida a Amarildo Lovato. A mudança foi efeito, em solo capixaba, da turbulência dos meses anteriores entre Bolsonaro e o comando do partido, presidido nacionalmente por Luciano Bivar. Uma turbulência cujo pano de fundo foi a disputa pelos recursos dos fundos partidário e eleitoral do PSL e cujo auge foi a desfiliação do presidente da República (sem partido até hoje), em novembro de 2019.
Nos meses seguintes, a situação ficou insustentável para presidentes estaduais extremamente leais a Bolsonaro, como é o caso de Manato, que assim saiu da sigla para se dedicar a outro projeto: lançou-se, então, de cabeça no movimento para colher assinaturas em prol da fundação do Aliança pelo Brasil, aventado pelo próprio Bolsonaro para abrigar sua candidatura à reeleição e os seus aliados políticos no pleito de 2022.
Manato se empenhou de verdade. Participou de atos públicos visando à coleta de assinaturas. Mas o projeto deu água, vitimado pelo desinteresse logo manifestado pelo próprio idealizador: Bolsonaro desistiu da ideia tão rapidamente quanto a lançou, e hoje oscila entre o Patriota, o PTB e outras siglas (até a volta para o PSL já foi cogitada).

SEM PARTIDO PARA CHAMAR DE SEU...

Sem partido no momento, o próprio Manato reconhece que o Aliança não irá para a frente. Nessa, ele manteve a lealdade, mas ficou “vendido” e sem uma sigla para chamar de sua, por conta das idas e vindas características do próprio Bolsonaro.
Enquanto isso, Manato viu a presidência do PSL no Espírito Santo ir parar nas mãos de um aliado de Casagrande, portanto seu adversário políticodesde março de 2020, o cargo é ocupado pelo deputado estadual Alexandre Quintino. Hoje, dos quatro estaduais eleitos pelo PSL em 2018, só Quintino e Torino Marques permanecem na sigla. E a maior bancada da Assembleia, agora com quatro deputados (Dary, Majeski, Freitas e Bruno Lamas), passou a ser a do PSB casagrandista.

SEM SUCESSO NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS

O ex-deputado sublinha e comemora a eleição de dez prefeitos apoiados pessoalmente por ele. Todos eles, porém, em cidades do interior do Estado, como Castelo (terra de Casagrande) e Alegre (sua terra). Nas dez maiores cidades do Espírito Santo, Manato não emplacou nenhum aliado.
Ao contrário, tanto na Grande Vitória como nas cidades-polo do interior, o desempenho dos candidatos mais ligados a Manato foi bem ruim, exceto em Colatina, onde Luciano Merlo (Patriota) chegou em 2º lugar, poucos votos atrás do vencedor, Guerino Balestrassi (PSC). Mas não levou.

FOI-SE O CARGO NO SEBRAE-ES

Finalmente, conforme publicou o colunista Leonel Ximenes no último dia 2, Manato foi destituído, na véspera, da presidência do Conselho Deliberativo Estadual do Sebrae-ES, após pouco mais de dois anos no cargo, por força de um movimento realizado pelo presidente da entidade representada pelo ex-deputado no órgão: a Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Espírito Santo (Faciapes). Ou seja, Manato perdeu o apoio da própria entidade.
Em dezembro de 2018, Manato foi indicado pelo então presidente da Faciapes – seu aliado e então presidente do PSL, Amarildo Lovato – como representante titular da entidade no conselho, e assim pôde ser eleito presidente.
Na apertada votação (na qual derrotou por 7 a 6 o presidente da Fecomércio, José Lino Sepulcri), Manato contou com o apoio fundamental de Lovato e de outros agentes, como o então presidente do conselho, Marcos Guerra, que seria sucedido por ele.
Hoje dirigente do Republicanos em Colatina, Guerra também era filiado ao PSL na época. Ele e Lovato eram justamente os dois aliados que Manato conjecturava indicar para posições no governo Bolsonaro naquela entrevista à coluna em dezembro de 2018, o que nunca se concretizou.
Ocorre que Lovato foi substituído na presidência da Faciapes pelo empresário Arthur Avellar. E, no último dia 1º, Manato foi surpreendido com um ofício do atual presidente da entidade retirando-lhe o apoio para representar a Faciapes no Conselho Deliberativo do Sebrae-ES. Não sendo mais membro titular, Manato automaticamente não pôde prosseguir como presidente do órgão. E Avellar passou a ser o titular da Faciapes no conselho.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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