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"Paz armada" e guerra de nervos

"Cães de Aluguel" está sendo refilmado na Câmara de Vitória

Hoje, assim como na cena clássica do thriller de Tarantino, aliados de Luciano Rezende mantêm armas apontadas para a cabeça da oposição na Casa, enquanto a oposição mantém as suas apontadas para a prefeitura e para aliados do prefeito

Publicado em 01 de Julho de 2020 às 05:00

Públicado em 

01 jul 2020 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Cena clássica do filme
Cena clássica do filme "Cães de Aluguel" (1992), de Quentin Tarantino Crédito: Reprodução
Você já viu "Cães de Aluguel" (1992), primeiro longa do aclamado diretor Quentin Tarantino? Mesmo que não tenha visto, você na certa está familiarizado(a) com a cena acima (passagem clássica do referido thriller) ou com alguma das suas muitas similares. É aquela cena clássica de longas do Tarantino, reproduzida em muitos filmes de ação e policiais: dois adversários apontam a arma de fogo, ao mesmo tempo, para a cabeça um do outro. Nenhum dos dois quer realmente atirar, mas tampouco cogita abaixar a arma, pois sabe que, se o fizer, leva tiro.
O cara não mantém a arma apontada para o outro a fim de matá-lo; antes o faz para manter-se vivo. Ele sabe que, se atirar, sua chance de também morrer é imensa. Mas também sabe que, enquanto sustiver sua arma ali, é igualmente remota a chance de o algoz puxar o gatilho. Os dois podem seguir assim indefinidamente, nessa correlação de ameaças, nesse perfeito equilíbrio de armas que acabam se anulando entre si.
Pois bem, caro(a) leitor(a): agora transponha a metáfora para a política e você tem pintado na sua frente o exato quadro em que se encontra, atualmente, a Câmara Municipal de Vitória. Um remake de “Cães de Aluguel”, encenado pelos próprios vereadores, está em cartaz no plenário da Casa, no contexto da luta política entre o grupo do atual presidente, Cleber Felix (DEM), e o de aliados do prefeito Luciano Rezende (Cidadania), encabeçado pelo ex-presidente da Câmara e correligionário de Luciano, Vinícius Simões.
Os dois lados já sacaram e apontaram as respectivas armas. E nenhum deles se mostra disposto a depor sua pistola hoje. No fundo, no fundo, porém, nenhum deles parece tampouco muito a fim de dar o primeiro tiro. Como na Guerra Fria, ninguém dispara míssil algum contra ninguém, desde que os dois lados mantenham os respectivos mísseis bem apontadinhos um para o outro.
Hoje, na Câmara de Vitória, há quatro CPIs em funcionamento: uma delas (proposta por Clebinho) mira diretamente em Vinícius, e outra, a do projeto Porta a Porta, incomoda a gestão de Luciano, cuja base trabalha para abafá-la. Na escalação de todas elas, há predomínio de aliados do atual presidente da Casa. Por outro lado, há, na Corregedoria da Câmara, um processo movido por Vinícius contra Clebinho, o qual, se evoluir, pode vir a representar um tiro de morte no atual presidente (no limite, derrubando-o do cargo e afastando-o do poder).
Mesmo que produzam pouco (em virtude das limitações geradas pela pandemia), é bem possível que Clebinho mantenha as CPIs oficialmente em funcionamento, com composição contrária a Vinícius e à prefeitura, como uma ameaça permanente a pairar sobre a cabeça de ambos. Se fizerem o processo contra ele andar na Corregedoria, o lado de Clebinho também aperta o gatilho do lado de cá, ou seja, arruma problemas para o prefeito e aliados nas CPIs.
Da mesma forma, a tropa de Luciano manterá o processo contra Clebinho na Corregedoria como ameaça permanente contra ele, justamente para evitar que ele e seus aliados tomem qualquer iniciativa contrária ao prefeito e a Vinícius nas CPIs. Se isso ocorrer, eles também disparam sua arma contra Clebinho na Corregedoria. Basta convencer o vereador Luiz Paulo Amorim (PV), fiel da balança no momento.
Se ninguém depuser as armas e se persistir essa situação de contínua ameaça recíproca não concretizada, teremos, nos próximos tempos, no Poder Legislativo de Vitória, uma espécie de "paz armada", como no período que antecedeu a Primeira Guerra Mundial (1914/1918), ou uma “coexistência pacífica” (paz artificial, por medo mútuo), tal como durante a Guerra Fria.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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