Erramos: Na primeira versão desta coluna, publicada às 6 horas deste domingo (23), publicamos que o Solidariedade estaria entre os partidos que formariam a coligação do atual prefeito, Guerino Zanon (MDB), na eleição majoritária em Linhares. A informação correta, publicada às 16h20 desta segunda-feira (24), é que o Solidariedade tem pré-candidato próprio à prefeitura: o ex-vereador e ex-presidente da Câmara de Linhares Miltinho Colega. Presidente Municipal do Solidariedade, Miltinho esclarece que não há possibilidade de o partido apoiar Guerino Zanon. Uma das razões, segundo ele, "é não compactuar com a atual gestão pública".
Em Cachoeiro, a eleição a prefeito da cidade deve ser bem disputada. Em Colatina também. Em Linhares, não. Diferentemente das outras duas cidades-polo do interior do Espírito Santo, o município do Litoral Norte tem uma disputa eleitoral que já nasce com um franco favorito muito claro: o atual prefeito, Guerino Zanon (MDB).
Em eleição tudo pode ocorrer – que o diga o próprio Guerino: alguém poderia imaginar que ele perderia, da maneira que perdeu, a eleição no município em 2012 para Nozinho Correa? Por isso, não se pode dizer que o prefeito já esteja virtualmente reeleito. Não há dúvida, porém, de que essa disputa está muito no colo de Guerino, considerado hoje quase imbatível na cidade por fontes de Linhares que observam atentamente a cena política local ou que dela fazem parte (incluindo adversários dele mais realistas).
Esse favoritismo todo resulta da combinação de dois fatores. Em primeiro lugar, Guerino hoje é classificado por analistas independentes da cidade como um prefeito muito bem avaliado pela população.
Somada a essa boa avaliação, há uma constatação difícil de se rebater: a falta de concorrentes à altura do prefeito nesse páreo. Olhando hoje a linha de largada, não se vislumbra outro candidato que possa ser considerado altamente competitivo a ponto de bater de frente com Guerino, com o seu notório poder econômico e com a força política não só dele como da máquina pública municipal.
No caso da boa avaliação, Guerino tem firmado no atual mandato (seu quarto como prefeito da cidade) uma marca que o acompanha desde suas passagens anteriores pelo cargo: o desenvolvimento econômico da cidade, escorado principalmente em um trabalho maciço de atração de novas empresas e investimentos para o município.
Linhares, hoje em dia, pode ser considerada tranquilamente a “locomotiva do desenvolvimento” do interior do Espírito Santo – quase a “capital do interior”, do ponto de vista do crescimento e da atividade econômica. Por esse critério, deixou para trás há muitos anos Cachoeiro e a vizinha Colatina. E esse boom, forçoso é reconhecer, iniciou-se justamente nas primeiras administrações de Guerino (1997/2004), tendo se intensificado na atual.
Mesmo em um cenário crítico para a economia nacional (o qual se arrasta desde 2014/2015), a gestão do emedebista teve êxito em atrair novas plantas industriais e novos investimentos para a cidade. Exemplo recente é a Companhia Cacique de Café Solúvel. Isso além da expansão de empresas importantes já instaladas. Tais anúncios e inaugurações são sempre capitalizados politicamente pela prefeitura – que faz grande propaganda em torno disso, com ênfase na geração de empregos – e acompanhados pelo governo do Estado – que surfa com a prefeitura na mesma onda.
Assim, Linhares tem expandido a sua participação no rateio do ICMS e, portanto, a sua receita tributária. Maior receita própria, se bem administrada, significa mais investimentos em melhorias na cidade; reverte-se em benefícios para a população.
Empresário e administrador antes de se tornar político, Guerino apresenta, como homem público, vocação muito mais voltada para o Poder Executivo que para o Legislativo. A vocação que lhe faltava como deputado se manifesta nele como gestor. O prefeito transfere para a administração pública o tino empresarial que traz da iniciativa privada.
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Nem a pandemia do novo coronavírus, que tanto abalou a imagem e a popularidade de muitos governantes Brasil afora, chegou a prejudicar a de Guerino, de acordo com relatos de colaboradores da coluna com raízes fincadas em Linhares. Ao contrário. O prefeito até teria atraído mais elogios que críticas por sua condução da crise da pandemia, devido ao pioneirismo da Prefeitura de Linhares na adoção de algumas medidas logo seguidas por outros municípios e/ou pelo governo do Estado, como a suspensão das aulas na rede municipal logo no início da pandemia por aqui, em março, e a distribuição do kit-merenda para alunos matriculados na rede.
Na cidade, comenta-se que Guerino comanda Linhares “com mão de ferro” – o que não necessariamente é algo bom, se traduzido como autoritarismo. Seja como for, a dinâmica política no município hoje em dia gira muito em torno do prefeito, que praticamente não encontra oposição na Câmara e tem sob controle grande parte das forças políticas locais. Hoje é ele quem controla e quem conduz a política linharense, o que inclui, é claro, o processo eleitoral na cidade.
Bem avaliado e sem nenhum adversário à altura, Guerino está em situação muito cômoda e, se nada mudar nos próximos dois meses, deve ter pela frente uma das eleições mais fáceis para prefeito no Espírito Santo.
O PROVÁVEL VICE DE GUERINO
Com favoritismo tão amplo para o atual prefeito, o lugar de vice na chapa de Guerino à reeleição ganha peso ainda maior. Há dois nomes cotados para a vaga: o atual vice-prefeito, Paulinho da Panan (PSDB), e o ex-secretário municipal de Planejamento e Finanças Bruno Margotto Marianelli (Republicanos). O favoritismo é do segundo.
Assim como o secretário municipal de Agricultura, Franco Fiorot, Martinelli foi exonerado por Guerino da equipe de governo em decreto assinado no dia 3 de junho e publicado dois dias depois no Diário Oficial do Estado. Segundo o calendário eleitoral do TSE, secretários municipais que vão disputar o cargo de prefeito ou o de vice-prefeito nas próximas eleições municipais precisaram se desincompatibilizar do cargo até o dia 4 de junho.
Assim, desligando os dois auxiliares no início de junho, Guerino manteve ambos como opções viáveis para compor a chapa ao lado dele. Fiorot, entretanto, já está eliminado desse jogo, pois já voltou ao cargo de secretário de Agricultura (foi renomeado por decreto datado de 7 de julho).
Marianelli também é favorito para o posto de vice por sua histórica ligação com Guerino. Com perfil semelhante ao do chefe, acompanha a trajetória do prefeito desde os primeiros mandatos dele em Linhares: foi secretário municipal em todos os mandatos de Guerino. Quando este presidiu a Assembleia, de 2007 a 2008, Marianelli foi supervisor legislativo da Casa. No último governo de Paulo Hartung (2015-2018), foi diretor-presidente do IPAJM.
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Conta, ainda, a favor de Marianelli o ingrediente partidário. Líder local do MDB, Guerino pretende compor uma coligação não muito extensa para se reeleger, mas grande o suficiente para lhe assegurar um bom tempo de TV (Linhares tem horário eleitoral). No seu arco, além do MDB, estão o PSDB e o Republicanos. Este último é um partido em ascensão no Estado, ao qual Marianelli está filiado. Assim, a presença dele na vice ajuda a consolidar a aliança de Guerino com o Republicanos.
Partido do deputado federal Amaro Neto e do presidente da Assembleia, Erick Musso, o Republicanos está no governo de Guerino e apoiou seu retorno à prefeitura em 2016. Além disso, o deputado federal Marcos Pereira, presidente nacional do partido, é natural de Linhares, assim como o ex-vereador de Vitória Devanir Ferreira, pastor da Igreja Universal do Reino de Deus (denominação religiosa interligada ao partido).
Correndo por fora, está o atual vice-prefeito, Paulinho da Panan (PSDB), que tem excelente relação com Guerino e foi, ao longo do atual governo, um colaborador importante para ele. Sem nenhum cacoete político, Paulinho é o braço direito do prefeito na área de atração de investimentos. Viaja em nome da prefeitura e participa de reuniões com empresários em nome de Guerino. É como se fosse um empresário, dentro da prefeitura, representando os interesses do município, com foco total na atração de empresas. E, segundo relatos, mostra eficiência nisso.
Em tempo: Guerino não é de se cercar de aliados com perfil e aspirações políticas que possam representar uma ameaça político-eleitoral para ele no futuro. Aprendeu isso com Paulo Hartung.
OS POTENCIAIS ADVERSÁRIOS NA CIDADE
Para tentar competir com Guerino na eleição a prefeito de Linhares, há seis possíveis desafiantes: a ex-deputada estadual Eliana Dadalto (Podemos); o advogado Lucas Scaramussa (DC); o empresário e ex-deputado federal Odilon Gava (PT); o professor Igor Bellucio (PSOL); o deputado estadual Marcos Garcia (PV); e o ex-deputado estadual Luiz Durão (PDT).
É sobre eles que falaremos nesta segunda-feira (24).