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Mês decisivo

Bastidores da eleição à presidência da Assembleia Legislativa

Assediado pelo Palácio Anchieta (que prefere a renovação), Erick Musso mantém-se candidatíssimo à reeleição, mas, para mudar de ideia, até a Secretaria de Agricultura pode entrar na negociação com o governo

Publicado em 09 de Janeiro de 2021 às 16:42

Públicado em 

09 jan 2021 às 16:42
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Renato Casagrande (PSB) e Erick Musso (Republicanos)
Renato Casagrande (PSB) e Erick Musso (Republicanos) Crédito: Divulgação
Candidato a um terceiro biênio na presidência da Assembleia LegislativaErick Musso (Republicanos) foi a Renato Casagrande na última quarta-feira (6), e os dois conversaram pessoalmente sobre a eleição da Mesa Diretora, marcada para 1º de fevereiro. O atual presidente do Legislativo estadual “jurou lealdade ao rei”, dando-lhe garantias de governabilidade e estabilidade política total na segunda metade do governo, se continuar no cargo de comando.
De fato, depois do “Novembro Sangrento” de 2019, Erick fez uma série de movimentos e sinais de reaproximação política com o Palácio Anchieta. Desde então, pautou tudo de interesse do governo, que deslizou na Casa. Até bem recentemente, na cerimônia de posse dos três suplentes que retornam à Assembleia – Marcos Madureira, Freitas e Luiz Durão –, fez discurso enfatizando estes pontos: estabilidade, responsabilidade, governabilidade.
Casagrande pode até confiar (e a palavra dele, no fim, é a única que importa), mas alguns em torno dele desconfiam. Conforme já escrevemos, o governo prefere uma solução caseira, emplacando um presidente que seja fiel membro da base aliada, que pode ser Marcelo Santos (Podemos), ou o atual líder, Dary Pagung (PSB). Se Erick conseguir se viabilizar de novo por conta própria, terá sido isso mesmo: por conta própria e sem ajuda do governo. E aí é ele quem dará ao mercado político uma tremenda demonstração de força própria.

PRÓS E CONTRAS DE DARY

Sucessor de Freitas (também do PSB) na função de líder do governo, Dary Pagung tem a seu favor a diplomacia: mesmo aparecendo muito pouco, é considerado “jeitoso” e transita bem entre os colegas. Conversa bem até com Capitão Assumção (Patriota), não tem arestas com quase ninguém (a não ser com o próprio Erick), porém é mais passivo. Para ele ser candidato contra Erick, só se Casagrande disser “vai”.

PRÓS E CONTRAS DE MARCELO

Marcelo Santos, como já dito, faz muito bem o pêndulo entre Casagrande e Erick, para quem seria, assim, um substituto mais palatável – portanto uma alternativa mais fácil de convencer o atual presidente. Marcelo também é muito experiente, é o decano da Assembleia e é um habilidoso articulador de bastidores. Mas, diferentemente de Dary, tem arestas com alguns colegas bem mais difíceis de lixar.

PRIMEIRO TEM QUE COMBINAR COM OS MUSSOS

Como já expus aqui, a “solução Marcelo Santos” tem que ser combinada antes com os russos. Depende da costura de um amplo acordo com Erick e com o Republicanos. E é preciso saber se Erick topa. Para isso, o governo Casagrande já acena com uma secretaria para Erick comandar, de modo a ganhar mais visibilidade visando à sua próxima eleição em 2022 (possivelmente, para deputado federal).
A priori, seria a de Esportes (já comandada pelo mesmo grupo em meados do governo passado de Paulo Hartung, com Roberto Carneiro, atual presidente estadual do Republicanos e grande conselheiro político de Erick). Casagrandistas entendem que a Sesport está de bom tamanho e é uma ótima “oferta” para Erick: é uma pasta em que se pode fazer muitas entregas sem tantos recursos. Já o grupo de Erick acha que pode ser pouco (e, cá para nós, não é das pastas mais robustas mesmo).

AGRICULTURA PODE ENTRAR NO JOGO

Assim, nessa negociação, pode entrar na mesa outra secretaria, como a de Agricultura (Seag), chefiada desde o início do atual governo por Paulo Foletto, na cota partidária do PSB. Dirigentes do partido não hão de querer abrir mão do espaço, mas a conversa de Casagrande com Foletto, que pode ou não abrir esse espaço na negociação, depende fundamentalmente dos planos eleitorais de Foletto para 2022.
Reeleito deputado federal em 2018, Foletto já deu alguns sinais de estar “cansado de Brasília”, tanto é que, desde o início do mandato, está licenciado da Câmara, tendo sido puxado para a Seag e substituído pelo suplente, Ted Conti (PSB). Se ele não quiser se reeleger deputado federal em 2022, há dentro do próprio governo quem entenda que ele não precisaria continuar na Seag até o fim, até porque não precisaria de tamanha visibilidade política.
Por esse pragmatismo, o governo estaria “desperdiçando” um espaço que poderia ser renegociado com aliados que Casagrande pretende atrair, como o próprio Republicanos (além do MDB, do PSDB, entre outros). “Se Foletto não quiser mais ser federal, mantê-lo lá seria matar uma formiga com uma bazuca”, avalia um interlocutor de Casagrande.

OS SINAIS DOS COMENSAIS

Por ora, ele é candidatíssimo à reeleição. Se alguém ainda tinha dúvidas, as últimas foram dissipadas no almoço de fim de ano oferecido por Casagrande no Palácio aos deputados estaduais. Na ocasião, cerca de dez deputados fizeram diante do governador falas bastante elogiosas a Erick, o que foi interpretado no Palácio como expressão das movimentações do atual presidente.

BANDEIRA DE TRÉGUA

No mesmo almoço, interlocutores de Casagrande também notaram as falas bem mais amenas e amigáveis por parte de deputados até então na oposição, porém derrotados no último pleito municipal, como Vandinho Leite (PSDB) e Carlos Von (Avante), além de Torino Marques (PSL), que não disputou nada. E é claro que chamou a atenção a simples presença de Capitão Assumção (Patriota), também mal-sucedido na disputa eleitoral em Vitória.
Será que o pessoal está ciscando para dentro?

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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