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Vitor Vogas

Helder Salomão repudia declaração de Bolsonaro sobre imigrantes

Em entrevista à Fox, presidente disse que "maioria dos imigrantes não tem boas intenções". Para deputado petista, Bolsonaro tratou brasileiros como "párias" nos Estados Unidos. Ele recorda que família Bolsonaro também chegou ao Brasil em um fluxo migratório (da Itália)

Publicado em 20 de Março de 2019 às 18:30

Públicado em 

20 mar 2019 às 18:30
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

vvogas@redegazeta.com.br

Helder Salomão: recém-eleito para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal Crédito: Gazeta Online
Ao assumir a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, no último dia 14, o deputado federal Helder Salomão (PT) afirmou: "Toda vez que o governo Bolsonaro propuser ou apresentar algum projeto ou fizer algum pronunciamento que fira os direitos humanos, a comissão vai se pronunciar". O deputado não tardou em cumprir a promessa. Nesta quarta-feira (20), Helder divulgou uma nota de repúdio às declarações do presidente Jair Bolsonaro (PSL), durante visita aos Estados Unidos, sobre a situação dos imigrantes brasileiros no país de Donald Trump.
Na nota, Helder destaca que a própria família Bolsonaro, de origem italiana, também chegou ao Brasil em uma onda migratória. "Lembremos ao presidente e sua família que o Brasil é um país formado em grande parte por imigrantes. A própria família Bolsonaro aqui chegou em um fluxo migratório proveniente da Europa, em busca de uma vida melhor, fugindo das condições adversas de sua própria terra."
Em uma entrevista à emissora Fox, o presidente declarou que a maioria dos imigrantes não tem boas intenções quando vão para os Estados Unidos. Acompanhando o pai na viagem, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, também afirmara, em solo norte-americano, que os brasileiros ilegais nos Estados Unidos são "uma vergonha" para o Brasil
O presidente depois voltou atrás e pediu desculpas, alegando que cometera um equívoco e que queria se referir à "menor parte" dos imigrantes. 
Helder manifestou "profunda repulsa" à declaração do presidente, citando que "estudos acadêmicos" demonstram que, na verdade, a maioria dos emigrantes deixam o Brasil não para praticar crimes no exterior, mas em busca de uma vida melhor. Por isso mesmo, segundo ele, essas pessoas costumam ser as mais empreendedoras nas comunidades em que se radicam.
"Na condição de presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal expresso nossa profunda repulsa às recentes manifestações do presidente Jair Messias Bolsonaro, a respeito dos brasileiros e brasileiras que emigram para o exterior. Não podemos de forma alguma aceitar que o presidente de nosso país se refira aos brasileiros que, pelos mais diversos motivos, inclusive dificuldades econômicas, emigram para os EUA atrás do chamado sonho americano, como pessoas de má índole ou criminosos. Estudos acadêmicos apontam que, historicamente, homens e mulheres migram em busca de uma vida melhor, jamais para cometer crimes! Mostram, igualmente, que as pessoas que migram costumam ser as mais corajosas e empreendedoras de suas comunidades, que muito fazem por estas e por seus países, seja pelas remessas de valores efetuadas, seja retornando com economias para investir e com riquíssimas experiências de vida."
PÁRIAS E SUBSERVIÊNCIA
Para Helder, Bolsonaro manifestou "pequenez" e "subserviência" nos Estados Unidos, tratando o povo brasileiro como "pária diante de um país estrangeiro". Segundo o deputado, esse "discurso criminalizante" é irresponsável e representa uma "carta branca para perseguições, prisões e deportações em massa". 
"O novo governo joga por terra esse esforço de décadas. Mais do que isso, ao relegar o povo brasileiro à condição de pária diante de um país estrangeiro, demonstra uma pequenez e uma subserviência inimagináveis para governantes que deveriam representar e defender os interesses da população de seu país. Os cidadãos e as cidadãs brasileiras que emigram devem ter seus direitos respeitados e o Estado brasileiro tem a obrigação de defender seus interesses. Adotar um discurso criminalizante e apoiar ações que venham a cercear direitos, além de ser uma carta branca para perseguições, prisões e deportações em massa, demonstra total irresponsabilidade e descumprimento da nova Lei de Migração (...)". 

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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