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Eleições 2020

Célia X Euclério: governo Casagrande para um lado, partido dele para o outro

No equilibrado 2° turno em Cariacica, como mostra a pesquisa Ibope/Rede Gazeta, cúpula do Palácio Anchieta prefere Euclério, enquanto base do PSB vai com Célia

Publicado em 22 de Novembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

22 nov 2020 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Euclério e Célia Tavares na disputa em Cariacica
Euclério e Célia Tavares na disputa em Cariacica Crédito: Amarildo
A eleição à Prefeitura de Cariacica foi a mais equilibrada de toda a Grande Vitória durante todo o 1º turno. No 2º turno não é diferente. A primeira pesquisa Ibope/Rede Gazeta no município na etapa final da eleição apresenta os dois finalistas, Euclério Sampaio (DEM) e Célia Tavares (PT), tecnicamente empatados na intenção de voto estimulada, no limite da margem de erro: o deputado estadual tem 44% das menções, contra 38% da ex-secretária municipal de Educação. A margem de erro do levantamento é de 5 pontos percentuais para mais ou para menos.
Nesse cenário de tamanho equilíbrio, a presença e a atuação de outras forças políticas que já se somaram ou podem se somar à campanha dos dois candidatos podem ser decisivas, assim como a intervenção de “agentes externos”. Nesse aspecto, vale a pena ressaltar a situação um tanto paradoxal em que se encontra, no município, o governo de Renato Casagrande (PSB) e o partido do governador.
Como analisamos aqui na manhã deste sábado, esse confronto final em Cariacica é até tranquilo para o governo Casagrande, se comparado ao de outros municípios (Vitória, em especial). Nem Euclério nem Célia representam qualquer ameaça política para o atual governo, tampouco a vitória de um deles será considerada um problema ou revés para o Palácio Anchieta. Euclério é aliadíssimo do governo Casagrande na Assembleia, ao passo que Célia traz com ela o PT e a figura do ex-prefeito Helder Salomão, com os quais, respectivamente o PSB e Casagrande se dão muito bem.
A questão é que a primeira metade deste “2º turno expresso” mostrou que, particularmente em Cariacica, o governo Casagrande e seu partido não estão na mesma sintonia nem nutrem a mesma predileção: enquanto o Palácio Anchieta prefere Euclério, a direção e a militância do PSB preferem Célia.
Tanto é que, na noite da última quinta-feira (19), a Executiva Estadual do PSB decidiu transmitir para a sua militância indicativos de apoio muito claros nos três outros municípios onde está havendo 2º turno: a cúpula do partido do governador indica voto em João Coser (PT) em Vitória, Sérgio Vidigal (PDT) na Serra e Max Filho (PSDB) em Vila Velha.
Curiosamente, porém, a direção do PSB fez uma exceção a Cariacica, deixando um asterisco sobre o município: oficialmente, o partido liberou sua militância e decidiu não indicar apoio nem a Euclério nem a Célia. Pelo que apuramos, no entanto, essa decisão (ou abstenção) foi tomada tão somente para não deixar Casagrande numa situação delicada.
Na verdade, tanto a cúpula como a base do PSB têm muito maior proximidade com o PT de Célia e Helder e já estão atuando em massa na campanha da candidata petista. Porém, se essa adesão fosse oficializada em nome do partido, ficaria ruim para Casagrande, pois seria possível dizer que o partido do governador está oficialmente militando contra o candidato da base do governo, deputado governista, que goza de ampla simpatia do Palácio Anchieta.
Ou seja, para não gerar um problema para Casagrande na relação política com Euclério que ele precisa muito conservar, o PSB prefere não expor que hoje o partido do governador trabalha pela eleição da adversária do deputado governista.
Mas os sinais estão todos postos. O PSB prefere ir com Célia por uma evidente questão de muito maior aderência político-ideológica. Tal como o PT, o partido de Casagrande se situa no campo político do centro para a esquerda. Os dois partidos são historicamente irmanados no Espírito Santo. Para citar dois exemplos eloquentes, o então petista Givaldo Viera foi o vice-governador de Casagrande em sua primeira administração (2011/2014). E Sebastião Balarini, um quadro do PSB, foi o vice-prefeito de João Coser (PT) em seu primeiro governo em Vitória (2005/2008).
Já Euclério, por sua vez, é historicamente um político e um deputado de direita, como confirmam seus posicionamentos e alguns projetos de sua autoria na Assembleia Legislativa – muito embora esteja fazendo uma campanha acima de questões e diferenças ideológicas, com discurso de conciliação, de bom relacionamento com todos e de união de forças políticas em benefício da cidade.

COALIZÃO DE CENTRO-ESQUERDA

No 1º turno, o PSB disputou a Prefeitura de Cariacica com candidato próprio, o professor e ex-vereador Saulo Andreon. Sua candidatura não prosperou e ele chegou só em 10º lugar. Agora, não só o PSB como o próprio candidato e os partidos que formaram sua coligação na primeira etapa da eleição estão se deslocando, um a um, para o lado de Célia: Saulo e o Partido Verde (PV) já haviam anunciado apoio a ela e, na noite deste sábado (21), logo após a chegada da pesquisa Ibope/Rede Gazeta, foi a vez de o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), outra legenda de esquerda, que disputou o 1º turno com o médico Heraldo Lemos (8º colocado), confirmar a adesão à candidatura de Célia. O presidente estadual da sigla é o já citado ex-petista Givaldo Vieira.
Outra sigla também de centro-esquerda que em breve deve engrossar o bloco de Célia é o PDT, o partido mais forte que compôs com o PSB no 1º turno e que teve até a vice de Saulo, a líder comunitária Vaninha. O presidente da sigla em Cariacica, vereador Itamar Freire (marido de Vaninha), indica isso à coluna, expressando certa indisposição com Euclério:
“Ele não conversa com a gente. Não para para conversar. Só por telefone. Ele acha que já tá com poder. O Helder está nos procurando mais. Ele e eu já nos falamos neste sábado e vamos conversar pessoalmente.”
Enquanto isso, Euclério tem agregado novos aliados mais ligados ao campo de centro-direita, como o ex-deputado estadual Sandro Locutor (PROS), 4º colocado no 1º turno. E, por sua fidelidade a Casagrande, mantém a preferência do governo e do governador (ainda que não do partido deste, paradoxalmente). Na última terça-feira (17), conforme informamos na coluna, Euclério não só foi recebido por Casagrande em seu gabinete, no Palácio Anchieta, como recebeu do governador a garantia de liberação de secretários de Estado para fortalecerem sua campanha.
Ao lado de Euclério e Casagrande, estavam o deputado estadual Marcelo Santos (Podemos) e o chefe da Casa Civil, Davi Diniz. Este apoia abertamente Euclério, assim como o secretário estadual de Governo, Tyago Hoffmann (vejam só, filiado ao PSB, o que só acentua o paradoxo).
Já o secretário estadual de Segurança Pública e Defesa Social, coronel Alexandre Ramalho (sem partido), está dando auxílio mais discreto a Euclério, longe dos holofotes, na formatação do discurso e das propostas do candidato para a área da segurança (bastante sensível em Cariacica). Ramalho é muito amigo do vereador Denninho Silva (Cidadania), reeleito como campeão de votos para o cargo em Vitória, e apoiou publicamente a campanha do vereador, por sua vez primo e ex-assessor parlamentar de Euclério na Assembleia.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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