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Pesquisa Ibope/Rede Gazeta

Coser, Gandini e Pazolini: a chegada será entre os três em Vitória

Não há mais espaço para surpresa: desses três candidatos, sairão os dois que avançarão para o 2° turno. E, na próxima fase, Coser é o adversário preferido tanto de Gandini como de Pazolini

Publicado em 03 de Novembro de 2020 às 19:19

Públicado em 

03 nov 2020 às 19:19
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Gandini, Pazolini e Coser estão quase emparelhados em Vitória Crédito: Amarildo
A 12 dias do 1º turno, a segunda pesquisa Ibope/Rede Gazeta sobre a eleição para a Prefeitura de Vitória nos dá praticamente uma certeza: a definição da corrida ficará entre João Coser (PT), Gandini (Cidadania) e Pazolini (Republicanos), sem chance real para nenhum outro competidor. Esses três corredores completam a última curva da prova quase emparelhados e, nos próximos dias, brigarão por cada metro (ou ponto percentual), na reta final do 1º turno, até a linha de chegada no dia 15.
Não há mais espaço para surpresas. O curto tempo restante de campanha, aliado à distância aberta pelo trio em relação aos outros candidatos, torna muito improvável, para não dizer impossível, a chegada de um quarto elemento a essa disputa travada lá na ponta. Assim, podemos afirmar: desses três corredores, sairão os dois que passarão para o 2º turno, e um dos três vai sobrar. A grande questão, então, passa a ser exatamente esta: qual dos três ficará de fora? Coser, Gandini ou Pazolini?
Na intenção estimulada de votos, Coser, Gandini e Pazolini estão tecnicamente empatados, no limite da margem de erro. Numericamente, o ex-prefeito é quem lidera, com 26%, seguido muito de perto pelo deputado do Cidadania, que tem 24%. Pazolini vem em 3º lugar, com 18%.
Na comparação com o primeiro levantamento da série Ibope/Rede Gazeta, o destaque maior fica por conta de Pazolini, o candidato que obteve o maior crescimento numérico, praticamente dobrando as suas intenções de voto na estimulada. Passou de 10% na pesquisa publicada no dia 13 de outubro para os 18% registrados agora. E, assim, diminuiu à metade (de 12 para 6 pontos) a diferença que o separa do 2º colocado. Passa a ser uma ameaça tangível ao favoritismo de Coser e de Gandini, captado na primeira sondagem da série. Essa é a notícia preocupante para o petista e para o candidato do prefeito Luciano Rezende (Cidadania).
Por outro lado, enquanto assistiram a Pazolini ganhar terreno, Coser e Gandini não perderam fôlego. Ambos conseguiram sustentar-se no mesmo patamar. Na verdade, até cresceram um pouco, numericamente, em relação aos próprios resultados obtidos na primeira pesquisa do Ibope (embora dentro da margem de erro da pesquisa, que é de 4 pontos percentuais para mais ou para menos). Em 13 de outubro, Coser tinha 22% da intenção estimulada; agora chega a 26%. Já Gandini passou de 22% para 24%.
Essa é a boa notícia para os dois: têm que lidar com um concorrente em comum, agora a acossá-los, mas mostram-se sustentáveis e consolidados. É razoável deduzir que Pazolini cresceu em cima dos votos de indecisos ou de outros candidatos, mas que Coser e Gandini não perderam votos para ele.
De resto, nenhum outro candidato cresceu de maneira significativa. E, na 4ª colocação, Capitão Assumção (Patriota), Sérgio Sá (PSB) e Mazinho (PSD) aparecem muito atrás, com 5% cada um. Isso reforça o que dissemos no início: existe uma corrida à parte, a esta altura, entre os três que estão lá na ponta.

AS PROJEÇÕES DE SEGUNDO TURNO

Num cenário como esse, de três candidatos brigando por duas vagas em disputa, é importante começarmos a avaliar projeções de 2º turno. E então se faz necessário olhar ainda mais atentamente para outro índice informado pela pesquisa: o da rejeição do eleitor de Vitória a cada candidato.
Nesse quesito, a rejeição a Capitão Assumção cresceu expressivamente. E é dele agora a 1ª posição nesse ranking desfavorável aos candidatos, com 41%. Considerando os três que brigam lá na dianteira, Coser continua com rejeição no mesmo patamar da primeira pesquisa (35%), um índice elevado, atrás apenas de Assumção.
A de Gandini e a de Pazolini se encontram em um nível muito mais administrável: 21% e 19%, respectivamente, o que os deixa tecnicamente empatados também nesse aspecto. A rejeição a Pazolini, a propósito, cresceu em relação a 13 de outubro – provável efeito colateral do fato de sua candidatura ter se tornado mais conhecida.
Esses índices de rejeição reforçam a percepção, manifestada aqui desde o início, de que Coser pode ser o adversário preferencial tanto para Pazolini como para Gandini em eventual 2º turno, por poder ser considerado um oponente mais fácil de ser batido num confronto direto, com mais gente predisposta a não votar nele de jeito nenhum.
Isso nos ajuda a compreender dois fatos também já amplamente destacados e analisados nesta coluna:
1) Coser, até o momento, por incrível que pareça, está “correndo solto” nesse páreo. Salvo por uma ou outra cutucada de leve de Gandini no petista (exclusivamente no programa de rádio), por causa do “metrô de superfície”, o petista não está sofrendo críticas nem ataques de nenhum dos principais oponentes. Nem Gandini nem Pazolini têm buscado colar nele a rejeição ao PT. Provavelmente, estão guardando essa munição para o 2º turno, na esperança de lá chegar contra Coser.
2) Enquanto “ignoram” a existência de Coser, Pazolini e Gandini se enfurnam num duelo à parte de ataques e indiretas, desde o início da campanha. Isso foi intensificado nos últimos dias e, com base nestes números do Ibope, deve ser ainda mais nos próximos. Os dois estão centrados um no outro. Gandini mira fixamente Pazolini, e vice-versa. Isso prova que ambos preferem não se enfrentar no 2º turno e buscam se eliminar agora, no 1º. Não deixa de ser sinal de respeito pelo adversário.
Mas João Coser agradece.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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