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Faroeste legislativo

Assumção e Enivaldo chamam um ao outro para a briga física

Para ex-líder do governo Casagrande, deputado bolsonarista, além de ofensas, dirigiu ameaças diretas ao secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, que, segundo Enivaldo, deveria pedir "segurança de vida". Pano de fundo foi inspeção no Dório Silva

Publicado em 15 de Junho de 2020 às 16:19

Públicado em 

15 jun 2020 às 16:19
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Deputados Capitão Assumção e Enivaldo dos Anjos
Deputados Capitão Assumção e Enivaldo dos Anjos Crédito: Lissa de Paula/Assembleia Legislativa
Não é de hoje que as sessões virtuais da Assembleia Legislativa durante a pandemia têm sido muito acaloradas, nos embates entre deputados de oposição e apoiadores do governo Renato Casagrande (PSB), mas a da tarde desta segunda-feira (15) superou todos os limites, sendo marcada por grosserias e agressões diretas entre deputados e ao secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes (PCdoB). Muito exaltados (sobretudo o segundo), o deputado governista Enivaldo dos Anjos (PSD) e o oposicionista Capitão Assumção (Patriota) chamaram um ao outro para a briga física. E deram a entender que, se a sessão fosse presencial, teriam "saído no braço" (ou "no pau", como disse a certa altura o capitão da reserva da PMES). 
O pano de fundo da troca de desaforos foi a "blitz" realizada por seis deputados de oposição ao hospital estadual Dório Silva, na Serra, na última sexta-feira (12) e a reação do governo Casagrande à iniciativa desses parlamentares. Os autores da visita surpresa alegam que só cumpriram o seu dever constitucional de fiscalizar (no caso, a ocupação dos leitos para pacientes da Covid-19 no hospital). Para o governo e governistas, o episódio configurou uma "invasão", além de desrespeito com os pacientes, suas famílias e os profissionais da saúde.
No sábado (13) de manhã, o próprio Nésio Fernandes condenou a atitude dos deputados na véspera, pedindo a eles para se desarmarem e se despirem de manifestações xenofóbicas (pautadas pelo ódio ao estrangeiro ou ao que vem do estrangeiro). Mais tarde, no mesmo dia, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) emitiu nota oficial de repúdio à visita surpresa dos parlamentares ao Dório Silva, classificando-a como uma "invasão" que pôs em risco, inclusive, a integridade de pacientes com Covid-19. Na tarde desta segunda-feira, logo após a sessão plenária, veio a notícia de que o governo entrou com uma representação contra os autores da visita para inspecionar o Dório Silva.
Logo no início da sessão desta segunda-feira, o deputado Capitão Assumção, parlamentar mais ligado ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Espírito Santo, endereçou ofensas pessoais ao secretário Nésio Fernandes, formado em Medicina pela Escola Latino-Americana de Medicina (Elam), em Havana, capital de Cuba. Começou leve, chamando o secretário de "deselegante".
Na sequência, porém, com o dedo em riste o tempo todo, dirigiu a Nésio termos como “sanguinário”, “vagabundo” e “carrapato do governador”. Chamou-o, ainda, de "médico cubano irresponsável" e disse que o secretário, na verdade, "não é médico", mas um "agente infiltrado de Cuba no Brasil". “Você já passou da hora de voltar para a sua terra!”, atacou Assumção. 
O caldo, que já estava muito quente, transbordou quando Enivaldo declarou que, se ele fosse o secretário, solicitaria ao governo segurança pessoal, diante do que Assumção acabara de dizer. 
Exasperado (e sem pedir aparte), Assumção perguntou a Enivaldo se o ex-líder do governo queria dizer que ele tinha ameaçado o secretário. Enivaldo rebateu que sim, é claro que ele tinha feito uma ameaça direta ao secretário. Outros deputados, como Iriny Lopes (PT), fizeram eco a Enivaldo.
Nesse momento, no meio da troca franca de hostilidades, Enivaldo e Assumção disseram que poderiam resolver a questão à base da violência física. Em se tratando de uma sessão virtual, chegaram o mais perto que alguém pode chegar de "partir para as vias de fato". 
Confira abaixo a transcrição da briga, durante a sessão virtual: 

Enivaldo no início até tentou serenar os ânimos, defendendo o governo estadual da investida anterior de Assumção:

– Para aquilo que não tem saída, não é justo que se faça acusações ou que se cobre, de maneira exagerada, de maneira violenta, a solução de um problema que não tem saída. Porque esta é a grande verdade: não adianta culpar o presidente da República, não adianta culpar os governadores, não adianta culpar os prefeitos. O problema não tem saída, não tem remédio. [...]

Mas o caldo logo entornou, quando o ex-líder do governo encerrou sua intervenção dando uma recomendação ao secretário estadual da Saúde:

– Agora, senhor presidente, para encerrar, eu queria dar um conselho para o secretário Nésio Fernandes. Pela forma que o deputado Capitão Assumção se manifestou com relação a ele, e com a veemência e com o dedo em riste, eu, se fosse ele, pedia segurança de vida, pedia proteção, porque eu conheço bem a pessoa quando está possuída de um desejo maior do que…

Deste ponto em diante, a discussão entre os dois deu-se assim, pontuada por comentários de Iriny Lopes, Bruno Lamas e Theodorico Ferraço (que sugeriu a Marcelo Santos a suspensão da sessão):

Assumção: Acha que eu tô ameaçando ele, deputado?

Enivaldo: Vossa Excelência ameaçou.

Assumção: Você acha que eu tô ameaçando ele, deputado?

Iriny: Você tá ameaçando ele, rapaz.

Enivaldo: Vossa Excelência o ameaçou e está querendo me ameaçar agora.

Assumção: Não, rapaz. Não tô ameaçando não, cara.

Lamas: Ameaçou mesmo. Ameaçou mesmo.

Enivaldo: Ameaçou, como está querendo me ameaçar também. Só que aqui o buraco é mais embaixo também. Eu conheço o mesmo caminho que você conhece. Eu tenho a mesma pegada que você tem.

Assumção: Representa contra mim então, deputado.

Enivaldo: Você entra contra mim. Vamos ver então, nós dois.

Assumção: Eu tô aqui na Assembleia. Vem aqui e a gente resolve no pau!

Enivaldo: Vem aqui, eu também estou aqui na minha rua.

Assumção: Seu frouxo!

Iriny: O Capitão Assumção está quebrando [o decoro].

Enivaldo: Você é uma pessoa que não tem respeito por ninguém. Você tem nas costas um monte de problemas impublicáveis.

Assumção: Não ponha palavras na minha boca, rapaz!

Enivaldo: Você tem um monte de problemas impublicáveis.

Iriny: Senhor presidente, está tendo quebra de decoro!

Enivaldo: Você está querendo repetir aqui o que Jair Bolsonaro fez às pessoas...

Theodorico: Suspende a sessão! Suspende a sessão!

Assumção: Você está querendo dizer que eu ameacei...

Enivaldo: Você ameaçou, sim!

Assumção: Deixa de ser leviano, rapaz!

Neste ponto, o deputado Marcelo Santos (que presidia a sessão, como vice-presidente da Mesa) "separou a briga", tratou de controlar a situação e sugeriu a ambos:

– O caminho mais correto para se resolver isso é no diálogo ou na Justiça.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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