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Assembleia: vitória da resistência de Erick e riscos para Casagrande

Se lançasse candidato próprio e ganhasse, governo poderia afastar Erick e o Republicanos; se perdesse, sofreria uma derrota humilhante. Disputa de chapas teria consequências imprevisíveis na relação política

Publicado em 23 de Janeiro de 2021 às 02:00

Públicado em 

23 jan 2021 às 02:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Erick Musso: vitória da resistência
Erick Musso: vitória da resistência Crédito: Amarildo
Com o “aval” do governador Renato Casagrande (PSB), o presidente da Assembleia, Erick Musso (Republicanos), continuará no cargo pelos próximos dois anos. Como registramos aqui no último dia 9, ele não era, no início desse processo, “o candidato do governo Casagrande”. Da perspectiva do governo, não seria o nome dos sonhos. Se o governador visse uma oportunidade de manter a estabilidade política no relacionamento com o comando da Assembleia pelos próximos dois anos e de quebra emplacar na presidência um fortíssimo aliado, ele com certeza o faria. Não o fez. Em vez disso, preferiu compor com Erick. Por quê?
É o que explicamos aqui neste sábado (23), em uma análise que conjuga os méritos do próprio Erick com os muitos riscos políticos pesados na balança de Casagrande.
Em primeiro lugar, mesmo quando era evidente que o governo testava alternativas (Marcelo Santos e Dary Pagung), Erick nunca deixou de se articular visando à reeleição nem se desviou um milímetro desse objetivo. Manteve-se firme no propósito de continuar à frente da Casa por mais um par de anos, totalizando seis.
No meio das negociações, Erick chegou a ouvir de representantes do governo a proposta de recuar da presidência para abrir passagem a um sucessor com DNA governista, levando em troca um espaço privilegiado, com cobertura, varanda gourmet e vista para o mar, no secretariado do governo. Não cedeu e, como contraproposta, não só prometeu a Casagrande a “governabilidade” que ele tanto prioriza como fez juras de lealdade política e até apoio eleitoral ao governador, o que poderia passar pela antecipação do anúncio de compromisso do Republicanos com a reeleição do socialista em 2022.
Ao lado do presidente estadual do partido, Roberto Carneiro, Erick é um dos líderes estaduais do Republicanos, legenda que cresceu de maneira significativa nas últimas eleições municipais, em novembro passado, consolidando-se como segunda maior força político-partidária do Espírito Santo no momento, só atrás do PSB de Casagrande. Após dois biênios exercendo a presidência da Assembleia, cargo ao qual chegou em fevereiro de 2017, Erick valeu-se de outros trunfos nesse processo.
O primeiro deles é gozar da simpatia da maioria dos colegas. Ele é muito influente junto aos pares e sabe fazer bem as articulações internas (“segurando-os” com todos aqueles cargos comissionados ligados à Mesa). No exercício da presidência, também tem uma característica que na verdade, como admitem até governistas, agrada e convém ao governo: o pulso firme para presidir sessões complicadas. Em votações importantes e delicadas para o governo, ele “passa o trator mesmo”, dizem colegas.
Aliás, outro argumento a favor de Erick nessa disputa é que, tirando o episódio da antecipação surpresa dessa mesma eleição para novembro de 2019 (posteriormente anulada), o deputado do Republicanos tem sido realmente um parceiro do governo na presidência, pautando todos os projetos prioritários para o Executivo e garantindo a estabilidade e a previsibilidade na relação política.
Em novembro de 2019, o movimento afoito de Erick contrariando o combinado na véspera e pegando o governo de calças curtas estremeceu a relação entre eles. Mas também é fato que, de lá para cá, Erick fez seu mea-culpa, parece ter “aprendido com o erro” e se empenhou em ser o melhor aliado que o governo poderia ter à frente da Assembleia. Assim foi.

A BALANÇA DOS RISCOS PARA CASAGRANDE

Mas aí entra o outro fator dessa equação, possivelmente o mais relevante, que levou o Palácio Anchieta a cogitar seriamente lançar Marcelo Santos ou Dary: o crescimento do Republicanos assusta e preocupa setores do governo Casagrande. Eles não querem que esse “crescimento” do Republicanos signifique “hipertrofia”, a ponto de ameaçar o projeto de reeleição do PSB em 2022.
É acima de tudo uma questão de imagem e de força política: o governo já acaba de perder, para o mesmo Republicanos, a eleição a prefeito de Vitória (e não adianta dizer nada em contrário: o governo perdeu, e foi uma derrota doída). Ao deixar a caravana do mesmo Republicanos passar livremente na eleição da Assembleia, sem nenhuma resistência, que mensagem o governo passará para o mercado político e, mais importante ainda, que imagem ficará? Mas qual era a alternativa a esta altura?
Marcelo pulou fora. Restou Dary. Se houvesse uma disputa real entre Dary e Erick, o governo acreditava que teria maioria no plenário para emplacar o “candidato oficial”. Mas digamos que não fosse assim e que Dary pudesse perder. Ora, se Dary perdesse, o perdedor seria o governo.
Como dissemos acima, o governo está preocupado com sua imagem: abrir mão sem luta do comando da Assembleia dois meses após ter perdido em Vitória pode ser muito ruim. Mas pior ainda seria perder com luta o comando da Assembleia dois meses após a derrota na Capital para o mesmo grupo.
O governo Casagrande estava disposto a arcar com esse risco político? É algo que com certeza entrou no cálculo do governo.
Por outro lado, mesmo se batesse chapa contra Erick e garantisse a vitória no voto em plenário (como interlocutores de Casagrande não duvidam que teriam conseguido), o ônus político para o governo também poderia ser elevado. Seria o famoso “ganhar perdendo”, ou “ganhar por um lado, mas perder por outro”. Remover Erick da presidência com uso de trator e rolo compressor poderia ter o efeito colateral de empurrar o Republicanos, essa força emergente tão cobiçada por Casagrande hoje, para uma oposição ressentida, em vez de atraí-la, como quer o governador, para seu projeto político-eleitoral.
Resumindo: se bancasse a candidatura de Dary, o governador quebraria seu estilo e iria para o enfrentamento. Nas duas hipóteses, o Palácio Anchieta correria grandes riscos políticos: pagando para ver a reeleição de Erick, como optou, o risco é o de permitir a hipertrofia do Republicanos nos próximos dois anos; bancando a candidatura de Dary contra Erick, o risco duplo seria o de ser derrotado no plenário, saindo politicamente humilhado e enfraquecido do episódio; ou sair vitorioso da eleição, mas afugentar o Republicanos no momento em que mais quer atrair essa força política para seu projeto de poder.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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