O deputado estadual Capitão Assumção (Patriota), candidato a prefeito de Vitória, entrou em contato com a coluna para dizer que não quer ser envolvido na “briga” nem na “confusão” (palavras suas) entre os também deputados estaduais Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Fabrício Gandini (Cidadania), adversários dele na disputa pela prefeitura. “Essa briga não é minha. Não me coloque nessa confusão desses dois”, disse Assumção.
“Não estou batendo em ninguém. Quero apenas conduzir a minha campanha limpa e propositiva. Não é um ringue”, completou o candidato do Patriota.
A declaração de Assumção foi dada na noite de domingo (1º), no contexto da nossa coluna publicada na véspera, sobre acusações entre candidatos em Vitória envolvendo o ex-presidente da Assembleia Legislativa José Carlos Gratz.
Conforme explicamos na coluna, Gandini afirmou, durante comício no último dia 26, no clube Álvares Cabral, que Vitória está sob ameaça de retorno da “Era Gratz”, em alusão ao fato de que, se Pazolini vencer a eleição na Capital, seu 1º suplente na Assembleia é o ex-deputado estadual e ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCES) Marcos Madureira, um aliado histórico de Gratz.
Como também demonstramos, em uma espécie de contra-ataque, grupos de direita no Whatsapp passaram a compartilhar um post associando o próprio Gandini a Gratz, pelo fato de o candidato ter mantido em seu gabinete na Assembleia, de fevereiro de 2019 a julho de 2020, um assessor comissionado com o mesmo sobrenome do ex-presidente do Legislativo estadual (segundo o próprio ex-assessor, a mãe dele é prima de 3º grau de José Carlos Gratz, e só).
A origem desse post é desconhecida. O que podemos afirmar (como afirmamos) é que, nesses grupos, há tanto alguns simpatizantes de Pazolini como alguns simpatizantes de Assumção. Em momento algum afirmamos que o post foi produzido de modo deliberado por assessores das respectivas campanhas nem que tenha partido destas.
De todo modo, Assumção mostrou preocupação em se dissociar completamente desse tipo de iniciativa. Foi enfático em dizer que o material para atingir Gandini não tem nada a ver com a campanha dele. Eis a declaração do candidato:
“Temos coisa mais importante a fazer do que multiplicar memes de adversários. O nosso trabalho é propositivo. Se for da minha equipe, eu chamo a atenção na hora, mas isso não está ligado ao meu pessoal. Essa briga não é minha. Não me coloque nessa confusão desses dois.”
Registro feito e recado dado.
TÁ TUDO DOIDO…
Quando Capitão Assumção assume o papel do candidato “tranquilão” e pacífico é sinal de que a campanha em Vitória tomou um rumo estranho e bastante inesperado…
UM ESCLARECIMENTO NECESSÁRIO
Ainda a respeito de montagens e posts que visam promover desinformação nas redes sociais e aplicativos de mensagens, chegou ao nosso conhecimento que, logo após a publicação da coluna de sábado, passaram a circular montagens alardeando que Gratz e Pazolini se encontraram na última quinta-feira (29).
Por uma questão de zelo com a precisão da informação e de fidedignidade às palavras do entrevistado, achamos por bem esclarecer ao público que: 1) Como se pode conferir na entrevista, Gratz de modo algum afirmou que ele e Pazolini marcaram de se encontrar nem que tenham combinado previamente algum tipo de encontro; 2) O que o ex-deputado afirmou é que, na última quinta-feira, ele estava em um evento no Iate Clube, onde Pazolini também se encontrava; estando no mesmo evento, ele encontrou Pazolini e os dois se falaram. É o que consta na entrevista do ex-deputado.
Com isso, esperamos ter esclarecido, esgotado e encerrado essa questão.
DISPARADOS NA ARRECADAÇÃO
Conforme destacamos aqui nesta segunda-feira, Pazolini é, na relação gasto por eleitor, o candidato a prefeito de capital pelo Republicanos que recebeu até agora o maior repasse do Fundo Eleitoral por parte da direção do partido, superando até Crivella no Rio e Russomanno em São Paulo. O repasse total para o delegado é de R$ 1,240 milhão, o que dá quase R$ 5,00 por eleitor de Vitória.
Entre os candidatos a prefeito de capital pelo Cidadania, Gandini também se destaca nesse quesito, com repasse total, até agora, de R$ 915 mil do Fundo Eleitoral do Cidadania (sendo R$ 615 mil da direção estadual e mais R$ 300 mil da nacional). Isso além de R$ 150 mil da direção estadual do PSL, o partido do seu vice, Nathan Medeiros. No total, R$ 1,065 milhão, o que representa R$ 4,23 por eleitor de Vitória.
A DIFERENÇA FUNDAMENTAL
Mas há uma diferença fundamental nessa comparação. No caso de Pazolini, é uma grande surpresa o fato de a cúpula do Republicanos estar, proporcionalmente, injetando mais recursos neste momento em sua campanha do que nas de suas estrelas nacionais. É sinal inequívoco de que a direção partidária passou mesmo a acreditar na ida de Pazolini para o 2º turno em Vitória e resolveu dar um impulso extra para que isso se concretize, investindo mais dinheiro na campanha do seu candidato na capital capixaba.
Já no caso de Gandini, está tudo dentro do esperado. Ou alguém aí tinha alguma dúvida de que o Cidadania investiria com força em seu candidato na capital capixaba, a única governada pelo partido nos 26 Estados da federação? O Cidadania comanda Vitória há oito anos. Está “defendendo o título” na cidade (de novo: a única capital governada pela sigla).
O candidato, além de controlar o partido no Espírito Santo (muito diferentemente de Pazolini, "cristão novo" no Republicanos), tem o apoio do atual prefeito, Luciano Rezende (também do Cidadania), e é pré-candidato há anos. Alguém esperava algo diferente disso? Surpresa seria o contrário.
NÃO DEMONIZO O FUNDO
Este colunista não demoniza o Fundo Eleitoral nem candidatos que utilizem recursos do Fundo Eleitoral. É o sistema ideal de financiamento de campanhas? Não. Mas ainda é melhor que o anterior: a farra das doações empresariais, que estava na essência da troca de favores escusos entre o poder público e o poder econômico na República (vide Lava Jato).
O ótimo é inimigo do bom. O ruim ainda é melhor que o péssimo. Enquanto não se chega a um melhor sistema nas eleições futuras, a regra do jogo atual é essa. Vale para todos. E não há vergonha nem pecado em se jogar de acordo com as regras estabelecidas pelos Poderes constituídos.
Entretanto, o que tem-se observado é um monte de candidatos usando os recursos de maneira envergonhada. E cada um apontando para o quintal do outro, dizendo que o adversário usou mais dinheiro do Fundo Eleitoral do que ele (que também, por sua vez, não deixou de usar a verba). Isso é hipocrisia. Ou não se aceita um centavo do Fundo Eleitoral, ou que cada um responda pela própria arrecadação e pare de condenar a do outro.
CONSTATAÇÃO
O nível de tensão na campanha eleitoral em Vitória subiu muito nos últimos dias. Os lados envolvidos estão nervosos.