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Reviravolta na série

"Game of Tramas": Presidente vira o jogo na Câmara de Vitória

Após Clebinho garantir predomínio de aliados na escalação de CPIs, líder do prefeito Luciano pede mais prazo para apresentar relatório sobre denúncia que pode iniciar processo de afastamento do presidente. Entenda o que está em jogo nesse jogo

Publicado em 01 de Julho de 2020 às 05:00

Públicado em 

01 jul 2020 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Vinicius Simões x Cleber Felix
Vinicius Simões x Cleber Felix Crédito: Reprodução
A novela, ou melhor, o seriado “Game of Tramas” que virou a Câmara de Vitória sofreu novas reviravoltas nos últimos capítulos. Nesses jogos de guerra política, o jogo parece ter virado a favor do atual presidente, Cleber Felix (DEM), que lidera seus homens no Legislativo municipal contra o exército de apoiadores do prefeito Luciano Rezende (Cidadania).
Para quem está entrando agora na história, eis um brevíssimo resumo, para você não precisar maratonar:
Basicamente, o que você precisa saber é que Clebinho, adversário de Luciano, venceu a eleição à presidência da Câmara em 2018 derrotando o grupo do prefeito na Casa. Desde então, instaurou-se uma interminável guerra política em Vitória, sem trégua nem cessa-fogo: de um lado do front, Clebinho e aliados internos; do outro, a tropa do prefeito, liderada pelo antecessor de Clebinho na presidência, Vinícius Simões (Cidadania).

ÀS ARMAS!

As armas dos dois lados já foram dispostas e são as seguintes:
Na Corregedoria, órgão disciplinar da Casa, Vinícius entrou com representação contra Clebinho, pedindo que ele seja afastado da presidência. O atual presidente, por sua vez, representou contra Vinícius, pedindo abertura de processo contra o algoz por quebra de decoro e, no fim do processo, a cassação do mandato do inimigo. Um está querendo decapitar o outro.
Em paralelo, foram instauradas quatro CPIs na Casa, na semana passada, numa tacada só. Duas delas seguem o padrão dos processos na Corregedoria: Vinícius é autor de CPI para investigar Clebinho, e vice-versa.
A terceira incomoda a gestão de Luciano e, hoje, serve como outra arma da oposição apontada na direção do prédio ao lado (a sede da Prefeitura de Vitória): é a proposta pelo vereador Roberto Martins (Rede), oposicionista, para investigar denúncias relativas ao programa Porta a Porta, mantido pela Secretaria Municipal de Transportes e voltado para o transporte de cadeirantes na cidade.
A quarta propõe-se investigar fake news e até poderia ser descartada nesta análise, não fosse por um detalhe: foi proposta pelo vereador Mazinho dos Anjos (PSD), também opositor de Luciano. Sabe-se lá o que poderá surgir nessa comissão.
Some-se a isso o fato de tanto Roberto como Mazinho serem pré-candidatos a prefeito de Vitória, contra o candidato da situação, o deputado estadual Fabrício Gandini (Cidadania). Se essas CPIs forem mantidas, nenhum dos dois deve brincar em serviço nas investigações.

A FORMAÇÃO DE UM "BLOCÃO ALIADO"

De acordo com o Regimento Interno, as vagas nas CPIs da Câmara são preenchidas pelo critério de proporcionalidade dos partidos ou blocos parlamentares que compõem o plenário. No último dia 23, com o objetivo principalmente de garantir a maioria das cadeiras na composição das CPIs, os aliados do prefeito formaram, oficialmente, um "blocão parlamentar", constituído por oito dos 15 vereadores e liderado por Vinícius Simões.
Mas algo não saiu conforme os planos, pois, mesmo tendo a maioria no plenário, o blocão aliado não conseguiu emplacar a maioria na escalação das CPIs. Na verdade, analisando nome por nome, nota-se que a composição das quatro são mais favoráveis ao grupo de Clebinho, com predomínio de aliados do presidente, inclusive nas CPIs de Clebinho contra Vinícius e vice-versa: nestas duas, dos três integrantes, dois são mais próximos do presidente (2 a 1 para Clebinho).
Em protesto contra isso, Vinícius Simões protocolou na segunda-feira (29) um recurso ao plenário, para que esse preenchimento das vagas seja revisto.

REUNIÃO DA CORREGEDORIA. SÓ QUE NÃO

Em paralelo, a Corregedoria deveria realizar, nesta quarta-feira (1º), reunião ordinária do órgão, na qual, a princípio, ocorreria o primeiro ato para valer da tramitação dos processos movidos por Vinícius e Clebinho um contra o outro: a leitura e a votação dos pareceres dos respectivos relatores no órgão sobre a admissibilidade ou não das representações. É dizer: pode ou não pode tramitar.
No sorteio dos relatores, Vinícius saiu em vantagem: são aliados dele tanto o relator do seu processo contra Clebinho (Luiz Emanuel, do Cidadania) como o do processo do atual presidente contra ele (Dalto Neves, do PTB).
A tendência, assim, segundo análise geral, é que Luiz Emanuel dê parecer pela admissibilidade do processo contra Clebinho (pontapé inicial para a instauração de um processo no órgão), enquanto Dalto Neves deve opinar pelo arquivamento da representação de Clebinho contra Vinícius.
Mas... não tão rápido!

LÍDER DO PREFEITO PEDE E GANHA TEMPO

Para a surpresa de muitos, Luiz Emanuel fez, na última segunda, um movimento com a intenção clara (e declarada) de ganhar tempo: respaldado pelo Regimento Interno, pediu ao chefe da Corregedoria, vereador Sandro Parrini (DEM), para prorrogar por mais dez dias o prazo para a apresentação do parecer.
O pedido de prorrogação foi acolhido por Parrini e, aproveitando o embalo, vejam só, o corregedor-geral decidiu adiar também a reunião inicialmente marcada para esta quarta-feira. Agora, segundo Parrini, a intenção é remarcá-la para o dia 13 de julho, para que seja feita uma "leitura conjunta" dos pareceres de Luiz Emanuel e de Dalto Neves.
Até lá, o esforço dos vereadores, sobretudo articuladores dos dois lados, inclusive de Luiz Emanuel, será no sentido de costurar algum acordo de bastidores que ponha um fim ou, pelo menos, uma trégua nessa guerra que se apoderou da Câmara, protagonizada por Vinícius e Clebinho. É o que sinaliza, em entrevista à coluna, o próprio Luiz Emanuel, que, em seu retorno à Câmara, no início de abril, tornou-se líder de Luciano no Legislativo.
É possível que, nos próximos dias, entrem em ação os bombeiros para promoverem uma "operação abafa tudo", o que deve passar, inclusive, pelo sepultamento de CPIs (movimento já tentado, mas frustrado) em troca do arquivamento geral dos processos na Corregedoria.

AMORIM: FATOR QUE PODE ALTERAR A EQUAÇÃO

Há outro detalhe fundamental que ajuda a explicar o movimento de Luiz Emanuel para ganhar tempo na Corregedoria: hoje, se eventual parecer dele contra Clebinho fosse votado no órgão, haveria grandes chances de o presidente levar a melhor (contra Vinícius e toda a tropa de choque do prefeito), ou seja, de o processo ser arquivado. Isso contraria a análise inicial que fizemos aqui na última quinta-feira.
É que, até então, lucianistas estavam convictos de terem um 3 a 1 garantido contra Clebinho, com os votos, dentro do colegiado, dos três aliados do prefeito contra o presidente: Luiz Emanuel, Dalto Neves e Luiz Paulo Amorim (PV). O "voto de honra" para salvar Clebinho viria de Davi Esmael (PSB), mentor e principal aliado do presidente na Casa,
Mas esse "placar virtual" modificou-se, e o "3 a 1 certo contra Clebinho" pode virar um "3 a 2 a favor do presidente". Isso por causa da posição de uma peça-chave nesta história: Luiz Paulo Amorim. O experiente vereador é filiado ao PV, partido que já tem compromisso de apoiar Gandini, o candidato lucianista, à prefeitura, conforme o próprio vereador reafirmou nesta terça à coluna. Amorim é um aliado de Luciano, não resta dúvida.
Porém, em conversa com a coluna, Amorim afirmou categoricamente que, na opinião dele, o melhor para todos, inclusive para a instituição, é o fim dessa guerra sem fim, o que passa pelo arquivamento do processo de Vinícius contra Clebinho. Hoje, se dependesse só dele, o processo contra o presidente morreria ali na Corregedoria, antes mesmo de começar.
Assim, o voto de Amorim se somaria ao de Davi Esmael, estabelecendo um 2 a 2. E aí quem dá o voto de desempate? Parrini, o corregedor-geral, hoje aliado de Clebinho. Mantido esse quadro, teríamos, virtualmente, um 3 a 2 para salvar Clebinho.
Outro sinal de que Amorim não está mais tão disposto a jogar (este jogo, pelo menos) na tropa do Cidadania: como líder e único vereador do PV, ele recusou-se a aderir ao “blocão” formado por iniciativa de Vinícius, apesar de o espaço para sua assinatura ter sido até reservado no requerimento de formalização do bloco.
Por essas e outras, o “Game of Tramas - CMV” parece ter virado a favor de Clebinho. Pelo menos, até o próximo episódio.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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