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Eleições 2020

Debate da Serra vira comparação de mandatos de Audifax e Vidigal

Mais vibrante, Vidigal se apresentou como "caminho seguro", prometeu "salto para o futuro" e tratou Fabio como "instrumento para um 3° mandato de Audifax". Fabio apresentou-se como "o novo" e explorou o que Vidigal não fez quando teve chance

Publicado em 26 de Novembro de 2020 às 04:00

Públicado em 

26 nov 2020 às 04:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Debate entre Sergio Vidigal e Fabio
Debate entre Sergio Vidigal e Fabio Crédito: Amarildo
O debate foi entre Sergio Vidigal (PDT) e Fabio (Rede), mas a polarização entre o ex-prefeito e o atual, Audifax Barcelos (Rede), se fez presente. A tônica do confronto de ideias promovido por A Gazeta e pela Rádio CBN Vitória na noite desta quarta-feira (25) foi a comparação do último mandato de Vidigal na Prefeitura da Serra, de 2009 a 2012, e os oito anos de gestão, desde 2013, do prefeito Audifax, principal apoiador da candidatura de Fabio.
Agarrando-se bastante ao plano de governo apresentado por Vidigal em sua última campanha vitoriosa para prefeito, em 2008, Fabio procurou demonstrar que o último governo do adversário na cidade foi de pouquíssimos resultados, tendo cumprido, segundo ele, muito pouco do que constava naquele programa de governo e repetindo, ou “requentando”, agora, muitas daquelas promessas não cumpridas em quatro anos. “Você teve 12 anos para administrar a cidade e agora novamente diz querer fazer o que não fez.”
Por sua vez, Vidigal buscou pôr em evidência problemas da atual administração, ao mesmo tempo em que defendeu o legado de seus três governos (entre 1997 e 2004 e, depois, de 2009 a 2012). Buscou também demarcar bem as suas diferenças de perfil, preparo e currículo em relação a Fabio, apresentando-se como um gestor bem mais experiente e como um "caminho seguro”, em contraposição ao que chamou de “amadorismo”.
“Neste momento nós não podemos apostar no amadorismo, mas em um caminho seguro. A cidade me conhece. Sou ficha limpa. Já mostrei minha capacidade de realizar ações na cidade. A Serra conhece a minha responsabilidade e meu compromisso com a cidade”, disse Vidigal, já nas considerações finais.
Para desqualificar o concorrente e expor suas fragilidades, o deputado federal e ex-prefeito chamou Fabio várias vezes de "desatualizado" e, principalmente, “mal informado”. Chegou a ser condescendente, tomando-o por “rapaz”: “Eu gosto desse rapaz. Mas o que eu fico impressionado é que ou ele faz de má-fé ou ele não tem conhecimento. Você estava comigo em 2012”.
Vidigal também foi para o debate com a estratégia de desconstruir Fabio apresentando-o como uma criação eleitoral de Audifax, expondo a sua dependência política em relação ao prefeito e tratando-o, literalmente, como um “brinquedo” do seu arquirrival, que estaria sendo usado por Audifax a fim de obter “um terceiro mandato (seguido)” na Serra.
“Isso se chama obsessão pelo poder. O que o prefeito quer é um terceiro mandato. Está usando esse candidato para conseguir o brinquedo que ele quer, que é um terceiro mandato, para perseguir adversários, praticar a política do ódio, favorecer somente os aliados. O candidato está sendo usado como um instrumento, como um brinquedo.”
Fabio não aceitou a pecha e rebateu bem o ataque de Vidigal, usando o exemplo do próprio ex-prefeito contra ele: “O senhor fica dizendo que serei fantoche. Isso jamais vai existir. Eu jamais aceitaria isso. Quando Audifax se elegeu com o seu apoio em 2004, foi você quem mandou na cidade?”

DISCURSO RENOVADOR

Enquanto o adversário bateu na tecla de que a Serra (na gestão de Audifax) “parou no tempo”, Fabio, como representante da situação, defendeu que a cidade vai muito bem, obrigado, e que é o contrário: “não pode parar”. Nem muito menos retroceder, na direção do ex-prefeito por três mandatos. “A Serra não pode parar, não pode retroceder. Essa locomotiva não pode parar.”
Ao mesmo tempo, embora definindo-se como aliado do atual prefeito, o candidato da Rede procurou, acima de tudo, apresentar-se como uma opção (na verdade, a única possível) para quem busca uma alternativa ao revezamento de Audifax e Vidigal no poder, o qual já dura desde 1997. “Chega de Audifax! Chega de Vidigal! É chegada a hora de renovar. O Fabio é o novo, com ideias novas.”
Além do frescor político, Fabio procurou destacar sua juventude, por ser ele bem mais jovem e membro da geração seguinte à do deputado do PDT (que poderia mesmo ser seu pai). “Sou da geração da internet”, disse o vereador, salientando em mais de uma ocasião que deseja transformar a Serra em uma “cidade tecnológica”, "inteligente", “conectada” e “digitalizada”;

POUCA CONVICÇÃO

Fabio veio para o debate A Gazeta/CBN muito calmo. Calmo até demais. O confronto foi permeado por alguns golpes baixos. Mas nenhum deles foi mais baixo que o volume da voz de Fabio. A maior parte do tempo, o candidato da Rede falou baixinho demais, transmitindo pouca convicção e vibração. Vidigal foi mais firme e vibrante que ele, transmitindo maior confiança em suas intervenções.

“PROMESSAS REQUENTADAS”

A criação da Casa da Mulher, a implantação de uma Farmácia Popular, o prontuário eletrônico… São alguns exemplos de promessas que, segundo Fabio, já constavam no plano de governo com que Vidigal venceu a eleição de 2008, mas que jamais foram concretizadas pelo então prefeito e agora estariam sendo “requentadas” por ele, em sua nova tentativa de voltar à prefeitura.
Em resposta, Vidigal mostrava o que conseguiu fazer e citava obras iniciadas por ele e herdadas por seu sucessor, além de serviços cuja base para a implantação foram deixadas por ele, a exemplo do prontuário eletrônico para agendamento online de consultas na rede municipal de saúde. “Passou (sic) oito anos e nada aconteceu.”
Outro exemplo: bem no início do debate, Fabio disse que, no plano de governo de 2008, Vidigal prometeu construir escolas de tempo integral na Serra, mas só construiu uma, e agora, em seu novo programa de governo, promete cumprir a meta 6 do Plano Nacional de Educação, para que metade das unidades da Serra tenham ensino em tempo integral. No debate, Vidigal reafirmou o compromisso com o cumprimento da meta. “Tenho compromisso com a educação. Vou implantar a meta número 6.”
Fabio retrucou com lógica matemática: “O senhor infelizmente falta com a verdade com a população da Serra. Para que isso se torne realidade, teríamos que ter 71 escolas de tempo integral”.
Já no tema da segurança pública, Fabio afirmou que, em 2012, Vidigal deixou a Serra como cidade número 1 do mundo em violência, “mais até que Honduras”. “Como vai conseguir agora fazer da Serra a cidade da paz?” Vidigal, por sua vez, foi assertivo no compromisso de ampliar, fortalecer e descentralizar a Guarda Municipal da Serra, além de investir no cerco inteligente de segurança, como o que há em Vitória.

CASOS DE FAMÍLIA

O debate também foi marcado por alguns golpes mais baixos e de “casos de família” tratados publicamente. Os dois candidatos tiveram direitos de resposta concedidos pela direção, o que não havia ocorrido nos debates anteriores da série, mesmo muito disputados, entre os candidatos a prefeito de Vitória e de Cariacica.
Quem lançou a primeira pedra (em atitude atípica para quem lidera as pesquisas) foi Vidigal. “Tenho aqui um boletim de ocorrência de violência doméstica do candidato contra sua companheira. Como é que vai cuidar das mulheres?”, perguntou o ex-prefeito a Fabio, que lamentou:
“O que me entristece é que o senhor, como um médico da saúde mental, fique compartilhando essas fake news. Quando as pessoas deixam de fazer parte do seu círculo político, elas não prestam mais. Você conhece a minha índole.”
Mas, ao buscar esclarecer o episódio (sinceramente, não consegui compreender os detalhes de história tão particular, e penso que tal detalhamento nem cabia), o candidato da situação deu uma explicação machista e que não abona as mulheres: “Qual mulher já não fez uma loucura, com ciúmes? [...] Não agredi ninguém. Foi um surto de ciúmes. Não faça isso. Você não precisa fazer política dessa forma”. Enfim, disse que “todo esse processo foi extirpado”, por meio de imagens de videomonitoramento.
Mais à frente, o candidato da Rede afirmou que Vidigal “deixou a desejar no seu terceiro mandato quando tirou o foco da gestão e começou a focar nas campanhas da sua esposa, Sueli Vidigal.”
Aí foi o ex-prefeito quem se condoeu e contra-atacou: “Estou vivendo uma campanha somente de fake news. O candidato é desinformado. Ele gosta tanto de agredir mulher que ele está agredindo a minha também”.
Em outro trecho, meio fora de contexto, Fabio achou por bem mencionar que sua filha de 18 anos, segundo ele “uma criança”, está sofrendo muito por causa das acusações contra ele na campanha.

REVEZAMENTO COM AUDIFAX

Respondendo a um questionamento dirigido a ele pela mediadora do debate, a jornalista Fernanda Queiroz, Vidigal apresentou o ponto mais fraco de sua argumentação, porque não tem a menor sustentação lógica.
“Quero registrar que eu e Audifax não nos revezamos.” E fez o histórico. Não convenceu. O conceito dele de "revezamento" é outro. Mais à frente, chegou ao extremo de afirmar: “Só quem representa alternância de poder chama-se Sergio Vidigal.”
Fabio retrucou de modo agudo: “Alternância chamada ‘De Volta ao Passado’”.

PROMESSA DE NÃO REELEIÇÃO

Falando em revezamento, um ponto muito relevante do debate foi a promessa quiçá mais importante feita de maneira pública por Vidigal: a de não buscar a reeleição em 2024, se for eleito agora.
“Quero encerrar um ciclo na vida pública. Eu não quero ser prefeito para ser reeleito. Quero ser prefeito para ajudar. Comecei como médico e, ao encerrar esse mandato, quero voltar a fazer tudo o que faço com mais carinho, que é ser médico. Eu sou médico e vou voltar para a minha atividade.”
Está anotado.

AUTOSSABOTAGEM

Como não poderia deixar de ser, o deputado federal do PDT trouxe para o debate a grande gafe (para dizer o mínimo) cometida por Fabio em entrevista para A Gazeta, um caso clássico de autossabotagem: o vereador disse que Audifax não realiza limpeza urbana em bairros de líderes comunitários de oposição. “Isso é a velha política. O candidato admite que foi feito mau uso do dinheiro público e que o dinheiro público foi usado para favorecer aliados do prefeito?”
“Eu me expressei mal. O que quis dizer é que, se isso verdadeiramente estiver ocorrendo na cidade, não ocorrerá comigo”, justificou-se Fabio. Não convenceu.
Vidigal não perdoou: “Acho até que isso que o candidato falou deve ser apurado pelo Ministério Público. Isso é crime”.
Em outro momento, respondendo a um questionamento da mediadora, Fabio admitiu uma falha em seu padrinho político nos últimos anos. “Eu acho que faltou em dado momento ao prefeito Audifax o diálogo com a Câmara Municipal”, declarou ele, com a autoridade de quem, além de vereador, é o líder do prefeito na Casa.

DISPUTA FUTURISTA

Em diversos trechos do debate, presenciou-se uma situação curiosa: de um lado, um político tradicional, que já foi prefeito por três mandatos, querendo levar a cidade a “dar um salto para o futuro”; do outro, um político bem mais jovem, candidato a prefeito pela primeira vez, dizendo basicamente a mesma coisa.
“Por oito anos, a Serra parou no tempo. Ficou na Idade da Pedra. Não se digitalizou. Não se conectou. Precisa de um prefeito com visão de futuro [...] Neste novo momento, a Serra precisa de um gestor que seja renovado, modernizado”, afirmou Vidigal, incrivelmente, referindo-se a si mesmo.
“Eu estou aqui preparado para levar a Serra para o futuro. [...] A cidade precisa dar um salto para o futuro: uma cidade inteligente, uma cidade conectada, com todas as respostas na palma da mão”, ecoou Fabio, citando a proposta de agendamento de consultas por meio de aplicativo.
Parece que nisso concordam.

FABIO: GENTE COMO A GENTE

Em mais de uma oportunidade, Fabio fez questão de frisar: “Eu sou usuário da saúde pública. Eu não conheço de ouvir falar. Vivencio na pele aquilo que cada um vivencia diariamente.”
Vidigal não o poupou: “O que o senhor fez efetivamente para combater a pandemia, além de repetir constantemente que é usuário dos serviços de saúde?”

NOVA POLÍTICA, VELHA POLÍTICA, BOA POLÍTICA

“[Quer] ganhar a eleição a qualquer custo. Isso se chama a ‘velha política’, e não podemos permitir que isso volte à cidade”, disse Fabio sobre Vidigal.
Em outro momento, irritado, o ex-prefeito reagiu: “Você só faz as perguntas que te mandam fazer. É a mesma pergunta todo debate. Vim aqui, exatamente aqui, em 2016, e foram as mesmas perguntas. Não vou permitir isso mais. Essa é a ‘falsa nova política’. Política não tem que ser nova nem velha. O que tem que ser é boa política”.
Minutos antes (está acima), o mesmo Vidigal já havia criticado “a velha política” e a atribuído a Fabio. Mudou rapidamente de conceito.

PERDÃO OU VINGANÇA?

Sobre a sua postura em relação a Audifax e aos aliados deste em caso de Vitória, Vidigal foi um tanto ambíguo. Quando atacado por Fabio (ou seja, quando vítima), pregou que “é preciso acabar com a fake news e com a política do ódio na Serra”. Em outro ponto, porém, denotando revanchismo, afirmou que “essa cidade precisa ser passada a limpo” e garantiu duas vezes que, finda a campanha, processará Fabio criminalmente na Justiça por causa de uma acusação do adversário contra ele.

ALIADOS DE VIDIGAL

Fabio também acusou Vidigal por estar, supostamente, aceitando apoio de qualquer um e loteando os cargos da prefeitura municipal entre os novos e os velhos aliados. “Já loteou a prefeitura toda. Cuidado, morador, com o que está por vir na cidade. Ele está abraçado hoje com todos os que estavam falando mal dele”, disse o líder do prefeito na Câmara, falando em “desespero” por parte do oponente.

CURIOSIDADE 1: INTIMIDADE

Fábio chamou Vidigal com intimidade, pelo primeiro nome, algumas vezes, o que é muito raro em debates como esse. Geralmente cada competidor procura demonstrar frieza e distância em relação ao outro, chamando-o(a) somente de "candidato(a)".

CURIOSIDADE 2: APELO AOS FALTOSOS

Vindo atrás nas pesquisas, Fabio dirigiu palavras especialmente aos que decidiram não ir votar no 1º turno (pois sabe que precisa também desses votos para virar o jogo). Pediu ao eleitor que não foi às urnas no dia 15 que o ajude agora, no próximo domingo, a “impedir o retrocesso”.

CURIOSIDADE 3: OS FÃS-CLUBES

No Facebook de A Gazeta, durante a transmissão do debate, as respectivas claques chamaram Vidigal de "Vidimal" e Audifax de "Maudifax". Não falta tensão, mas também sobra humor.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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