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Eleições 2020

Gandini: "Não esconderei meus aliados, como já tem candidato fazendo"

Pré-candidato a prefeito de Vitória anuncia o vice em sua chapa, enfatiza boa relação com o governo Casagrande ("Não podemos perdê-la"), diz ter Luciano como "conselheiro" e alfineta adversários, falando em "gente que nem conhece Vitória"

Publicado em 26 de Agosto de 2020 às 05:00

Públicado em 

26 ago 2020 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Gandini:
Gandini: "Não vou esconder meus aliados" Crédito: Amarildo
Recém-aprovado em um doutorado em Planejamento Regional e Gestão de Cidades pela Universidade Candido Mendes (RJ), o deputado estadual Fabrício Gandini (Cidadania) começa a modular o tom do discurso que adotará em sua campanha a prefeito de Vitória, na qual terá como vice o vereador Nathan Medeiros (PSL) – anunciado por ele na noite desta terça-feira (25).
Em conversa com a coluna, o pré-candidato apoiado pelo prefeito Luciano Rezende (Cidadania) enfatiza sua excelente relação com o governo Casagrande ("Não podemos perder isso"), ressalta que sua candidatura não atende a um "projeto de poder" e reserva algumas alfinetadas para adversários não nominados – ainda disparadas com moderação, pelo menos a esta altura do processo.
Sem citar nomes, Gandini afirma que há políticos se apresentando como postulantes à Prefeitura de Vitória “que nem sequer conhecem a cidade”. Menciona candidaturas que surgiram de maneira “oportuna” (quis dizer “oportunista”) no momento da eleição. E sugere que alguns de seus potenciais adversários preferem que o público não saiba quem são seus reais apoiadores:
"O que posso te dizer é que não vamos esconder os nossos aliados, ao contrário de alguns candidatos que já estão fazendo isso".
A declaração de Gandini surgiu quando perguntamos a ele sobre o papel a ser desempenhado por Luciano Rezende em sua campanha. Quanto à participação do atual prefeito, o pré-candidato do Cidadania afirma que o tem como “um grande conselheiro”. Acrescenta que Luciano “continuará contribuindo com Vitória de outras maneiras” após o encerramento do mandato. Mas ressalva que “Luciano tem uma cidade para governar, em um fim de mandato difícil [por causa da pandemia]”.
Ou seja, o prefeito está e estará com Gandini na campanha, isso é certo, mas não necessariamente em uma posição de destaque nem de modo onipresente – até para não quitar de Gandini o protagonismo que o candidato precisa assumir. Antes de se tornar vereador, Gandini foi assessor de Luciano na Câmara de Vitória. Antes de virar deputado, foi secretário de Gestão e Planejamento de Luciano na prefeitura. “O protagonismo [na campanha] será meu”, avisa.
Aos 40 anos, Gandini destaca sua preparação para essa candidatura: “Estou muito preparado para ser prefeito de Vitória. Com Luciano, encerra-se um ciclo muito bom. Mas estou pronto para pegar esse bastão a ser entregue pelo Luciano. Costumo dizer que o Luciano foi a pessoa certa para governar Vitória no momento em que ele foi prefeito, com o fim do Fundap, por exemplo [em 2012]. Agora, precisamos acelerar, fazer mais rapidamente.”
Instado a destacar a principal diferença entre os dois, Gandini tergiversa: “Não me atrevo a citar um ponto. Até irmãos gêmeos são diferentes”. Salienta, porém, algo que só o próprio prefeito poderia confirmar: “Nas nossas conversas, Luciano sempre diz: ‘Gandini, você será um gestor melhor que eu’”.
Confira, a seguir, os outros pontos mais importantes abordados em nossa conversa com Gandini e as declarações do deputado para cada um:

RENATO CASAGRANDE E O PSB NA DISPUTA

E quanto a Renato Casagrande? Que participação Gandini pensa que terá o governador nessa campanha em Vitória?
“É a mesma coisa que Luciano. Acho que o governador tem o Estado para governar, em um momento muito difícil. Não acredito que ele vá parar de governar o Estado para se envolver na campanha”, opina o deputado.
É importante recordar que o PSB, partido de Casagrande, também tem candidato próprio à Prefeitura de Vitória: o vice-prefeito Sérgio Sá, com quem Gandini diz não ter muita proximidade. E se por acaso o candidato do PSB não passar para o 2º turno e Gandini sim, ele buscará o apoio declarado do governador à sua candidatura na segunda etapa de uma disputa que promete ser muito concorrida?
“A nossa candidatura independe disso”, responde Gandini. “Agora, há conceitos importantes. Um deles é que temos excelente relação política e institucional com o governo do Estado. Isso foi recuperado nos últimos dois anos. E é extremamente importante que nós não percamos isso. Esse ótimo relacionamento será fundamental para Vitória nos próximos anos”.
Ou seja, mesmo indo para o 2º turno, Gandini não espera uma declaração de apoio a ele por parte do governador (realmente incerta, a depender do adversário). Tampouco condiciona a sua campanha a isso.
Ao mesmo tempo, sabe da importância de se apresentar como um parceiro político do governo Casagrande, com história pessoal que corrobora essa parceria, em uma disputa que contará com pelo menos três oponentes não alinhados ao Palácio Anchieta: os deputados Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Capitão Assumção (Patriota), além do coronel Nylton Rodrigues (Novo), secretário estadual de Segurança Pública na reta final do governo Paulo Hartung (2018).
Além de presidente regional do Cidadania (um dos pilares da coalizão do PSB no governo), Gandini é soldado da base de Casagrande na Assembleia (sobretudo como presidente da Comissão de Justiça) e foi candidato a vice-governador na chapa do socialista à reeleição em 2014, derrotada pela de Hartung com César Colnago (PSDB) na vice.

POSSÍVEL AJUDA A SÉRGIO SÁ

Gandini desmente com veemência a informação – publicada aqui no dia 24 de junho  de que ele mesmo estaria trabalhando nos bastidores para fortalecer a coligação de Sérgio Sá com alguns partidos, a fim de ajudar a viabilizar a pré-candidatura do vice-prefeito e afastar de vez o “risco” de o deputado estadual Sergio Majeski ser lançado pelo PSB no lugar de Sá. Isso partindo do pressuposto de que Majeski teria potencial para tirar mais votos de Gandini que o vice-prefeito, até por ambos os deputados terem eleitorado com perfil mais parecido.
“Não, isso é uma invenção que foi plantada por alguém. Não falei nada na época até pela boa relação que tenho com o Palácio Anchieta. Mas nunca trabalhei por nenhuma outra candidatura que não a minha. Jamais faria isso, até porque não é do meu feitio.”
Gandini frisa, por outro lado, que vai “respeitar todas as candidaturas”, o que nos leva a outra delas:

A PRÉ-CANDIDATURA DE LUIZ PAULO

De 2018 a abril deste ano, com seu turbulento retorno ao PSDB, o ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) esteve filiado ao Cidadania. Gandini afirma ter “de fato uma relação muito tranquila” com o agora novamente tucano. Provocado a se posicionar sobre o ingresso dele na disputa – Luiz Paulo se declara pré-candidato e trabalha para obter legenda no PSDB –, Gandini prefere não se aprofundar. “Todas as candidaturas terão o nosso respeito”, reafirma. “Estou muito focado na minha candidatura e em apresentar o melhor projeto possível para a cidade.”
Mesmo que venham a ser adversários eleitorais, Luiz Paulo e Gandini hoje dificilmente podem ser considerados adversários políticos. Na geopolítica estadual (termo aliás consagrado pelo ex-prefeito), os dois e Sérgio Sá estão praticamente no mesmo campo.
PSB e Cidadania fazem parte do governo Casagrande, assim como Luiz Paulo fazia, até se desincompatibilizar, em abril, da presidência do Instituto Jones dos Santos Neves. Perguntamos, então, a Gandini: se os três forem mesmo candidatos e só um deles avançar ao 2º turno, os três certamente estarão juntos, no mesmo palanque, na reta final da eleição?
“Aí é muita ilação”, tangencia Gandini. Mas, confiante, afirma: “Quem apoiar o nosso projeto para a cidade estará conosco no 2º turno”.

DOUTORADO NA CANDIDO MENDES

Se Fabrício Gandini for eleito, Vitória terá um raríssimo “prefeito doutorando”. Ele acaba de ser aprovado no curso de doutorado stricto-sensu em Planejamento Regional e Gestão de Cidades pela universidade particular Candido Mendes, no Rio de Janeiro. Formado em Direito pela UVV, o deputado tem mestrado também cursado na Candido Mendes, na mesma área do doutorado, iniciado por ele no último sábado (22).
As aulas são presenciais, a cada dois sábados. E a duração do curso é de quatro anos – exatamente a duração do mandato de prefeito. Se Gandini se eleger em novembro, estará defendendo sua tese no fim de 2024 e, ao mesmo tempo, sua reeleição. Dará mesmo para conciliar as exigências de um doutorado com as de um mandato puxado na prefeitura da Capital, com problemas que não escolhem sábado, domingo nem feriado?
“Dá para conciliar, sim”, responde ele. “O doutorado em Gestão de Cidades me ajudará a ser um melhor prefeito, a governar melhor a cidade, assim como o mestrado me ajudou muito quando fui secretário municipal de Gestão [2017/2018]. Já tive a primeira aula, no sábado. E a primeira aula já me ajudou muito. O gestor moderno tem que estar continuamente estudando, se aprimorando, agregando conhecimento.”

POLARIZAÇÃO IDEOLÓGICA X ELEIÇÃO LOCAL

O pré-candidato do Cidadania não acredita em uma eleição polarizada do ponto de vista ideológico, ou seja, não espera que a dicotomia da política nacional entre direita e esquerda se replique na campanha em Vitória nem que determine a escolha dos eleitores.
“Não acredito. Para mim, até pela história, será uma grande surpresa se isso acontecer. Eu ficaria muito admirado. Acho que o eleitor de Vitória não vai querer discutir direita e esquerda. Vai querer discutir a cidade, os problemas da cidade, o que você propõe para resolver esses problemas, quem está em condições de resolvê-los e de melhorar a vida na cidade. O eleitor de Vitória é muito qualificado e vai buscar uma discussão qualificada, sobre Vitória. Não acredito que vá querer entrar nessa dicotomia.”
De todo modo, perguntamos a Gandini: como ele classifica o Cidadania e a si mesmo nesse espectro partidário que vai da extrema esquerda à extrema direita? Afinal, ele preside no Estado uma agremiação política nascida na esquerda clássica brasileira: ex-Partido Popular Socialista (PPS), o Cidadania deita raízes no Partido Comunista Brasileiro (PCB).
“Eu me defino como alguém com foco na gestão da cidade de Vitória. Nesse sentido, você pode até afirmar que sou de centro. Quanto ao nosso partido, o mais importante é que, diferentemente de tantos partidos, nós não temos 'bandido de estimação'. No Cidadania, não tem. Foi acusado, é afastado do partido. Me orgulho muito disso.”
"A nossa candidatura não é pela candidatura. Não é um projeto de poder. É um projeto para a cidade. Nunca fiz política pelo poder. Poderia estar fazendo outra coisa na minha vida. Sempre fiz política pensando no que é melhor para a cidade e para a vida das pessoas. O nosso projeto vai nessa direção."
Fabrício Gandini (Cidadania) - Deputado estadual

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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