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Eleições 2020

Helder: “Não escondemos o PT. Temos orgulho do que fizemos na cidade”

Principal cabo eleitoral de Célia Tavares na disputa em Cariacica, deputado e ex-prefeito diz estar “de corpo e alma na campanha” e aposta no reconhecimento de seu legado para pupila chegar ao 2° turno

Publicado em 09 de Novembro de 2020 às 17:36

Públicado em 

09 nov 2020 às 17:36
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Helder Salomão, deputado federal do ES pelo PT
O deputado federal Helder Salomão foi prefeito de Cariacica por dois mandatos e agora não disputa o cargo, mas tem uma aliada entre os concorrentes Crédito: Agência Câmara
Ele era apontado por agentes políticos de Cariacica como possível favorito na corrida pela prefeitura da cidade, se tivesse sido candidato. Mas, em janeiro deste ano, o deputado federal e ex-prefeito Helder Salomão (PT) anunciou que não entraria nesse páreo. Em vez disso, desde o início, declarou apoio à educadora Célia Tavares para ser a candidata do partido. ainda na fase de prévias do PT.
Agora, consciente de ser um dos principais cabos eleitorais dessa embolada disputa em Cariacica, Helder está mergulhado “de corpo e alma”, como diz, na campanha da correligionária. E garante: nem ele nem Célia estão escondendo o PT para pedir votos. Pelo contrário.
"Não estamos escondendo o partido, não. O povo sabe que eu sou do PT e que a Célia é do PT. Não há razão para esconder o PT. Estamos fazendo uma campanha resgatando inclusive o que o governo do PT, que foi o governo que liderei, fez em Cariacica. A cidade mudou no meu governo. E agora precisa de uma nova mudança"
Helder Salomão (PT) - Deputado federal
Helder teve esta conversa com a coluna na noite do último sábado (7). Disse que, até então, todos os dias, estava dando um jeito de participar de pelo menos uma atividade de campanha ao lado de Célia, compatibilizando a agenda da candidata com as sessões virtuais da Câmara Federal. Desde 2018, ele é o único deputado federal pelo PT na bancada do Espírito Santo.
Nesta última semana de 1º turno, como não há sessões na Câmara, o ex-prefeito intensificou sua presença e está acompanhando por toda parte a sua apadrinhada. Só não está andando literalmente de mãos dadas com Célia por causa dos cuidados sanitários impostos pela pandemia. “Nessa última semana, estarei de corpo e alma na campanha.”
Acreditando na chegada da candidata do PT ao 2º turno, Helder põe em relevo uma característica muito peculiar desse processo eleitoral em Cariacica e confirmada pela pesquisa Ibope/Rede Gazeta publicada em 17 de outubro: a quantidade incomum de candidatos a prefeito muito pouco conhecidos e empatados na margem de erro nas sondagens dos institutos de pesquisa.
Na referida pesquisa do Ibope, o líder, Euclério Sampaio (DEM), tinha apenas 13% das intenções de voto na estimulada, e nada menos que 11 dos 14 candidatos estavam tecnicamente empatados, no limite da margem de erro. Célia estava nesse emaranhado.
Assim, “ter poucos traços” nas sondagens é um traço comum a quase todos os candidatos à sucessão do prefeito Juninho (Cidadania), o que torna a disputa local absolutamente equilibrada e imprevisível – algo reforçado pela não candidatura dos políticos com maior recall político na cidade: o próprio Helder, o deputado estadual Marcelo Santos (que apoia Euclério) e Juninho (que não poderia disputar um 3º mandato seguido e não apoia ninguém publicamente).

O MAIOR DESAFIO, NÃO SÓ PARA CÉLIA

Nesse cenário de indefinição, o maior desafio para Célia, como reconhece Helder, é se tornar mais conhecida pelos eleitores, em uma campanha sem propaganda em emissoras de rádio e TV:
“Um traço muito comum em Cariacica é que nenhum candidato pode dizer que é muito conhecido. Alguns são mais, outros menos, mas na verdade a maioria é pouco conhecida. Isso nos impõe o desafio de usar bem as redes sociais e conversar com as pessoas, gastando sola de sapato e obedecendo aos critérios estabelecidos pelas autoridades sanitárias. Minha participação na campanha da Célia é muito intensa, desde os materiais que são produzidos à gravação de vídeos. Mas não estou em todos os materiais porque ela tem personalidade própria, capacidade política e estatura política”, exalta Helder, emendando:
“O problema é que ela e os demais candidatos não são conhecidos pela maioria da população. Mas, com o passar dos dias, isso está mudando. Faz duas semanas que a Célia está crescendo substancialmente, porque as pessoas passam a saber que ela é a minha candidata.”
Em outras palavras, o deputado e ex-prefeito admite que sua participação direta, como padrinho político de Célia, é decisiva para que ela consiga dar um sprint na reta de chegada. Por outro lado, ele mostra preocupação em não sombrear os méritos próprios atribuídos por ele à candidata, que foi sua secretária municipal de Educação do início ao fim dos seus dois governos, de 2005 a 2012.
“Sim, há uma influência muito importante não só do meu apoio, mas do meu legado. E as pessoas reconhecem também o trabalho dela. Ela foi minha secretária de Educação por oito anos e, naquele período, foram construídas 38 escolas em Cariacica, sendo 20 creches. Foram 50 laboratórios de informática. Não havia nenhum. A Célia cresce por causa do trabalho que nós fizemos, do meu apoio, da recuperação do meu legado e do reconhecimento do trabalho dela. [Se ela ganhar], quem vai governar não sou eu. Vou ajudar como deputado federal. Quero ser um colaborador, trazendo recursos de Brasília para a cidade”, completa Helder.
Integrante da mesma corrente interna do ex-prefeito no PT, Célia Tavares disputa a sua primeira eleição municipal e a segunda para qualquer cargo. Em 2018, foi a candidata do partido ao Senado. Ficou em 5º lugar, com 164.852 votos (4,6% dos válidos), sendo 18.598 em Cariacica. Sempre teve militância no PT.

CONCLUSÃO: HELDER ESTÁ SE ARRISCANDO

Resumindo a ópera, Célia pode até ter alguma luz própria, mas conseguir transferir votos e levar ao 2º turno uma candidata tão pouco conhecida é o maior teste de popularidade e de força política para Helder Salomão em seu reduto.
Ele está colocando em jogo o seu capital político. Se Célia parar no 1º turno, Helder sairá menor dessa disputa em sua própria cidade, mesmo que não esteja concorrendo pessoalmente.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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