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Entrevista: Léo de Castro

Findes avalia que lockdown na Grande Vitória não será necessário

Presidente da federação que representa a indústria capixaba aposta na estabilização do número de casos ativos e, principalmente, na ampliação do número de leitos de UTI para Covid-19. Ele também pede conscientização às pessoas

Publicado em 28 de Maio de 2020 às 05:00

Públicado em 

28 mai 2020 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Léo de Castro
Léo de Castro Crédito: Amarildo
O debate sobre a possibilidade de o governo estadual decretar um lockdown na Grande Vitória em algum ponto do mês de junho foi aceso nesta semana. Representantes do governo avaliam que essa é uma opção concreta caso a taxa de ocupação de leitos de UTI para pacientes com Covid-19 ultrapasse a marca de 90% nas próximas semanas. Ator importante nessa discussão, o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Léo de Castro, avalia que o Estado não precisará chegar a essa medida extrema de isolamento social.
"Se a doença continuar se comportando no formato em que está, nós vamos nessa linha [...] de não necessitar do lockdown. Nós acreditamos que o Espírito Santo não vai precisar de um lockdown."
Léo de Castro - Presidente da Findes
Falando em nome da entidade que representa o setor industrial capixaba, o empresário aposta em uma combinação de fatores que, na sua avaliação, devem evitar que um lockdown se faça necessário. Entre eles, a estabilização do número de casos ativos do coronavírus no Estado e, principalmente, a perspectiva de ampliação gradual do número de leitos de UTI para Covid-19, prometida pelo governo Casagrande para as próximas e decisivas semanas. O governo acena com a abertura de mais cerca de 300 leitos até o fim de junho, os quais se somarão aos cerca de 490 já existentes em todo o Estado.
Para Léo de Castro, porém, isso não basta. Ele também pede conscientização aos cidadãos em geral:
“Não é só pôr nas costas do governo. É responsabilidade do governo, do setor produtivo e também da sociedade civil. Precisamos que as três partes se comportem de uma forma responsável, sabedoras de que não tem varinha de condão. Não adianta dizer ‘ah, o governo vai resolver…’ Não vai resolver sozinho. Então precisamos ter essa visão, porque estamos advogando até por uma maior abertura.”
O empresário confirma que foi convidado como representante da indústria e que participará de reunião com representantes do governo Casagrande com as principais federações empresariais, nesta sexta-feira (29), para tratar precisamente da eventual necessidade de adoção de medidas mais rígidas de isolamento social. O secretário estadual de Governo, Tyago Hoffmann (PSB), confirma que a intenção do Palácio Anchieta é realizar essa reunião na sexta, mas esclarece que a data ainda não está fechada e pode ser adiada para segunda-feira (1º).
Na ocasião, o presidente da Findes pretende levar ao governo os posicionamentos expressados por ele na entrevista completa que você confere abaixo: 

O senhor foi convidado pelo governo para uma reunião para tratar de possíveis medidas de endurecimento do isolamento social? Quando será?

Sim. Importante registrar, antes de tudo, que a relação da Findes com o governo do Estado tem sido muito ativa, de cooperação e de construção de caminhos para que o setor industrial e o setor produtivo do Estado como um todo consigam transpassar esse momento. É uma comunicação direta, intensa, nós nos falamos praticamente todos os dias, tanto com o governador como com os principais secretários. E, toda semana, temos uma reunião de acompanhamento da evolução da pandemia no Estado e suas consequências para a atividade econômica. Então teremos essa reunião na sexta-feira, ainda em horário indefinido. E a Findes com certeza vai participar.

Hoje, qual é o posicionamento da Findes em relação à ideia de um possível lockdown? Falando em nome da entidade, o senhor considera que isso seja necessário ou avalia que a medida possa ser evitada?

É importante entendermos que a possibilidade do lockdown está presente desde o dia 1 da pandemia. Uma coisa que temos procurado tratar é justamente a previsibilidade das ações. O lockdown é uma ação adotada por vários países, Estados, cidades, em caso de extrema necessidade. Não é uma ação a ser adotada sob qualquer pretexto mais simples, e sim dentro de uma lógica de análise da matriz de evolução versus a disponibilidade de estrutura na saúde. Olhando essa matriz, essa é uma possibilidade que está na mesa desde o dia zero. Acho que é importante ter isso em mente.

Isso desde o dia 1, como o senhor disse. E no dia de hoje, qual é a leitura que vocês fazem?

A leitura de cenário que a indústria faz hoje é a seguinte: a Findes tem um acompanhamento diário da doença no Brasil e no Espírito Santo, relativizando com outros Estados. E publicamos isso todos os dias em nosso site. Se você olhar o informe de ontem (terça), que é o mais fresco que temos, você vê que o número de casos ativos no Espírito Santo está estável nos últimos seis, sete dias. E o número de pessoas curadas já é maior que o número de casos ativos.  Além disso, o governo do Estado tem um calendário de ampliação muito importante da oferta de leitos de UTI para pacientes com Covid-19…

Aí o senhor está considerando aquela aquisição de respiradores, os leitos adquiridos pelo Estado na rede particular, todo esse conjunto de iniciativas?

É isso. Todo esse conjunto de iniciativas que, nos próximos 30 dias, faz a gente sair de um número perto de 490 leitos para perto de 800 leitos de Covid-19. Então, está havendo uma resposta importante da estrutura de saúde do Estado ao crescimento da pandemia.

O senhor acredita que essa resposta, na outra ponta (a da expansão dos leitos de UTI), será de fato à altura da necessidade, ou seja, que esse aumento da oferta de leitos fará frente, na mesma proporção, ao aumento da demanda de pacientes necessitando de internação?

Acredito que sim. Se você olhar, os dados objetivos que temos são estes: nos últimos sete dias, o número de casos ativos de infectados está relativamente estável. O número de pessoas curadas já supera o de casos ativos. E o governo tem essa projeção importante de ampliação do número de leitos de UTI disponíveis para pacientes com a Covid-19. Esse número ofertado está num crescente. E não é num crescente de uma vez só, de uma martelada só. Esse crescimento vem se dando dia a dia, semana a semana. A gente espera sair de 490 leitos de UTI para perto de 800 até o fim de junho, o que é muito importante. Então acho que o cenário mostra que o Estado está conseguindo lidar razoavelmente bem com essa situação.

Então, combinando essa série de dados que o senhor elencou, vocês avaliam que não se fará necessária uma medida tão drástica como é o lockdown?

Estamos navegando num ambiente de poucas certezas. Mas, se a doença continuar se comportando no formato em que está, nós vamos nessa linha que você colocou, de não necessitar do lockdown. Nós acreditamos que o Espírito Santo não vai precisar de um lockdown. Agora, eu tenho uma ressalva muito grande nisso aí: é necessário que todos cooperem no enfrentamento da pandemia. Isso não é uma responsabilidade de governo. Não é só pôr nas costas do governo. Isso é uma responsabilidade do governo, sim. Mas também é uma responsabilidade do setor produtivo, que tem se empenhado muito nisso. E precisamos que a sociedade, que o cidadão tenha a sua cota de responsabilidade.

E por parte da sociedade civil em geral, que análise o senhor faz do comportamento do cidadão capixaba? Estamos cumprindo a contento a nossa cota de responsabilidade?

Acho que podemos avançar. Podemos fazer melhor. Além de adotar os novos padrões de segurança e de saúde, que é o distanciamento, é usar a máscara, é lavar as mãos, é evitar aglomerações, precisamos adotar a situação antecedente, que é aquela avaliação pessoal: “Eu preciso realmente sair à rua?” Quando saio à rua, é natural o aumento do risco. Então, se você realmente precisa, vá, mas vá com segurança. Agora, se a resposta é “talvez não”, então fique em casa um pouco mais. Então, precisamos que as três partes se comportem de uma forma responsável, sabedoras de que não tem varinha de condão, não adianta dizer “ah, o governo vai resolver...” Não vai resolver sozinho. É o governo, o cidadão e o setor produtivo. Então precisamos ter essa visão, porque nós estamos advogando até por uma maior abertura. O lockdown não está na nossa… Achamos que o lockdown é uma questão que sempre esteve na mesa, é uma possibilidade que sempre estará na mesa, mas, se lidarmos de forma responsável nas três frentes, conseguimos avançar na abertura, que é essencial na questão econômica, na questão do emprego, que é um desafio monstruoso que estamos vivendo e vamos viver nos próximos meses e, talvez, anos.
"Achamos que o lockdown é uma questão que sempre esteve na mesa, é uma possibilidade que sempre estará na mesa, mas, se lidarmos de forma responsável nas três frentes, conseguimos avançar na abertura, que é essencial na questão econômica, na questão do emprego."
Léo de Castro - Presidente da Findes

Então, resumindo: no seu entendimento, o lockdown não será necessário, a se manter o cenário atual e, principalmente, a se manter a perspectiva positiva de ampliação da oferta de leitos na rede hospitalar, além dessa necessidade de conscientização que o senhor frisou…

Oferta de leitos, mais o compromisso do setor produtivo, mais o compromisso do cidadão. Não é só leitos, porque senão nós vamos fazer um negócio sem fim. Tem que ter leito e tem que ter consciência.

E esses argumentos que o senhor apresentou, o senhor também pretende levá-los para o governo na reunião?

Pretendo. Nós vamos levar e vamos discutir, sim, no dia, em caso de ter que acontecer o lockdown, vamos antecipar e construir com o governo, porque a nossa linha também tem sido a de antecipar movimentos: se isso tiver que acontecer, como vai ser isso? A gente precisa discutir, para que não seja uma coisa assim: “O Léo e o Vitor conversaram e falaram que tem que ser lockdown. Então liga pra todo mundo e avisa que tem que ser lockdown”. Não é. Esse não tem sido o modelo do Espírito Santo e não tem sido o modelo da relação do setor produtivo com o governo. O nosso modelo é um modelo de previsibilidade. Então o que nós estamos conversando com o governo é construir previsibilidade. Na sexta-feira, o debate é: e se acontecer, como isso vai se dar? Quais as atividades que vão ter que se manter? E essas atividades que vão se manter, quais os cuidados adicionais que elas vão ter que adotar? Então é isso, para a gente ter o jogo sob controle. Esse é um ativo que a gente tem trabalhado o tempo todo com o governo do Estado: a gente tem que ter previsibilidade. Então eu não posso ser surpreendido por uma decisão. Não. O lockdown está na mesa há meses, não é de hoje. Mas agora, já que já superamos várias etapas, vamos discutir: se ele acontecer, como ele vai se dar? Temos que ter esse debate. Para fazer uma analogia, isso é mais ou menos igual a uma brigada de incêndio. Eu preciso ter uma brigada de incêndio formada, capacitada e sabedora de como agir, para, se for preciso, ela entrar em campo.

Torcendo para que ela não precise ser acionada, mas, se for, sabe como agir…

É isso. Eu acho que esse debate todo, no fim do dia, é importante por isso: para a gente ter uma estrutura organizada e que sabe atuar, se necessário for. Nós não queremos que ela atue. Mas, se ela precisar entrar em campo, ela sabe o dever de casa. É isso. Essa é a construção.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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