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Eleição em Vitória

Descubra por que Gandini não declara apoio a Coser contra Pazolini

Gandini concluiu que eventual manifestação sua em favor de Coser teria mais a prejudicar do que a favorecer o petista no 2° turno: falas antigas dele contra a gestão do então prefeito em 2009/2012 poderiam ser usadas contra o candidato do PT

Publicado em 27 de Novembro de 2020 às 09:23

Públicado em 

27 nov 2020 às 09:23
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Última semana antes da eleição
Fabrício Gandini (Cidadania) em passeio no trio elétrico Crédito: Diego Alves
O ano era 2006. Bacharel em Direito pela UVV, aos 26 anos de idade, Fabrício Gandini trabalhava como assessor de gabinete do então vereador Luciano Rezende (PPS, atual Cidadania), sem nunca ter exercido nenhum mandato. Cursava então uma especialização, em uma faculdade particular no Rio de Janeiro e, de ônibus, tinha que ir assistir a algumas aulas presenciais nos finais de semana. Certa vez, numa sexta-feira, recebeu do próprio Luciano um calhamaço com um pedido: era o projeto de lei recém-enviado pelo então prefeito João Coser (PT) à Câmara de Vitória, prevendo mudanças na cobrança e nos valores da taxa de IPTU.
Gandini foi ver a aula no Rio e, durante a viagem de volta, começou a passar o pente fino no intrincado projeto, indecifrável para leigos. De imediato, começou a perceber e a anotar alguns pontos que julgou estranhos e que tratou de transmitir a Luciano. Foi o estopim daquela que se tornaria uma das maiores bandeiras do mandato do então principal opositor de Coser na Câmara: a luta contra o “aumento abusivo da taxa de IPTU”.
O projeto acabou aprovado na Casa de Leis, contra o voto de Luciano, que concorreu contra Coser à prefeitura dois anos depois. Perdeu no 1º turno, mas, a partir dali, sua carreira deu um salto: tornou-se secretário estadual de Esportes em 2009, deputado estadual em 2011 e, no ano seguinte, elegeu-se prefeito de Vitória.
De 2009 a 2012, quem “herdou” o mandato de Luciano na Câmara foi, justamente, Gandini, eleito em 2008. Herdou também o papel de principal opositor de Coser. Durante todo o seu segundo governo, o petista teve no então jovem vereador a maior pedra em seu sapato. Gandini praticou uma oposição vigilante e implacável ao então prefeito, que incluiu apoio à CPI das Desapropriações da Ponte da Passagem, questionamentos sobre os valores pagos pela prefeitura pela construção dos novos quiosques em Camburi e muitas críticas duras tanto em entrevistas como dentro do plenário.
Ora, então damos um salto para este 27 de novembro de 2020, a dois dias do 2º turno da votação para prefeito de Vitória, no próximo domingo (29), entre Coser e Lorenzo Pazolini (Republicanos), num momento em que muitos se perguntam: se Pazolini é, hoje, o principal adversário de Gandini e se este fez acusações tão graves ao deputado do Republicanos durante todo o 1º turno, por que Gandini agora decidiu manter-se neutro, em vez de declarar apoio crítico a Coser? Foi a pergunta que também nós lançamos aqui.
A resposta principal para a pergunta está no intróito deste texto. Em primeiro lugar, a carreira política de Gandini nasce na oposição a Coser. No círculo mais próximo a Gandini, conforme a coluna apurou, ninguém possui a menor dúvida de que o deputado do Cidadania, que ficou em 3º lugar no 1º turno, prefere ver uma vitória de Coser a ter Pazolini no comando de Vitória. Gandini entende que uma terceira administração do petista representaria uma “ameaça menos grave” à Capital, até porque já conhecida por todos.
Ao mesmo tempo, conforme apuramos, Gandini tem a convicção de que, no momento em que ele declarasse apoio a Coser (se ele realmente o fizesse), o pessoal de Pazolini resgataria todas as suas críticas a Coser e à sua gestão, nos tempos de vereador, fartamente documentadas em discursos e entrevistas, para usar todo esse material como munição pesada contra o próprio Coser. Ou seja: o feitiço se voltaria rapidamente contra o feiticeiro; o apoio viraria uma arma, nas mãos dos adversários, contra o próprio candidato apoiado.
Se Gandini tivesse externado apoio a Coser, esse gesto poderia ter prejudicado o candidato do PT mais do que poderia tê-lo ajudado. Teria virado “fogo amigo involuntário”: “Vejam só o que o próprio apoiador de Coser, novo aliado do ex-prefeito, dizia sobre ele naquela época". Algo dessa natureza poderia ter sido utilizado pela campanha de Pazolini (e, diga-se de passagem, não haveria nenhum “golpe baixo” nisso). É a história política, e as voltas e nós que ela dá.
Inclusive, é até muito provável que todo esse material "fornecido" por Gandini contra Coser, de 2009 a 2012, já estivesse bem separadinho e engatilhado pela equipe de Pazolini, só esperando um gesto dele a favor do petista para disparar o material em larga escala pelas redes sociais.
Gandini, segundo apuramos, também não quis parecer incoerente, principalmente aos olhos de seus eleitores mais fiéis, após ter praticado uma dura oposição a Coser como vereador, de 2009 a 2012.

OUTRAS EXPLICAÇÕES

Essa foi a principal razão, do ponto de vista estratégico, da decisão de Fabrício Gandini em se manter neutro (ou, pelo menos, não declarar apoio e voto) no 2º turno da eleição na cidade que ele tanto deseja “defender de graves ameaças”. Mas houve outras, inclusive de cunho político.
Ao não se perfilar a Coser e não se comprometer de modo algum com o petista, Gandini conserva a sua independência política e plena autonomia para criticar, apontar problemas e inclusive, se for preciso, voltar a fazer oposição à administração do PT em Vitória (em caso de sucesso de Coser no próximo domingo). Não podemos perder de vista que Gandini terá, pelo menos pelos próximos dois anos, um ótimo palanque para isso: a tribuna da Assembleia Legislativa, onde nem sequer completou a metade do mandato.
Já se a vitória for de Pazolini, aí nem cabe o questionamento: Pazolini e todos nós podemos ter plena certeza de que, na Assembleia Legislativa, Gandini atuará como um deputado atento na oposição ao prefeito da Capital. Em qualquer caso, ao optar pela neutralidade, Gandini mantém-se livre e desimpedido para fazer seus movimentos políticos futuros, sem “rabo preso” com ninguém.
Quanto às afirmações pesadíssimas feitas por Gandini sobre Pazolini durante o 1º turno, sobretudo na reta final, o deputado do Cidadania, pelo que pudemos apurar, entende ter feito as críticas necessárias e continuará a sustentá-las. Tanto é que, após ter sofrido a derrota no 1º turno, ele não apagou nenhuma de suas postagens em suas redes sociais. O que ele disse sobre o adversário está dito e segue lá, para a posteridade e para quem quiser ver. Ele não gostaria, porém, que eventual manifestação de apoio a Coser agora, contra Pazolini, soasse como revanchismo nem como orgulho ferido.
Na decisão de Gandini pela neutralidade, anunciada formalmente na última quinta-feira (19), pesou ainda o intenso desgaste emocional e familiar a que todo candidato é submetido numa disputa renhida como essa (e com ele não foi diferente). Houve um forte apelo da família Gandini (pai e mãe, principalmente), para que ele saísse do processo eleitoral o mais rápido possível, até porque deixou de ser protagonista. Tivesse ele ombreado com Coser, continuaria sob os holofotes até o desfecho da campanha, marcado para o próximo domingo.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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