Após ter sido detido e autuado por porte ilegal de arma de fogo, André Peçanha, irmão do prefeito de Itapemirim, Thiago Peçanha (Republicanos), foi exonerado do cargo de assessor que ocupava no gabinete parlamentar do deputado estadual Euclério Sampaio (DEM).
No último domingo (19), André foi detido pela Polícia Militar na localidade de Itaipava, em Itapemirim, após acionamento de um casal que alegou ter se sentido ameaçado por ele. Dois dias depois (21), a Assembleia Legislativa publicou o ato de exoneração do irmão do prefeito, a pedido do próprio Euclério.
O deputado confirma que os dois fatos estão interligados, ou seja, o episódio da detenção de André Peçanha foi o que o levou a exonerá-lo. Segundo Euclério, ele tomou a decisão após ficar sabendo do fato pela reportagem de A Gazeta.
“Foi por causa da matéria mesmo. Eu não tinha visto a reportagem. Liguei para um assessor meu, e ele me mandou a matéria de A Gazeta. Vou ser honesto para você: fiquei chateado, porque ele [André Peçanha] deveria ter me comunicado. Confiança não se quebra assim, então o exonerei para apurar o que aconteceu.”
Segundo Euclério, o que mais pesou em sua decisão, mais até que a detenção em si, foi o fato de ele ter tomado conhecimento do episódio pela imprensa. “Ele [André] errou em não ter me comunicado. Não me comunicou o que houve, então o exonerei e vou apurar. Quero saber o que aconteceu”, ressalta o deputado. “E ele também errou em estar armado sem poder estar. Só pode andar armado quem está habilitado a andar armado”, acrescenta o parlamentar.
Por outro lado, o deputado faz questão de elogiar André Peçanha como profissional. “Quero fazer esse registro também: é um excelente servidor”. Faz, ainda, uma ressalva de cunho político: “De uma coisa tenho certeza: os dois [Thiago e André Peçanha] são vítimas de injustiça e de perseguição lá em Itapemirim. Mas não quero me meter em briga local”.
O que Euclério não diz, mas nem precisa, é que a decisão de exonerar André Peçanha se dá após um episódio turbulento e a menos de quatro meses da eleição municipal. O deputado é candidatíssimo a prefeito de Cariacica. Não pegaria bem, certamente, manter em seu gabinete um assessor envolvido em uma ocorrência policial como essa (que pode ter como fundo a renhida luta política travada em Itapemirim pelo poder na cidade, entre o grupo de Thiago Peçanha e a oposição).
Nos últimos anos, Itapemirim é um dos municípios mais conturbados politicamente no Espírito Santo, se não for o mais conturbado. Entre outros episódios sucupirescos, vereadores da cidade chegaram a cassar o mandato do prefeito, sem o devido processo legal, em decisão posteriormente revertida pela Justiça. Na ocasião, Euclério subiu à tribuna da Assembleia Legislativa para defender Thiago Peçanha. O irmão do prefeito já estava lotado no gabinete do deputado.
Com remuneração líquida de R$ 3,3 mil no último contracheque (junho), André Peçanha era assistente de gabinete de Euclério desde outubro de 2018.
A OCORRÊNCIA
André Peçanha foi detido na localidade de Itaipava, com uma pistola glock, calibre 380, na manhã do último domingo. Ele foi liberado após pagar fiança no final da tarde.
De acordo com informações da Polícia Militar, um casal acionou a PM por ter se sentido ameaçado por André, que estava armado e circulava de buggy pela Avenida Itapemirim.
Durante a abordagem, os policiais encontraram a pistola num coldre e também um carregador com 10 munições. Aos policiais, André disse que o casal havia feito gestos de ameaça contra ele enquanto passeava com o filho menor de idade e, por essa razão, teria se colocado em posição de defesa com a arma.
André apresentou aos policiais o registro da pistola, mas foi conduzido à delegacia por não possuir permissão para circular com a arma.
O irmão do prefeito e o casal foram levados para a Delegacia Regional de Itapemirim, onde foram ouvidos. O delegado de plantão, Thiago Viana, autuou André por porte ilegal de arma de fogo.
Foi arbitrada uma fiança no valor de R$ 1.045, paga por volta das 16h30 de domingo. André foi liberado após o pagamento.