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Eleições 2020

Guerino Zanon pode se lançar ao governo do ES em 2022

Em círculos próximos ao prefeito de Linhares, já corre o comentário de que ele pode ser lançado pelo grupo político do ex-governador Paulo Hartung, de quem é aliado histórico. Assim, ganha ainda mais peso o vice em sua chapa na eleição de novembro

Publicado em 23 de Agosto de 2020 às 14:00

Públicado em 

23 ago 2020 às 14:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Guerino Zanon e Renato Casagrande
Guerino Zanon e Renato Casagrande Crédito: Ricardo Medeiros / Reprodução YouTube
Com o amplo favoritismo de Guerino Zanon (MDB) para se reeleger prefeito de Linharesapontado aqui na manhã deste domingo, a ocupação da vaga de vice na chapa encabeçada por ele ganha ainda maior importância em função de outro fator: em Linhares, comenta-se que Guerino hoje está tão forte politicamente que já começa a ser cotado como possível candidato ao governo do Estado em 2022, contra Renato Casagrande (PSB).
Ele poderia ser lançado pelo grupo político do ex-governador Paulo Hartung (ex-MDB, hoje sem partido), com quem tem alinhamento histórico. Fontes da coluna confirmam que esse comentário já circula realmente em gabinetes da Prefeitura de Linhares.
Se Guerino se reeleger e se lançar mesmo ao governo, terá que deixar o cargo de prefeito em abril de 2022. Deixá-lo, no caso, nas mãos do vice eleito com ele na eleição municipal de novembro, que então conduzirá a prefeitura até o fim de 2024.
Para isso, convém a Guerino deixar a prefeitura nas mãos de um aliado fiel ao extremo. Um aliado como Bruno Margotto Marianelli (Republicanos), ex-secretário de Planejamento e Finanças de Linhares, exonerado do cargo por Guerino no dia 3 de junho, no limite do prazo para desincompatibilização de secretários municipais que queiram disputar a próxima eleição para prefeito ou vice-prefeito (como é o caso).
Marianelli é favorito ao posto de vice por sua histórica ligação com Guerino. Com perfil semelhante ao do prefeito, acompanha a trajetória dele desde os seus primeiros mandatos em Linhares: foi secretário municipal em suas quatro administrações. Quando Guerino foi presidente da Assembleia, em 2007/2008, Marianelli foi supervisor legislativo da Casa. No útimo governo de Paulo Hartung (2015/2018), ocupou a presidência do IPAJM.
Com Marianelli na vice, Guerino fica muito à vontade para fazer esse movimento de interrupção do mandato em 2022 para se lançar rumo ao Palácio Anchieta, pois, mesmo fora da prefeitura, continuaria “governando a cidade” por intermédio do fiel escudeiro.
Guerino também é fortíssimo aliado do atual presidente estadual do MDB, o ex-deputado federal Lelo Coimbra.

RELAÇÃO COM CASAGRANDE JÁ FOI PIOR

Conjecturas para 2022 à parte, Guerino e Casagrande no momento cultivam boa relação administrativa e institucional. Não chegam a ser aliados políticos, mas estão hoje muito mais entrosados do que já estiveram no passado. A percepção geral em Linhares é a de que eles estão governando juntos. O governador tem levado e anunciado investimentos para lá, a exemplo da retomada das obras do aeroporto municipal.
Trata-se também de uma questão de transmissão de prestígio: se Guerino está bem avaliado, aproximar-se dele é bom para Casagrande, politicamente. E, se o governo do Estado ajuda Linhares a crescer, isso é bom para todos: prefeito, governador, população... É um jogo de “ganha-ganha”.
Outra leitura é que Casagrande esteja procurando atrair Guerino, um hartunguista histórico, para seu próprio movimento político – até de modo a neutralizar aspirações eleitorais do prefeito que possam ameaçar de algum modo sua reeleição em 2022.

MESMO NA PRESIDÊNCIA, GUERINO FOI DEPUTADO SEM BRILHO

Além dos quatro mandatos na Prefeitura de Linhares (1997/2000, 2001/2004, 2009/2012 e 2017/2020), Guerino Zanon já foi parlamentar, em duas rápidas passagens pela Assembleia Legislativa – exatamente nos interregnos de seus mandatos como prefeito: 2007/2008 e 2015/2016.
No Legislativo, porém, teve atuação muito tímida, para não dizer apagada. Só não fez completa figuração porque chegou a presidir a Casa assim que nela pôs os pés (2007/2008) – à época, muito mais por ser representante fiel do grupo político do então governador Paulo Hartung que por qualquer outro motivo.
Nos debates em plenário, era quase absoluta nulidade. Com a tribuna, nunca teve intimidade. Os dois mal foram apresentados. Mesmo enquanto presidente, foi um deputado discreto e silente, de escassos discursos e intervenções. Claramente, como muitos ali, em seus dois breves (e abreviados) mandatos, usou a Assembleia apenas como escala: um pouso passageiro, provisório, para não ficar sem nenhum mandato entre duas eleições municipais. E passou seus dias de parlamentar a contar os dias para a eleição seguinte a prefeito de sua cidade.
Efetivamente, seus dois mandatos de deputado foram interrompidos ao meio por retorno à Prefeitura de Linhares, em 2008 e em 2016.
O Parlamento, enfim, não é sua praia. O Executivo, sim.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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