As eleições municipais do fim do ano, principalmente em Vitória, serão um teste de fogo para o ex-senador Magno Malta. O início de sua redenção, ou recuperação do terreno político perdido desde 2018, passa diretamente por um bom resultado no pleito na Capital.
Hoje, o partido dele (PL) prepara candidatura própria à sucessão de Luciano Rezende (Cidadania), com o engenheiro Halpher Luiggi, mas também pode emplacar o vice na chapa do deputado estadual Lorenzo Pazolini (Republicanos), pré-candidato a prefeito, com quem Magno mantém relação de parceria e lealdade, segundo o presidente do PL em Vitória, Charles Jean.
Sobre as conversas mantidas com Magno, Halpher Luiggi afirma que o ex-senador não fechou questão quanto a nome de candidato, mas assegura que o pensamento do ex-senador é o mesmo da direção do partido: o PL participará da eleição majoritária em Vitória, ou com candidato a prefeito, ou com candidato a vice-prefeito:
“Nunca conversei especificamente sobre candidatura com o Magno. O que a gente conversou é que Vitória precisa de um projeto diferente. Tanto o Charles como o Magno são entusiastas da ideia de participarmos da eleição majoritária. Das vezes em que conversei com o senador sobre o projeto do partido, ele me disse que o projeto do PL é ter uma candidatura na majoritária: ou candidato a prefeito ou a candidato a vice. Mas não sei se eu sou o nome”.
Nunca é demais lembrar: em 2012 (no início de seu segundo mandato no Senado), Magno emplacou o então aliado Waguinho Ito (à época também do PR, atual PL) como vice de
Luciano Rezende na vitoriosa chapa deste na eleição à Prefeitura de Vitória. Evangélico como Magno, Waguinho não tinha a menor experiência política, assim como Halpher não tem hoje.
O posto de vice na chapa de Pazolini está bastante disputado no campo da "direita evangélica" da Capital. Se a candidatura própria a prefeito não vingar, o PL cobiça a vaga, indicando Halpher Luiggi. Mas quem também está de olho nela é o presidente da Câmara de Vitória, Clebinho (DEM). Ele já disse ter "conversa avançada" com o Republicanos (ex-PRB), partido de Pazolini.
Que Magno conserva carisma intacto e influência junto a setores do público evangélico, ninguém duvida. A interrogação é quanto ao real tamanho dessa influência hoje, após um ano e meio jejuando no deserto político. Essa eleição em Vitória pode servir exatamente para se testar e verificar qual é o grau de influência remanescente por parte do ex-senador.
Para constar: Halpher Luiggi é católico.
Segundo Charles Jean, do ponto de vista do PL, Pazolini ou até o deputado
Capitão Assumção (Patriota) também podem ser o vice de Halpher Luiggi numa chapa à Prefeitura de Vitória. Assumção também é pré-candidato a prefeito da Capital.
Pelo andar da carruagem, 2020 em Vitória pode reeditar uma união de forças vista no Espírito Santo em 2018. No último pleito, PL (Magno), Republicanos (
Amaro Neto) e PSL (
Carlos Manato e Assumção) formaram uma coligação para a eleição ao governo do Estado, Senado, Câmara Federal e Assembleia. Foi a chapa "Amagnato".
Agora, Magno, Pazolini, Amaro e Assumção podem vir a se juntar em um mesmo movimento, na Capital, combinando forças políticas do espectro de direita no Espírito Santo.
Após assumir o mandato na Assembleia Legislativa, no início de 2019, Pazolini nomeou uma filha de Magno como assessora em seu gabinete: a jornalista Magna Karla Santos Malta Campos. Em junho de 2019, o deputado disse à coluna que a nomeação não passou por Magno e que ele a escolheu por ter conhecido e gostado do trabalho dela durante a campanha de 2018. A assessora foi exonerada em novembro passado.
O teste de DNA legislativo não mente e aponta que, de fato, o verdadeiro pai (ou, pelo menos, primeiro pai) é Pazolini. O projeto assinado por ele foi protocolado em julho de 2019, já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça e aguarda parecer da Comissão de Educação.
Para não ser ultrapassado, Pazolini apresentou nesta segunda-feira, às 20h, requerimento de urgência para votação de seu projeto. O requerimento também e assinado pelos outros cinco deputados de oposição ao governo Casagrande (fechadinhos): Capitão Assumção, Carlos Von (Avante), Danilo Bahiense (PSL), Torino Marques (PSL) e Vandinho Leite (PSDB).