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Eleições 2020

Assumção aposta em polarização com a esquerda na disputa em Vitória

Além do duelo entre campos ideológicos opostos, o candidato autodeclarado bolsonarista afirma estar se preparando, com a ajuda de colaboradores, para “apresentar o melhor plano de governo para Vitória em quatro anos"

Publicado em 27 de Setembro de 2020 às 06:00

Públicado em 

27 set 2020 às 06:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Capitão Assumção é candidato a prefeito de Vitória
Capitão Assumção é candidato a prefeito de Vitória Crédito: Amarildo
Candidato a prefeito de Vitória pelo Patriota, o deputado estadual Capitão Assumção pretende investir, em sua campanha, na polarização da direita contra a esquerda na cidade. “Com certeza. Sem sombra de dúvida”, confirma nesta entrevista à coluna o capitão da reserva da PMES, que se declara bolsonarista e amigo do presidente Jair Bolsonaro desde 2009, quando os dois foram colegas na Câmara dos Deputados.
Isso não quer dizer necessariamente que ele buscará polarizar com o candidato do PT, o ex-prefeito de Vitória João Coser. “Eu não sei se vai ser [com ele]. Nós vamos batalhar para crescer nesse primeiro turno. [...] Existem muitas candidaturas. Cada um tem a sua densidade. Existem competidores com recall. Então ninguém pode ser desprezado.”
Além da disputa entre campos político-ideológicos opostos, Assumção afirma estar se preparando tecnicamente para “apresentar o melhor plano [de governo], o plano mais plausível para Vitória durante quatro anos”.
Para isso, o candidato conta com a ajuda de um time de colaboradores, como o pesquisador Fernando Reinaldo na área de mobilidade urbana, a secretária de Saúde de Aracruz, Clenir Avanza, e a professora de Medicina Veterinária da Ufes, Surama Freitas, no tema “controle de zoonoses”. Conta, ainda, com o candidato a vice em sua chapa, o capitão da PMES Hélio Tristão (PTB), coordenador do seu plano de governo e, segundo ele, um amigo de longa data.
Sobre eventual embate direto com o coronel Nylton Rodrigues na eleição em Vitória, Assumção diz não ter interesse algum em protagonizar conflitos na campanha com o seu desafeto pessoal. “O povo de Vitória não vai merecer esse tipo de comportamento. Mas, se eu for provocado, vou reagir à altura.” Também candidato a prefeito da Capital, pelo Novo, Nylton foi comandante-geral da PMES e adversário interno de Assumção no seio da tropa e na greve de 2017.
“Precisamos trazer paz para o povo de Vitória”, prega agora o candidato do Patriota. Confira a seguir a sua entrevista completa, concedida à coluna na última quarta-feira (23):

No convite para a convenção do Patriota, na qual sua candidatura foi oficialmente lançada, o senhor foi apresentado por sua assessoria como “ultrabolsonarista”. O senhor se apresenta nesse pleito como o representante do presidente nessa disputa local? E o que significa, na sua concepção, ser ultrabolsonarista?

Eu sou bolsonarista. Eu defendo o presidente do Brasil nas suas ações, no seu trabalho. Tenho uma amizade pelo presidente desde o ano de 2009, quando o conheci como parlamentar. Então “ultrabolsonarista” eu não sei, mas eu sou bolsonarista mesmo. Eu e uma multidão de pessoas que defendem decididamente todas as ações do Bolsonaro. Nas nossas redes sociais, são mescladas as nossas ações com as ações do Bolsonaro. Você sabe que ele tem dificuldade com a imprensa em estar divulgando o trabalho dele. Nós fazemos isso. E por essa condição e por acreditar no governo dele, eu sou bolsonarista.

E o senhor se apresenta nessa disputa em Vitória como “o candidato de Jair Bolsonaro”, ou pelo menos como o principal representante do presidente?

Acho que quem tem que fazer essa avaliação é o povo de Vitória. Eu tive a oportunidade, quando estava no partido anterior, de defender as ações dele como liderança [da bancada do PSL na Assembleia Legislativa]. E agora, no novo partido [Patriota], também faço esse trabalho. Mas acredito que essa avaliação deve ser feita por parte do eleitor, para ver quem tem o DNA do Bolsonaro.

Na definição do companheiro de chapa, geralmente os candidatos a prefeito escolhem alguém com perfil diferente, que possa atrair eleitores também de outros perfis e segmentos sociais. Quebrando essa regra não escrita, o senhor no entanto optou pelo Capitão Tristão, que também é capitão da PMES, recém-filiado ao PTB. Por que o senhor fez essa escolha?

O motivo da minha escolha: se você acompanhar a trajetória dele nas redes sociais, verá que tenho quase o mesmo perfil que o dele. Primeiro que ele é um bolsonarista. Segundo que ele é um perfil técnico. A nossa formação na Academia Militar é essencialmente para administrar a coisa pública. O oficial é preparado para isso. E ele também tem uma formação na área jurídica. É bacharel em Direito. O Capitão Tristão é um amigo pessoal meu, de muitos anos, na Polícia Militar. Durante toda a sua vida, ele jamais saiu do bairro dele, que é São Cristóvão. Tem um bom convívio com todo mundo da região da Grande Maruípe. Além disso, vamos supor que eu ganhei a prefeitura e assumi em 1º de janeiro. Vou entrar para administrar Vitória por quatro anos. Se acontecer alguma fatalidade comigo, tenho certeza que ele vai levar adiante tudo o que a gente planejou e que todas as nossas metas serão executadas. É uma pessoa que respeito muito.

É uma pessoa de estrita confiança?

Máxima confiança. E eu sou evangélico, professo a minha fé na Igreja Cristã Maranata. E ele é católico. Então, se for por essa questão de complemento, a gente se complementa bem. Inclusive, agora ele está cumprindo um papel muito importante, na conclusão do meu plano de governo.

Então ele é o grande responsável pela coordenação do seu plano de governo?

Sim. O plano está sendo feito a muitas mãos, mas a coordenação geral é do Capitão Tristão.

Que outros colaboradores o senhor tem nessa tarefa? Poderia citar alguns?

Nós temos uma pessoa ligada à saúde, que hoje administra a saúde de Aracruz, a Clenir [Clenir Sani Avanza, secretária de Saúde de Aracruz]. Gosto muito do trabalho dela. Ainda na parte de saúde, temos outros médicos colaborando, tanto da rede pública como da particular. São pessoas da minha absoluta confiança. Na área de mobilidade urbana, a gente tem tido uma sintonia muito grande com o Fernando Reinaldo, que tem nos dado um suporte muito grande. Ele tem feito muitos trabalhos sobre mobilidade urbana e tem me ajudado muito. Outro exemplo: na área de controle de zoonose, temos uma parceria muito grande com a professora Surama [Surama Freitas, professora de Medicina Veterinária da Ufes], que foi candidata à reitoria. Já temos um time técnico. Assim que apresentarmos o plano, vamos apresentar toda a equipe que colaborou na elaboração.

A sua coligação tem o Patriota e o PTB. O senhor já sabe qual será o seu tempo de TV?

Eu não sei. Acredito que devem ser 40 segundos por bloco. Vamos informar lá as nossas ações, que estão nas redes sociais. Não é preocupante para nós o pouco tempo que teremos na televisão, apesar de sabermos que é importante.

O senhor acredita que a propaganda de rádio e TV terá importância e será decisiva nessa eleição municipal, ou pretende se concentrar na campanha via WhatsApp e redes sociais?

Todas são complementares. Mas a TV ainda tem um papel muito importante, e o rádio também. Eu acredito muito no rádio. É fundamental. Mas não vamos desprezar jamais a televisão. Ela tem uma entrada muito importante. E vamos trabalhar para alcançar os eleitores que têm audiência na televisão.

O senhor terá um marqueteiro ou mesmo um coordenador da sua estratégia de comunicação?

Os marqueteiros vão ser os patriotas. Seremos nós mesmos. Não vamos ter um marqueteiro não. Nós vamos apresentar as nossas propostas aos cidadãos.

A última eleição presidencial, em 2018, foi fortemente marcada pela polarização político-ideológica. Foi uma eleição muito marcada pela rejeição ao adversário. De um lado, tivemos eleitores de Bolsonaro ou que simplesmente não queriam a volta do PT ao poder de jeito nenhum. Do outro lado, eleitores do PT ou que simplesmente não queriam Bolsonaro eleito de jeito nenhum. O senhor acredita que esse cenário de polarização será reproduzido em alguma escala na eleição a prefeito de Vitória e que isso será determinante na definição do voto dos eleitores?

No nosso município será determinante. A nossa nação é conservadora. As pessoas falam em uma “onda conservadora”, mas não tem uma “onda conservadora”. Tentaram calar a voz do povo conservador. Se não fosse por isso, não estaríamos pontuando bem nas pesquisas que chegam ao nosso conhecimento. Se a gente não tivesse o público conservador, a gente não estaria aparecendo em nada. E vai ser um ponto decisivo da campanha.

Então, na sua campanha, o senhor pretende investir nessa polarização da direita conservadora contra a esquerda na cidade?

Com certeza. Sem sombra de dúvida.

De modo específico, o senhor pretende buscar a polarização com o candidato do PT, o ex-prefeito João Coser?

Eu não sei se vai ser. Nós vamos batalhar, vamos fazer de tudo para crescer nesse primeiro turno. Aquele que falar que vai ganhar em primeiro turno, não é fato. Existem muitas candidaturas. Cada um tem a sua densidade. Existem competidores com recall. Então ninguém pode ser desprezado. Vamos trabalhar muito para crescer muito nesse primeiro turno. Quem vai passar do primeiro turno, só Deus vai poder dizer.

E com o coronel Nylton Rodrigues, candidato do Novo e desafeto seu na PMES? O senhor espera algum tipo de embate direto ao longo da campanha, relacionado ao episódio da greve da PMES em fevereiro de 2017?

Eu tenho conversado muito com a nossa equipe. Vou apresentar algo extremamente tangível para o povo de Vitória. Eles não vão merecer esse tipo de comportamento. Como candidato, nós temos que apresentar o melhor plano, o plano mais plausível para Vitória durante quatro anos. Eu vou me dedicar a isso. A minha sinergia toda vai ser para isso. Eu não vou ter tempo para esse tipo de embate. Mas, se for provocado, vou reagir à altura. Quero só acrescentar que precisamos trazer paz para o povo de Vitória. Temos tudo para transformar Vitória em uma referência em segurança. Temos um povo ordeiro e trabalhador, mas nosso povo não está sendo respeitado pelos bandidos. Precisamos trazer paz para a cidade.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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