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Forte na "Era Hartung", MDB encolhe muito e perde 10 prefeitos no ES

Dos 17 prefeitos eleitos em 2016, só 7 permanecem filiados ao partido hoje. Guerra interna entre Marcelino e Lelo contribuiu para isso. Lelo responsabiliza a pressão e o assédio praticados pelo governo Casagrande

Publicado em 28 de Maio de 2020 às 05:00

Públicado em 

28 mai 2020 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Lelo Coimbra corre atrás de prefeitos eleitos pelo MDB que
Lelo Coimbra corre atrás de prefeitos eleitos pelo MDB que "escaparam" do partido recentemente Crédito: Amarildo
Na última eleição municipal, realizada em 2016, o MDB “sobrou” no Espírito Santo. À época ainda chamado de PMDB, o partido em que se encontrava o então governador Paulo Hartung foi de longe o que mais elegeu prefeitos no Estado, assumindo o Executivo de 17 dos 78 municípios capixabas. O segundo colocado, PSDB – segundo pilar da última administração de Hartung –, fez 13 prefeitos. Agora, com PH fora do governo e do partido, e o MDB fora da administração de Renato Casagrande (PSB), o cenário mudou radicalmente para a sigla de Lelo Coimbra e Marcelino Fraga.
Daqueles 17 prefeitos eleitos em 2016, só 7 permanecem filiados, hoje, ao Movimento Democrático Brasileiro. Isso contando a cassação do prefeito Piassi, em Castelo, e a desfiliação de outros nove chefes de Executivos municipais.
O desembarque maciço se intensificou recentemente, nas semanas que antecederam o dia 4 de abril, limite do prazo para que pré-candidatos a prefeito ou vereador se filiassem ao partido pelo qual concorrerão na próxima eleição municipal – por ora, mantida para outubro. Na prática, foi uma temporada de intensas trocas partidárias, que no fim deixou um verdadeiro rombo no MDB estadual.
O tradicionalíssimo partido não só perdeu muitos quadros como, diferentemente da maioria das agremiações relevantes, não conseguiu filiar nenhum prefeito com mandato para compensar minimamente as perdas. Confira, abaixo, a relação de baixas do MDB/ES desde 2017, e o novo destino dos prefeitos que deram adeus recentemente ao partido:
1. Anchieta – Fabrício Petri: foi para o PSB
2. Castelo – Piassi: cassado pela Justiça Eleitoral
3. Colatina – Serginho Meneguelli: foi para o Republicanos
4. Conceição do Castelo – Christiano Spadetto: foi para o Cidadania
5. Divino de São Lourenço – Eleardo Brasil: foi para o PSB
6. Ibatiba – Luciano Pingo: foi para o Republicanos
7. Ibitirama – Reginaldo de Souza: foi para o PSB
8. Itaguaçu – Darly Dettmann*: foi para o PSB
9. Santa Maria de Jetibá – Hilário Roepke, o Gatinha: foi para o PSB
10. São José do Calçado – José Carlos de Almeida: foi para o DEM
Do rol de eleitos pelo MDB em 2016, só seguem filiados à sigla os prefeitos de:
1. Afonso Cláudio – Edélio Guedes
2. Alto Rio Novo – Luiz Américo Borel
3. Laranja da Terra – Josafá Storch, o Josa
4. Linhares – Guerino Zanon
5. Mantenópolis – Herminio Hespanhol
6. Mimoso do Sul – Angelo Guarçoni Junior, o Giló
7. São Roque do Canaã – Rubens Casotti

DE HARTUNG A CASAGRANDE: A MUDANÇA NO “PÊNDULO DO PODER”

Detalhe: desses sete remanescentes no MDB, todos podem concorrer à reeleição em outubro. De todo modo, um encolhimento muito significativo, o qual, antes de mais nada, reflete a mudança no “pêndulo do poder” no Espírito Santo.
Partidos que estão no poder tendem a ser polos de atração natural para prefeitos, que dependem muito dos deputados estaduais que representam os respectivos municípios e, principalmente, das benfeitorias do governo estadual.
Repare, na relação de prefeitos desfiliados do MDB, que nada menos que cinco deles foram para o PSB, partido do governador Renato Casagrande. Já o de Conceição do Castelo foi para o Cidadania, principal parceiro do PSB na aliança que chegou ao Palácio Anchieta em 2018.
Outro polo magnético atualmente é o Republicanos, partido assentado no comando da Assembleia Legislativa desde fevereiro de 2017, na pessoa do presidente Erick Musso. Não por acaso, dois ex-prefeitos emedebistas, os de Colatina e de Ibatiba, migraram para esse partido.
No caso do MDB, é impossível, ainda, ignorar outro fator nesta análise. Foi uma pedra, aliás, cantada aqui. Prefeitos que aspiram à reeleição precisam de segurança e de estabilidade política no partido em que vão para a disputa. Mas “estabilidade” é uma palavra que tem passado longe do MDB há pelo menos um ano, quando se iniciou a guerra partidária e judicial entre os ex-deputados Lelo Coimbra e Marcelino Fraga pela presidência estadual.
A contenda entre ambos mergulhou o MDB estadual em dias de instabilidade. Prova maior disso é que, atualmente, o partido é dirigido no Estado por uma comissão interventora escalada pelo diretório nacional – situação que perdurará pelo menos até junho.

LELO COIMBRA: “ATAQUE DO PALÁCIO ANCHIETA”

Ouvimos Lelo Coimbra sobre essa debandada de prefeitos. Apesar de tecnicamente, no momento, Lelo não ser o presidente regional, foi ele quem ocupou a posição desde 2007 e é ele quem deve conduzir os preparativos do MDB no Estado visando às eleições de outubro.
Lelo reconhece a influência da disputa pelo diretório regional na perda de prefeitos com mandato. Mas atribui essa situação, principalmente, ao Palácio Anchieta: pressões praticadas pelo governo Casagrande sobre os integrantes do MDB, de modo a esvaziar deliberadamente o partido:
“Atribuo, não. Eu afirmo. Exceto em alguns casos, como o do prefeito de Colatina, que saiu logo após ter sido eleito, e a cassação do Piassi, os outros têm a ver com a ação do Palácio Anchieta. Todos os prefeitos que foram para o PSB narraram que estavam sendo levados para essa opção, por demanda do governo. Os que foram para outros partidos foram orientados a irem para outras siglas no entorno do governo.”
Como dito acima, Lelo reconhece o peso da arrastada disputa com Marcelino nas baixas. Mas também esse fator, segundo ele, fez parte do movimento do governo Casagrande, que teria praticado interferência externa indevida no processo eleitoral do partido.
“O impacto dessa situação do diretório também foi muito importante para que as desfiliações se materializassem. Mas isso também foi um movimento do Palácio Anchieta. O Palácio tentou tomar a direção estadual do partido. Como não conseguiu, trabalhou pelo esvaziamento.”
Segundo Lelo, em que pese essa questão, o MDB segue forte. “Somos o primeiro partido em número de filiados no Espírito Santo. Teremos candidaturas em locais que não tínhamos. O partido como um todo está estável e bem instalado, apesar desse ataque que sofreu. E estamos prontos para conversar com todo mundo.”
* Eleito em 2012 pelo PSB e reeleito em 2016 pelo MDB, Darly Dettmann não pode disputar novo mandato, mas, além de voltar para o PSB, filiou seu vice e candidato à sucessão, João Luiz Becalli, ao partido do governador Renato Casagrande. Beccalli estava no PSDB.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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