O atual prefeito de Viana, Gilson Daniel (Podemos), admite: quer ser prefeito de Cariacica. Antes disso, porém, ele tem outro passo eleitoral a dar: pretende se tornar presidente da Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes).
Administrada por Gilson Daniel desde 2013, a cidade de Viana, segundo o IBGE, tem 76.954 habitantes. A vizinha Cariacica possui 378.603. Cinco vezes mais pessoas; cinco vezes mais problemas. Nada que desanime Gilson. Ao contrário, ele se diz movido por desafios e mantém discurso de quem está mesmo a fim de disputar Cariacica já em 2020.
“Tenho uma relação de proximidade e de convivência muito forte com Cariacica, até porque são municípios vizinhos. A gente tem um carinho grande pela cidade e a gente tem um trabalho em Viana que repercute em Cariacica. Viana tem 70 mil habitantes, enquanto Cariacica tem 400 mil. É algo que desafia qualquer político, e eu gosto de desafios. É em lugares onde há dificuldades que o gestor aparece. Quanto maior a dificuldade, melhor é para se governar. Eu gosto de desafios e, se no futuro a gente puder contribuir com uma cidade maior, é lógico. Esse é o desejo de todo prefeito”, diz ele.
Mas o desejo do prefeito de Viana pode esbarrar em outro tipo de dificuldade, de ordem legal. Mais do que desanimado, ele pode ficar é impedido mesmo. Isso porque, atualmente, prefeitos que encerrem o segundo mandato consecutivo em determinado município – como é o caso de Gilson Daniel – simplesmente não podem emendar um terceiro mandato de prefeito em um segundo município, mesmo que esse faça divisa com o primeiro. Tal é o entendimento hoje prevalente no TSE e no STF.
Entretanto, assim como muitos prefeitos Brasil afora, Gilson Daniel tem esperança de que a regra mude até o pleito de 2020, o que pode ocorrer de duas formas: ou o STF muda a jurisprudência, ou os congressistas mudam a Constituição. Segundo o prefeito de Viana, a deputada federal Renata Abreu (Pode-SP), presidente nacional de seu partido, pretende apresentar neste ano uma PEC com o intuito de autorizar a possibilidade do “prefeito itinerante”.
“Acho que tenho que concluir bem Viana e, quanto aos projetos futuros, vamos esperar. Temos que esperar primeiro essa PEC”, atenua o prefeito.
Mas, ainda na categoria “projetos futuros”, há outro mais imediato que também está na alça de mira de Gilson: tornar-se presidente da Amunes. Hoje a entidade é presidida pelo prefeito de Linhares, Guerino Zanon (MDB). A princípio, a próxima eleição ocorrerá em março, quando a gestão de Guerino completará dois anos – mas o edital com o calendário eleitoral ainda não foi lançado.
Em março de 2017, Gilson chegou a construir chapa para presidir a Amunes, a qual porém não chegou a ser inscrita, pois a maioria dos seus então aliados desertou na hora H. O movimento de Gilson foi implodido por ação direta do então governador Paulo Hartung (MDB). À época, Hartung chegou a dar declarações à imprensa de que a chapa de Guerino, lançada de última hora, tinha suas impressões digitais. Aliados de Hartung, como o então presidente do Sebrae-ES, José Eugênio Vieira, admitiu à coluna o disparo de telefonemas a prefeito a pedido de Hartung, em favor de Guerino Zanon.
“Há dois anos eu construí um projeto para a Amunes, a várias mãos, com muitos prefeitos. Rodei o Estado. Tivemos várias reuniões, montamos um planejamento para a associação, com vários projetos para os municípios. Seria uma gestão compartilhada com os municípios. Porém, à época, houve uma intervenção política forte do governo.”
Agora, o comando da entidade volta a estar no horizonte do talvez futuro candidato a prefeito de Cariacica.
Referências
Contador, servidor de carreira da Ufes e professor universitário, Gilson Daniel é vice-presidente da Associação Brasileira dos Municípios e representante do Espírito Santo na Frente Nacional dos Prefeitos.
Amunes no curto prazo
Se Gilson Daniel buscará mais uma vez viabilizar candidatura a presidente da Amunes? “Buscarei, sim, no seguinte sentido: a associação tem que discutir isso com os prefeitos. Temos que construir uma relação com os Poderes constituídos. O governo do Estado é muito importante nessa discussão. A gente ouvir o governador é muito importante. Quem assumir a Amunes a partir de abril tem que ter condição de dialogar com todos os Poderes.”
Tem que ter disposição
“Eu tenho disposição. Já fiz isso anteriormente. Já temos um planejamento. Mas não sou candidato a qualquer custo. Posso botar meu nome à disposição se for para ajudar os municípios e se for candidatura de consenso. Não vou para o embate com ninguém. Tenho experiência de dois mandatos e acho que posso contribuir.”
Relação com Casagrande
“Se você pegar meu histórico, vai ver que tenho uma boa relação com o governo atual e sempre fui muito próximo do Renato. É uma pessoa que a gente vai ouvir. Ele vai ter um papel fundamental nessa eleição.”
De Gilson para Casa
Ex-secretário de Saúde de Viana, Luiz Carlos Reblin foi nomeado ontem por Casagrande como novo superintendente regional de Saúde de Vitória.
Eles têm a palavra
Na 1ª reunião de Casagrande com todos os secretários e chefes de órgãos ontem, sobre o Orçamento 2019, só dois falaram além dele: Álvaro Duboc (Planejamento) e Tyago Hoffmann (Governo).