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Sob nova direção

Candidatura de Assumção pelo PSL se torna praticamente impossível

Novo presidente estadual do PSL não se compromete a dar legenda para Assumção disputar a Prefeitura de Vitória. E, segundo Coronel Quintino, Luciano Bivar pediu a ele para “cortar” os infiéis ao partido

Publicado em 07 de Março de 2020 às 05:00

Públicado em 

07 mar 2020 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Luciano Bivar, diz Quintino, não quer nem saber de lançar candidatos pelo PSL que não tenham compromisso com o partido (como Assumção) Crédito: Amarildo
A preço de hoje, o deputado estadual Capitão Assumção dificilmente conseguirá viabilizar candidatura a prefeito de Vitória na eleição deste ano. A tendência é que ele seja barrado pelo próprio partido. A recente mudança no comando estadual do Partido Social Liberal (PSL) mudou radicalmente as perspectivas eleitorais para políticos como Assumção, ainda filiados à legenda, mas muito conectados politicamente ao presidente Jair Bolsonaro (e de mudança já anunciada para a Aliança pelo Brasil).
Como se sabe, Bolsonaro rompeu com o PSL, pelo qual se elegeu em 2018. O presidente nacional do partido, Luciano Bivar, venceu o clã Bolsonaro na queda de braço interna pelo controle da sigla, e o presidente da República anunciou sua decisão de fundar o próprio partido.
Como consequência direta dessa reviravolta, Bivar passou a presidência do PSL no Espírito Santo de volta para Amarildo Lovato, dirigente extremamente fiel ao presidente nacional do partido. Em fevereiro, Lovato reassumiu o cargo no lugar do ex-deputado federal Carlos Manato, que hoje se dedica à coleta de assinaturas para a fundação da Aliança. O mesmo tem feito Capitão Assumção, que já anunciou: por enquanto, fica no PSL, mas, assim que a Aliança for homologada, pula para o novo partido de Bolsonaro.
Bolsonaristas, porém, já jogaram a toalha e admitem que o novo partido não será fundado a tempo de participar das eleições municipais deste ano. Ou seja: pela Aliança, Assumção não conseguirá ser candidato a prefeito. Resta-lhe, assim, o próprio PSL, mas é aí que está a sua maior dificuldade. Por parte de Bivar, a ordem para a direção estadual é clara: não dar legenda para pré-candidatos a prefeito que ainda estejam filiados ao PSL, mas que estejam ajudando a fundar a Aliança pelo Brasil (como Assumção).
Em conversa com a coluna na última quinta-feira (05)Amarildo Lovato afirmou que não tem compromisso com Assumção e que fará o que for determinado por Luciano Bivar. “O PSL não garante a legenda a ninguém, até porque nós temos convenção em julho. Só vou dizer se ele será candidato depois da convenção e se isso estiver alinhado com a direção nacional. A decisão da nacional é essa. No interior, quem eu apertar a mão é candidato. Mas, em qualquer município acima de 200 mil habitantes, a candidatura tem que ser discutida com a nacional.”
Vitória tem 362 mil habitantes, enquadra-se nessa regra, e a pergunta que fica é: por que Bivar vai querer dar legenda para um candidato que tem relação pessoal com Bolsonaro (seu inimigo) e que, se eleito prefeito, deixará o PSL na primeira oportunidade? Aliás, a falta de compromisso de Assumção em permanecer no PSL não seria um impedimento para a direção estadual bancar a candidatura dele? Lovato responde:
"Tenho um compromisso com o PSL. Só faço com o Capitão Assumção o que a nacional me autorizar. Respeito muito a hierarquia. Não posso assumir nenhum compromisso com o Capitão Assumção porque vai depender do aval da nacional. O que posso te dizer é que quem é PSL vai ter o nosso aval. Quem não é PSL não vai ter o nosso aval."
Amarildo Lovato  - Presidente do PSL no Espírito Santo
E Assumção, hoje, é PSL? “Ele é Bolsonaro”, responde Lovato. “Eu não sei se ele é partidário. Mas ele é bolsonarista, disso eu tenho certeza.”

QUINTINO VAI A BIVAR EM BRASÍLIA E VOLTA COM UM FACÃO NA MÃO

Ainda mais enfático é o deputado estadual Coronel Quintino – o único dos quatro membros da bancada do PSL na Assembleia que não pretende trocar o PSL pela Aliança. Na última terça-feira (03) ele foi a Brasília e conversou pessoalmente com Luciano Bivar e também com o vice-presidente nacional do PSL, Antonio de Rueda, no gabinete do primeiro.
“O Bivar está chateado porque está vendo deputados e pessoas que se dizem do PSL pegando assinaturas e pedindo ajuda para a Aliança. Ele não quer que o PSL seja usado como barriga de aluguel. Não quer que candidatos explorem esse momento simplesmente para se candidatar e depois pular para a Aliança. Ele quer um PSL puro-sangue. Ele não quer que a Aliança cresça em cima do PSL, e está muito certo nisso. Me refiro a todos que estão buscando assinaturas para a Aliança, mas ainda estão no PSL. O PSL tem pesquisado e sabe quem é quem.”
Segundo Quintino, ele saiu de lá com a seguinte determinação do presidente nacional:
"O Bivar determinou para mim e para o Amarildo, em quem ele confia muito: cortar esses pré-candidatos e fazer a substituição o mais rápido possível. Se já tiver algum candidato não fiel ao PSL se lançando pelo partido, vamos fazer um novo diretório municipal e lançar um novo candidato na cidade dele. Dependendo da postura da pessoa, é só impedir a candidatura. Mas, se necessário for, ele nos deu poder até para expulsar a pessoa do partido, por infidelidade"
Coronel Alexandre Quintino (PSL) - Deputado estadual
Bivar referiu-se especificamente ao caso de Assumção? Eis a resposta de Quintino: "Ele não falou isso, mas foi o que deu a entender". E Lovato está de acordo com esse "cortem as cabeças"? "O PSL está", diz o deputado, já falando em nome do partido. "E vamos trabalhar em cima do que o presidente nacional está mandando."
Uma alternativa para Assumção é se filiar a outro partido de direita, como o Patriota, até 4 de abril, para poder concorrer em Vitória. Nesse caso, porém, ele pode ter o mandato de deputado cassado por infidelidade partidária.

COMO FICA A RELAÇÃO DO PSL COM O GOVERNO CASAGRANDE?

Lovato é muito mais palatável ao governo Casagrande do que seu antecessor na presidência do PSL-ES, Manato. Ele nega, porém, que o PSL possa vir a apoiar um candidato a prefeito da base do governador em Vitória: “Fora de cogitação”. Também rechaça qualquer chance de o PSL vir a ingressar na base do governo Casagrande. “Podemos até conversar com o governo, mas apoiar o governo jamais. Essa possibilidade é zero, até porque o PSL é um partido de direita.”

AFINAL, QUEM É QUE MANDA NESSE NOVO PSL?

Nitidamente, está havendo um ruído entre Quintino e Amarildo Lovato quanto à ascendência no PSL-ES. Quintino voltou do encontro com Bivar em Brasília dizendo que o presidente nacional da legenda lhe conferiu poderes para agir, praticamente, em patamar de igualdade com Lovato. Faltou combinar isso direito com o presidente estadual.

O QUE DIZ QUINTINO

"Na conversa comigo, o Bivar me falou: 'Quero você do lado do Amarildo'. Não sou o presidente estadual por escrito, de fato, mas ele me deu autonomia de presidente."

O QUE DIZ AMARILDO LOVATO

"Quem responde pela presidência estadual do PSL sou eu. Não tem esse negócio de dividir a presidência estadual. Qualquer coisa que for feita dentro do partido sem o meu aval não tem validade legal."
De acordo com Lovato, Bivar pediu a ele para "alinhar" com Quintino o comando dos diretórios do PSL em alguns municípios do Sul do Estado onde o deputado tem interesse em lançar aliados dele como candidatos a vereador e a prefeito, a exemplo de Brejetuba, Presidente Kennedy e Atílio Vivácqua. Isso realmente será feito. "Quintino vai poder indicar os presidentes do PSL nesses municípios, alinhado comigo", diz o presidente estadual da agremiação.

FORESTI ABSOLVIDO

Por falar em Assumção e Quintino, outro acusado de participação na greve da PMES em fevereiro de 2017 obteve uma vitória nesta sexta-feira (6). O coronel Carlos Alberto Foresti foi absolvido pela Vara de Auditoria Militar, por conta do episódio em que ele "surtou" à frente do Ciodes, gravou e espalhou um áudio interpretado como defesa do movimento, em plena greve.
Após quase se lançar candidato ao governo do Estado pelo PSL, Foresti concorreu, em 2018, a uma vaga de deputado federal pelo PHS. Não levou. Este ano, ele diz que recebeu convites, mas que não será candidato a nada. Quer focar na família e em sua saúde mental.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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