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Vitor Vogas

Disputa no MDB: chapa de Marcelino tem dois assessores de Sérgio Borges

Conselheiro do TCES, porém, nega que esteja apoiando candidatura do ex-deputado contra Lelo Coimbra na eleição pela presidência estadual do MDB

Publicado em 25 de Junho de 2019 às 22:40

Públicado em 

25 jun 2019 às 22:40
Vitor Vogas

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Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Dois assessores lotados no gabinete do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Sérgio Borges (ex-MDB) fazem parte da chapa do ex-deputado federal Marcelino Fraga na eleição do Diretório Estadual do MDB: o chefe adjunto de gabinete do conselheiro, João Alfredo Ribeiro, e o consultor de finanças públicas Renato Borges.
A informação foi transmitida à coluna por Lelo Coimbra, atual presidente estadual do MDB e adversário de Marcelino na disputa interna.
Resposta de Borges
Por meio de sua assessoria, Sérgio Borges informou que ambos os servidores são filiados históricos do antigo PMDB e que na última eleição interna estiveram com Lelo. O conselheiro também afirmou que não teve nenhuma interferência nem envolvimento na decisão dos dois assessores de comporem a chapa de Marcelino, que respeita a decisão pessoal de cada um, mas que tem buscado manter-se o mais distante possível do processo eleitoral.
Resposta de Marcelino
Marcelino nega ter apoio de Borges: “Não tem isso. Como conselheiro, ele não pode nem estar filiado nem fazer movimento partidário. Se tem alguém ligado a ele que está conosco, é direito de qualquer cidadão. A última vez que fui ao TCES foi há três meses.”
Casagrande
Marcelino também nega que conte com o apoio do governador Renato Casagrande (PSB). “Não conto. Fui eleitor dele várias vezes. Tenho carinho por ele e ele por mim. Até gostaria, precisaria imensamente disso. Mas, se você perguntar ao íntimo do governador, acho que ele torce por mim. Temos relacionamento pessoal e político. É diferente do Lelo, que é um homem de oposição a ele.”
Como funciona?
Na convenção estadual do MDB, marcada para domingo, a chapa de Lelo e a de Marcelino vão disputar os votos dos 134 convencionais para a formação do próximo Diretório Estadual, composto por 71 assentos. Estes serão preenchidos, proporcionalmente, conforme o percentual de votos atingido por cada chapa. Exemplo: se a chapa 1 obtiver 60% dos votos, poderá preencher 60% das 71 vagas no Diretório: 42 ou 43.
Feito isso, passa-se à etapa seguinte: a definição dos membros da Executiva, órgão máximo de direção estadual do partido – novamente, respeitando-se a proporcionalidade dos votos na convenção. O Diretório eleito tem até cinco dias para compor a Executiva, mas normalmente isso é feito no mesmo dia, durante a convenção.
Regra anti-Marcelino
É aí que Marcelino pode se complicar. Resolução aprovada pela atual Executiva, presidida por Lelo, proíbe “membros natos” do MDB-ES de exercerem cargo de direção, na próxima Executiva, se já tiverem condenação judicial em 1º grau (como é o caso de Marcelino). “Membros natos” são o atual presidente (Lelo) e ex-presidentes (o próprio Marcelino, Luiz Carlos Moreira e Roberto Valadão, estes dois na chapa do primeiro).
“Vai pelos ares”
Por essa regra, Marcelino não poderá ter cargo de direção no MDB, mesmo que sua chapa, por exemplo, ganhe de goleada. Ele vai recorrer à Justiça: “Vou buscar os meus direitos constitucionais na Justiça e vou fazer essa resolução ir pelos ares. É uma resolução fajuta.”

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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