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Pesquisa Ibope/Rede Gazeta

Eleição a prefeito de Colatina vira teste de força para bolsonarismo

Hoje, Guerino Balestrassi tem 26 pontos percentuais de vantagem sobre Luciano Merlo. Para ultrapassar o líder, este depende mais que nunca do voto bolsonarista em uma cidade muito conservadora

Publicado em 12 de Novembro de 2020 às 21:05

Públicado em 

12 nov 2020 às 21:05
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Guerino Balestrassi corre à frente de Luciano Merlo na disputa eleitoral em Colatina
Guerino Balestrassi corre à frente de Luciano Merlo na disputa eleitoral em Colatina Crédito: Amarildo
Diferentemente das disputas municipais na vizinha Linhares e em Cachoeiro de Itapemirim, a eleição a prefeito de Colatina não está definida de maneira antecipada. Enquanto nas duas primeiras cidades, os atuais prefeitos, Guerino Zanon (MDB) e Victor Coelho (PSB), estão praticamente reeleitos, em Colatina ainda temos um quadro aberto, passível de surpresas. Mas, a três dias da votação no próximo domingo (15), em uma cidade que não tem 2º turno, é incontestável que o ex-prefeito Guerino Balestrassi (PSC) tem hoje, sobre os demais candidatos, uma vantagem nem um pouco desprezível que dá a ele a condição de favorito nesse pleito local.
Essa é a conclusão que podemos tirar dos números da última pesquisa Ibope/Rede Gazeta sobre a eleição em Colatina, publicada aqui na noite desta quinta-feira (12). Se a eleição fosse hoje, o ex-prefeito voltaria ao cargo já ocupado por ele por dois mandatos, de 2001 a 2008, com 46% dos votos válidos. Em segundo lugar, vem Luciano Merlo (Patriota), com 20%, seguido por Maricélis (Cidadania), com 16%.
Na primeira pesquisa em Colatina, publicada em 23 de outubro, a vantagem de Guerino sobre Merlo nos votos válidos era de 31 pontos percentuais. Agora, é de 26.
A vantagem diminuiu, mas, hoje, essa “boca de jacaré” estaria longe de se fechar. Para acelerar a “mordida”, isto é, ultrapassar Guerino em espaço de tempo tão curto, Merlo terá que reeditar em Colatina algo intensamente observado na eleição estadual de 2018. Naquela ocasião, de sábado para domingo, levados pela “onda Bolsonaro”, muitos eleitores tomaram decisões em cima da hora e despejaram votos em massa em candidatos bolsonaristas.
Um exemplo de candidato beneficiado por esse fenômeno de última hora foi o ex-deputado federal Carlos Manato (então no PSL), que, até a véspera do domingo do 1º turno, não aparecia tão forte nas pesquisas, mas por pouco não chegou ao 2º turno com um impulso de última hora dado por eleitores de Bolsonaro, em quem anexou a sua campanha para o governo do Estado.

A ESTRATÉGIA DE MERLO

Agora, Merlo segue estratégia parecida. O diretor da Faculdade Castelo Branco tem feito uma campanha que aposta muito na marca de “candidato bolsonarista” e na sua identificação política com o atual presidente da República.
Isso incluiu viagem para Brasília em plena campanha, para colecionar fotografias dele mesmo ao lado do próprio Bolsonaro, de ministras como Damares Alves (Direitos Humanos) e Tereza Cristina (Agricultura) e de ícones nacionais do bolsonarismo, como a deputada federal Bia Kicis (PSL). Tudo publicado com o devido destaque em suas redes sociais.
De igual modo, Merlo conta com o apoio declarado de alguns políticos e empresários também muito identificados com Bolsonaro e com o pensamento político do presidente, no Espírito Santo. Entre eles, o próprio Manato, que aderiu à campanha, e o ex-presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) Marcos Guerra.
Presidente do Republicanos em Colatina, Guerra chegou a pedir registro como candidato a vice-prefeito na chapa de Merlo, mas depois renunciou à candidatura, dizendo que pretende se lançar à Câmara dos Deputados em 2022.

O TESTE DE FOGO PARA O BOLSONARISMO

A grande questão que resta, a ser respondida pelos eleitores colatinenses no domingo, é: até que ponto o bolsonarismo terá forças para embalar Merlo e levá-lo a ultrapassar o hoje favorito Guerino Balestrassi? O quão forte e o quão numeroso será esse “voto bolsonarista”, dado por eleitores de direita em Colatina?
De certo modo, não é exagero dizer que essa eleição a prefeito de Colatina será uma espécie de prova de fogo para a própria corrente bolsonarista no Espírito Santo, hoje colocada em xeque por um acúmulo de resultados negativos que se desenham no horizonte em outros grandes municípios. Na verdade, de acordo com a série Ibope/Rede Gazeta, levando em conta os candidatos que são mesmo apoiadores de Bolsonaro convictos e declarados, o único que no momento possui alguma chance de vitória para prefeito é o próprio Merlo, em Colatina.
É importante lembrar que, a julgar pelo desempenho de Bolsonaro na eleição presidencial de 2018, Colatina é um colégio eleitoral bastante bolsonarista, pelo menos a priori. Contando as sete maiores cidades do Espírito Santo, englobadas na série Ibope/Rede Gazeta, Colatina foi a segunda que deu mais votos para Bolsonaro em 2018, atrás somente de Cachoeiro.
Por outro lado, isso é muito relativo. Como já demonstramos aqui, essa tese da “transferência de votos” e da transposição da eleição de 2018 para as presentes disputas locais pode não funcionar na prática. No Espírito Santo, prova maior disso é a própria cidade de Cachoeiro, que, embora muito pró-Bolsonaro em 2018, está prestes a consagrar novamente o prefeito Victor Coelho (não bolsonarista e filiado a um partido de esquerda, o PSB).

A AVALIAÇÃO DE BOLSONARO NA CIDADE

Ao mesmo tempo, a pesquisa Ibope/Rede Gazeta traz uma notícia meio boa e meio ruim para Merlo. Em Colatina, a avaliação positiva do trabalho do presidente Bolsonaro ainda supera a negativa. Mas piorou desde outubro.
Em 23 de outubro, Bolsonaro era bom ou ótimo para 46% dos colatinenses e ruim ou péssimo para 30% (16 pontos de diferença).
Agora, é bom ou ótimo para 40% e ruim ou péssimo para 34% dos entrevistados na cidade (seis pontos de diferença).
Pode ser consequência do aumento da percepção de descoordenação e até descaso por parte do presidente em relação à pandemia do novo coronavírus, agravada por uma série de declarações desastrosas por parte do presidente. Nesta semana, quando os entrevistadores do Ibope estavam nas ruas, Bolsonaro chegou a vibrar publicamente e se chamar de “ganhador” com a interrupção, pela Anvisa, dos estudos do Instituto Butantan para desenvolvimento da vacina da farmacêutica chinesa Sinovac contra o novo coronavírus.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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